O ciclo de conferências “Pensar o Futuro” discutiu “A Humanidade as suas Cidades de Futuro” com João Teixeira Lopes, sábado passado, no auditório dos Paços da Cultura.
O objetivo é que este ciclo de conferências “perpetue no futuro, tal como outros projetos que temos vindo a lançar, criando boas tradições e iniciativas cívicas em S. João da Madeira”, disse o presidente da câmara Jorge Sequeira.
Pelo 34.º aniversário de Elevação de S. João da Madeira a Cidade, Jorge Sequeira consultou a Constituição de então para tomar conhecimento do que era preciso para passar de vila a cidade. Nos dias de hoje, as cidades são “organismos de gestão muito complexa”, admitiu o autarca cujo lema da campanha eleitoral era precisamente “Uma visão de futuro” para S. João da Madeira.
O tema “A Humanidade e as suas Cidades de Futuro” “não é fácil” porque enquanto sociólogos “temos dificuldade em falar do futuro” e correm o risco de ser confundidos com “profetas”. Por isso, o que podem fazer é “analisar” o que aconteceu e está a acontecer. A certeza é que “a história não está feita”, afirmou o sociólogo João Teixeira Lopes.
“As cidades sempre foram o centro do dinamismo e da economia” e “numa economia competitiva uma cidade precisa de criar um lugar no mapa”, deu a conhecer o sociólogo.
Na ótica de João Teixeira Lopes, “as estratégias vão ser ligadas cada vez mais às correntes alternativas do capitalismo”, exemplificando com o caso da cultura e da economia que “interagem cada vez mais” e em que “o elemento estético tem de estar presente”. “As cidades vão pelo mesmo caminho. A cidade é cada vez mais a sua imagem. Elas têm de saber desdobrar-se em imagens e espetáculos”, adiantou João Teixeira Lopes.
O sociólogo destacou ainda outro aspeto muito importante relacionado com as interações e a imagem. “Em todas as interações avaliamos e somos avaliados e em todas elas ganhamos e perdemos pontos” e hoje mais do que nunca “temos de vender sempre a nossa imagem”, salientou João Teixeira Lopes.
Nas novas conceções de cidade existe uma concentração “excessiva na centralidade e todo o resto se esquece. A obsessão com o que está no cartão e no postal turístico”, constatou o sociólogo, alertando para aquilo que poderá contribuir para uma cidade continuada e uma cidade descontinuada.
As cidades atuais estão numa “encruzilhada a viver tensões. Elas não estão definidas, não há resposta única e perfeita”, considerou João Teixeira Lopes.
“A cidade por onde fores ela irá”, concluiu o sociólogo, pedindo aos presentes para pensarem sobre isso porque por onde forem ela irá.
O presidente da câmara reviu-se na importância da imagem e de estar no mapa para as cidades. “Essa pressão para ter uma imagem, uma marca, um símbolo existe e está bem presente no discurso político”, afirmou Jorge Sequeira.

“A cultura é uma caixa de ferramentas para sabermos o sentido do mundo”

O ser humano tem a tendência de “impingir” a sua opinião e um dos casos é sobre a “cultura boa ou má”, comentou o empresário Álvaro Gouveia, questionando o sociólogo: “de que forma a cultura tem de ser útil às empresas?”. “Enquanto não for não saímos deste manual de civilidade”, acredita o empresário que esperava ter ouvido falar das cidades colaborativas.
Os primeiros manuais de civilidade surgiram no século XIX com o aparecimento da “burguesia semi endinheirada” com o intuito de dar a conhecer “como a pessoa se deve comportar”, explicou o sociólogo sobre este documento peculiar que é “uma delicia de ler”.
Para João Teixeira Lopes, a resposta à questão da cultura é muito simples. “Temos de proporcionar a ampla camada da população todas as formas de cultura diferente” até porque “de nada serve abrir museus se aquilo agride ou é estranho o exterior”. “A cultura é uma caixa de ferramentas para sabermos o sentido do mundo”, descreveu João Teixeira Lopes.
O Programa Sénior Ativo promovido pela câmara municipal e junta de freguesia tem levado idosos a vários espaços públicos da cidade. “O programa tem sido um êxito” em que “descobrimos pessoas que vivem cá e nunca tinham estado em vários locais”, deu a conhecer Jorge Sequeira sobre esta iniciativa que promove o contacto entre a cultura e os idosos.
Já o escritor Tiago Moita quis saber o que é S. João da Madeira pode fazer para ser um espaço cultural atrativo e combater a centralização da cultural em Lisboa e Porto.
A criação de uma “dinâmica cultural sustentável” numa cidade depende de duas dimensões: “não podemos viver de espetáculos chave na mão” e “não podemos fazer um somatório de eventos”, respondeu João Teixeira Lopes.
A conferência durante a interação entre o sociólogo e o público contou com a abordagem de outros temas sobre as cidades.

Padre Anselmo Borges é o próximo convidado

A primeira sessão do ciclo de conferências “Pensar o Futuro” com o tema “A Humanidade e os seus Refugiados” contou com a participação Teresa Tito de Morais, Presidente do Conselho Português para os Refugiados, e de Carlos Magno, ex-Presidente da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC).
O padre Anselmo Borges é o convidado da próxima conferência com o tema “A Humanidade e os seus Desafios Éticos” a 29 de setembro, pelas 17h00, nos Paços da Cultura. O ciclo “Pensar o Futuro” encerra com o médico e investigador Manuel Sobrinho Simões e com o tema “Haverá lugar para uma humanidade geneticamente modificada?” a 10 de novembro, pelas 17h00, nos Paços da Cultura.

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