Após regresso das férias

 Nem todos os utentes foram de férias. Houve quem mesmo durante o mês de agosto tenha continuado a frequentar a CERCI de S. João da Madeira, Cooperativa para Educação e Reabilitação de Cidadãos com Incapacidades.

Tem sido assim nos últimos anos, com a instituição a assegurar “os serviços mínimos para apoiar famílias que não têm retaguarda”, conforme explicou ao labor a diretora técnica. Mas tanto os que se mantiveram na CERCI como os que passaram uns dias fora dali e agora voltaram à rotina assinalaram o regresso às atividades a 3 de setembro.

Nessa segunda-feira foi dia de, literalmente, “vestir a camisola”. Logo pela manhã, os cerca de 70 utentes, bem como os colaboradores, vestiram uma t-shirt colorida com a palavra “CERCI” formando uma “mancha de cor e vida”, como se pode ler na página do Facebook da cooperativa sanjoanense. Seguiram-se uma aula de dança, para libertar “todas as más energias”, e dois jogos, um dos quais à tarde.

A ideia foi, à semelhança de outras vezes, “recomeçar de forma lúdica, engraçada, com boa disposição”, porque “custa sempre recomeçar”, disse Dulce Santos, acrescentando que agora, depois destas boas-vindas, “vamos dar continuidade ao plano de atividades de 2018”. Atividades “socialmente úteis, ocupacionais, de Educação Física, natação”, todas elas “de acordo com as capacidades, aptidões e gostos de cada utente”, esclareceu a responsável diretiva, dando nota ainda dos dois cursos de formação profissional Operador/a de Fabrico de Calçado e Marroquinaria e seis do de Técnico/a Auxiliar de Hotelaria (ver caixa).

Dulce Santos falou também das atividades “transversais a todas as respostas sociais, ou seja, daquelas em que participam todos os utentes”. Por exemplo, no próximo dia 19 de setembro, vão celebrar a chegada do outono. No jardim da CERCI, “vamos fazer uma festa com as famílias, com comida típica e uma rusga para animar”, adiantou, dando a saber que, para além desta, também vão festejar o Dia das Bruxas, o Dia de S. Martinho, a Festa de Natal, etc..

CERCI “com lotação esgotada”

Presentemente são 67 os clientes – a mais nova com 12 anos de idade e a mais velha com 66 – distribuídos pelos Centros de Atividades Ocupacionais (CAO) I (20) e II (20), Formação Profissional (20) e Centro de Atividades de Tempos Livres [CATL (sete)]. São oriundos de S. João da Madeira, mas também dos concelhos vizinhos de Santa Maria da Feira, Ovar, Oliveira de Azeméis e Arouca. E, curiosamente, são mais mulheres do que homens.

Contas feitas, a CERCI “está com lotação esgotada”, não podendo, para já, “aceitar mais utentes” em qualquer uma das valências. Segundo Dulce Santos, são “muitas as famílias a baterem-nos à porta, que não têm onde deixar os seus familiares”, e às quais não podem acorrer, porque têm, “neste momento, todas as vagas preenchidas”.

Concretamente sobre o lar residencial, são nove os utentes que residem nos apartamentos, situados nas imediações da Praça de Barbezieux, cedidos pela câmara municipal. Mas o futuro passará mesmo pela construção de raiz de um lar no terreno das atuais instalações da CERCI, na Rua da Mourisca. “Ainda não desistimos dessa ideia”, ainda mais quando há “uma lista de espera não só de nossos utentes, mas também de pessoas fora da instituição”, afirmou, a propósito, a diretora técnica.

Entretanto, e enquanto esta aspiração não é uma realidade, “vamos dar continuidade ao trabalho que temos vindo a fazer”, estando cada vez mais na comunidade e com a comunidade”. “A inclusão está a acontecer”, garantiu ao semanário Dulce Santos.

Formandos terminamcurso e vão ter de ir embora

Oito formandos do curso profissional de Operador/a de Fabrico de Calçado e Marroquinaria e seis do de Técnico/a Auxiliar de Hotelaria vão chegar ao próximo dia 26 de outubro e vão ter de ir embora.

Segundo a coordenadora da Formação Profissional, a CERCI de S. João da Madeira não tem como lhes valer, porque, “em termos de integração no mercado de trabalho, as coisas não estão fáceis”. E porque “o POISE – Programa Operacional Inclusão Social e Emprego mostrou-se ser um quadro comunitário muito exigente em muitas situações que nos estão a obrigar a seguir legislação com efeitos retroativos, penalizando as instituições”, disse Sandra Oliveira, “apontando o dedo”, uma vez mais, ao “excesso de burocracia” e, por conseguinte, aos pagamentos em atraso.

Pior: “no ano passado, por esta altura, estávamos à espera de uma resposta. Já tínhamos formandos e tudo encaminhado. Neste momento, não sabemos de nada. A candidatura nem sequer abriu e nem sequer foi submetida. O atraso este ano é muito maior”, chamou a atenção, acrescentando que “outras instituições estão a viver a mesma situação”.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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