Histórias que ficam para a História

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Estêvão Reis

O Capitão e Engenheiro de Manutenção na Esquadra 504 da Força Aérea Portuguesa, tem 34 anos e é natural de S. João da Madeira.

A Esquadra 504 transporta Altas Individualidades da Nação, está presente em evacuações sanitárias e transporta órgãos. Basicamente, esta esquadra de voo pode ser destacada para uma missão em qualquer parte do mundo. A título de curiosidade, uma das suas missões foi o transporte do coração para o cantor Salvador Sobral.

Estêvão Reis completou o bacharelato em Tecnologias Militares Aeronáuticas na especialidade de Técnico de Manutenção de Material Aéreo (TMMA) pela Academia da Força Aérea (AFA) em 2009, a licenciatura em Engenharia Mecânica e o mestrado em Engenharia Mecânica no Ramo de Manutenção e Produção pelo Instituto Superior de Engenharia de Lisboa em 2010 e em 2015, respetivamente.

Quanto tempo passou em S. João da Madeira?

Vivi em S. João da Madeira até cerca dos três anos de idade. Por motivos profissionais os meus pais foram obrigados a mudar a sua residência para a Mealhada, local onde vivi até aos 22 anos. Durante a minha infância passava as minhas férias em casa dos meus avós.

Quando é que entrou para a Força Aérea Portuguesa?

Entrei para a Força Aérea em 19 de janeiro de 2004.

Qual o seu percurso até chegar a Capitão?

Ingressei na Força Aérea Portuguesa na categoria de Praças para o regime de contrato, na especialidade de Mecânico de Material Terrestre (MMT), especialidade essa que teve uma formação de nove meses e que foi realizada no Centro de Formação Militar e Técnico da Força Aérea. Após a conclusão do curso de MMT fui colocado no Comando Operacional da Força Aérea (COFA), agora designado de Comando Aéreo (CA). Volvidos dois anos tomei a decisão de ingressar no Quadro Permanente, concorrendo então para a AFA. Concluído o curso na AFA, ingressei na categoria de Oficiais na especialidade de TMMA com o posto de Aspirante a Oficial, tendo sido posteriormente colocado no Depósito Geral de Material da Força Aérea (DGMFA) a 5 de janeiro de 2010. Neste local desempenhei funções como CMDT da Esquadrilha de Inspeção e Conservação. Em fevereiro de 2013, fui colocado na Base Aérea nº 1, com o posto de Tenente, onde passei a desempenhar funções de CMDT da Esquadrilha de Material Aeronáutico. Em julho de 2014 fui colocado na Manutenção da Esquadra 101, manutenção esta responsável pelas aeronaves Épsilon TB-30, Chipmunk MK-20, Dornier DO-27 e ASK-21. Na manutenção em apreço fui chefe da Área de Inspeções e Reparações. Em fevereiro de 2016 fui destacado para Angola, Lobito, no âmbito da Cooperação Técnico Militar com Angola. Em Angola, agora no posto de Capitão, desempenhei inicialmente funções de Assessor de Gestão de Manutenção, para as frotas Cessna 172-R, Cessna 172-K e Allouette 3, na Escola Militar Aeronáutica da Força Aérea Nacional (EMAFAN). Nesta mesma escola também ministrei formação em disciplinas da área da manutenção aeronáutica. Em julho de 2016 fui convidado para lecionar na Academia da Força Aérea Nacional a cadeira de Física 1, cadeira esta que lecionei de agosto a dezembro de 2016. Durante o ano citado desenvolvi também dois programas curriculares, para dois ciclos de estudos. A saber: Pós-Graduação em Engenharia de Manutenção Aeronáutica; Mestrado em Engenharia de Manutenção Aeronáutica. Regressei a Portugal em fevereiro de 2017 e fui colocado na Base Aérea n.º 6, na Manutenção da Esquadra 504, responsável pela manutenção da aeronave Falcon 50, onde desempenho a função de Oficial de Manutenção (Engenheiro de Manutenção).

“Os “Linces”, como os navegadores nos descobrimentos, levam a paragens longínquas o nome de Portugal”

Qual a história desta esquadra de voo?

De modo diferente da generalidade das esquadras de voo da Força Aérea, a criação da Esquadra 504 surgiu com a necessidade de apoiar missões com um carácter de âmbito civil. Com a globalização, tornou-se necessário transportar, de forma digna e rápida, as mais Altas Individualidades da Nação, em representação do Estado português, para qualquer parte do mundo. Nesse sentido, em 1984 foram adquiridos três Falcon 20, comprados à empresa americana Federal Express, e a 12 de janeiro de 1985 foi criada a Esquadra 504 na Base Aérea N. º6, no Montijo. Por razões de ordem operacional, a esquadra foi colocada a partir de 1990 em destacamento permanente no Aeródromo de Trânsito N. º1, em Lisboa. Face aos requisitos de maior autonomia e alcance, em resposta aos destinos que começaram a ser solicitados, a Esquadra viu a sua frota reforçada por três aeronaves Falcon 50 entre 1989 e 1991. Ao longo da sua existência tem sido reconhecido aos “Linces”, de várias formas, o seu esforço, empenho e dedicação no cumprimento das missões. Em julho de 2000, a esquadra recebeu a Medalha de Ouro de Serviços Distintos das mãos do então ministro da Defesa. Tem alguns louvores, nomeadamente de antigos Presidentes da República, primeiros ministros e Chefes de Estado Maior da Força Aérea, bem como várias cartas de agradecimento, principalmente de hospitais, devido às várias evacuações sanitárias e transportes de órgãos efetuados.

Qual o significado do símbolo da vossa esquadra?

O símbolo tem a cabeça de um lince, símbolo da esquadra, uma representação do mapa mundial, representando o cenário de operação da esquadra, e o mote camoniano: “Entre Gente Remota Edificaram”, e o seu nome “Linces”.
O mote significa que os “Linces”, como os navegadores nos descobrimentos, levam a paragens longínquas o nome de Portugal.

Quantos militares integram esta esquadra de voo?

33 militares.

O Capitão foi escolhido ou escolheram-no a si?

Fui indigitado para Oficial de Manutenção.

“Esquadra 504 tem contribuído de uma forma cabal para que se salvem vidas”

Esta esquadra de voo começou por fazer o transporte de individualidades nacionais e estrangeiras. Continua a fazê-lo?

Continua a efetuar o transporte de altas individualidades.

Também está presente em evacuações sanitárias e no transporte de órgãos. A qualquer hora do dia pode ir para qualquer parte do mundo?

Face à nossa condição como militares, a qualquer hora do dia podemos ser despoletados para o cumprimento de uma missão.

Quantas missões realizaram em 2017 em Portugal e no estrangeiro?

Tivemos um total de 222 missões em 2017, das quais 177 nacionais e 45 no estrangeiro. Entre elas: 127 Transportes de Altas Individualidades (VIP); 49 Transportes de Órgãos e Evacuações Médicas (Airev); 25 Transportes de Tripulações (ALSO); e 21 Transportes de Material.

Esta esquadra de voo transportou o coração para o cantor Salvador Sobral

Quantas vidas salvaram?

A Esquadra 504 tem contribuído de uma forma cabal para que se salvem vidas, contudo, é difícil quantificar quantas foram salvas, esses dados apenas são fornecidos pelos hospitais. Apenas temos os dados das evacuações e transporte de órgãos efetuados. No que concerne a 2017 os dados encontram-se supracitados.

Qual a missão que mais marcou o capitão?

A minha missão na presente esquadra não contempla o voo, contempla a responsabilidade no aprontamento de aeronaves. Contudo, quando existem evacuações médicas e transporte de órgãos existem algumas que marcam, entre elas: o transporte de recém-nascidos; e o transporte de órgãos, destaque-se o coração para o cantor Salvador Sobral.

“A missão atribuída a esta esquadra é muito onerosa, mas muito gratificante”

Qual a sensação de salvar vidas de forma “anónima”?

A missão atribuída a esta esquadra é muito onerosa, mas muito gratificante. Nada me orgulha mais do que ver um Falcon descolar para salvar uma vida.

O capitão costuma vir a S. João da Madeira?

Na atualidade, apenas vou a S. João muito pontualmente para visitar familiares.

Algum dia pensou em voltar de vez para a sua terra natal?

Foi algo sobre o qual nunca me debrucei. Neste momento como trabalho em Lisboa e resido na mesma área não equaciono retirar a minha família desta zona.

Frota da Esquadra 504

A Frota da ESQ 504 é composta por três aeronaves Falcon 50

Falcon 50: 22.198 horas de voo

Número de missões desde 2004 até então:

1729 VIP

440 Airev

154 Also

490 Outras

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