Projeto está concluído, mas por questões de segurança nunca chegou a abrir

A proposta de remoção do espaço de jogo e recreio denominado frequentemente como “parque infantil”, “parque de recreio verde” e “parque sensorial” do Parque Urbano do Rio Ul vai ser apresentada e colocada à discussão pelo presidente Jorge Sequeira na próxima reunião de câmara, marcada para o dia 11 de setembro, apurou em primeira mão o labor.

O espaço de jogo e recreio foi criado pelo executivo anterior, liderado por Ricardo Figueiredo da coligação PSD/CDS, está concluído, mas nunca chegou a ser aberto ao público. “Quando tomámos posse o parque estava concluído, mas depois colocou-se a questão de classificação daquele equipamento”, explicou o presidente da câmara, Jorge Sequeira, que depois de consultar a lei concluiu que este espaço “enquadra-se na categoria de parque de recreio verde” e que para “abrir precisa de reunir requisitos de segurança que não constam no processo”.

A Câmara Municipal de S. João da Madeira decidiu não abrir o espaço até que fosse tratada a questão da classificação e da segurança. Entretanto, estabeleceu contactos com algumas entidades sobre o assunto que a levaram à empresa H. Menezes – Risk Vision de consultoria e formação, responsável pelo parecer sobre equipamentos para espaços de jogo e recreio do Parque Sensorial do Parque Urbano do Rio Ul, com base na análise prévia dos documentos técnicos deste projeto, numa reunião com responsáveis da câmara e representante da equipa de projeto e numa visita ao local.

A empresa detetou riscos nos equipamentos de estrutura de escalada, na rede triangular entre árvores, no escorrega e no baloiço e apresentou recomendações para cada um deles.

Neste momento, o Parque Sensorial do Rio Ul “não se encontra em conformidade com o regulamento dos espaços de jogo e recreio que inclui as normas europeias relevantes”, lê-se no texto do parecer da empresa H. Menezes.

A abertura deste espaço só será possível depois de realizadas as “alterações aos equipamentos e respetivas áreas de impacto de forma a tornar o nível de risco aceitável. Além disso, será necessário desenvolver e implementar um sistema de gestão de risco a fim de manter os níveis de riscos estabelecidos”, considerou a empresa.

As alterações aos equipamentos do Parque Sensorial do Rio Ul devem respeitar as alturas máximas de queda livre, as dimensões das áreas de impacto livre de obstáculos, os níveis adequados de amortecimento de impacto, em especial na estrutura de escalada, e as dimensões e características de elementos construtivos e redes de forma a reduzir o risco de aprisionamento de partes do corpo associados a uma queda, segundo o parecer da H. Menezes.

Os arquitetos responsáveis pelo Parque Sensorial do Rio Ul “acompanharam, analisaram e chegaram à conclusão de que a estrutura de escalada devia de ser retirada e de que os equipamentos restantes deviam de sofrer alterações” cujo valor poderá rondar “os milhares de euros”, adiantou o presidente da câmara, Jorge Sequeira, ao labor.

Atendendo aos riscos e às recomendações com um possível orçamento de “milhares de euros”, “acho que a remoção do parque é o melhor para o interesse público”, afirmou Jorge Sequeira.

A estrutura de escalada e a rede triangular entre árvores vão ser retiradas e as restantes estruturas de madeira deverão permanecer no mesmo local, revelou o presidente da câmara municipal sanjoanense.

 

Sidónio Pardal entende que é o “sentido paisagístico do parque que é posto em causa ferindo a autenticidade da obra”

A questão do Parque Sensorial contou com um outro parecer da autoria do arquiteto paisagista Sidónio Pardal que é o autor do Parque Urbano do Rio Ul.

“A conceção do Parque do Rio Ul não contempla, no seu programa, qualquer ´parque infantil´, por razões funcionais, mas também por motivos emocionais associados à apreensão da estética da paisagem. Num parque não há lugar para segregações sociais ou etárias, não se marcam espaços para crianças ou para idosos, nem vinculados a atividades específicas. O espaço do parque é arquitetado para se apresentar livre e aberto e oferece-se sem constrangimentos. O ´parque infantil´ é um espaço delimitado por uma cerca, assim o exige a lei, e em boa verdade dá-se uma espécie de aprovisionamento das crianças num contexto em que lhe queremos dar ampla liberdade”, lê-se no texto do parecer de Sidónio Pardal.

Este “parque infantil” está localizado “em frente à esplanada onde os pais ficariam a vigiar as crianças concentradas dentro do cercado, utilizando uma panóplia de instrumentos que teriam de ser certificados de acordo com as ´diretivas europeias´, o que não aconteceu. Mas, no âmbito do que me compete dizer, é o sentido paisagístico do parque que é posto em causa ferindo a autenticidade da obra”, aponta o arquiteto Sidónio Pardal.

O Parque Urbano do Rio Ul, “à data da realização da obra, por vicissitudes financeiras, não foi completado, faltam acabar troços de caminhos, a construção de uma ponte a jusante do açude com passadiço, a plantação de centenas de árvores e arbustos assim como o acabamento de estadia”, relembrou o autor deste espaço verde, deixando um desafio em formato de questão: “Por que não acabar o parque respeitando as ideias subjacentes ao seu projeto?”.

“Não conheço a proposta”

Acerca da proposta de remoção do espaço de jogo e recreio do Parque Urbano do Rio Ul, “tenho de estudar o assunto”, disse Paulo Cavaleiro, vereador da coligação PSD/CDS, quando contactado pelo labor.

“Não conheço a proposta e é a primeira vez que estou a ouvir falar do assunto” desta forma, isto é, sobre a sua remoção, uma vez que “a informação que tenho é de que o presidente da câmara estava a garantir as condições necessárias” para a abertura deste espaço verde, declarou Paulo Cavaleiro.

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