Plataforma “MEGA” complicada?

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A ideia até é “boa” só que devia começar com mais tempo e com formação dos intervenientes, apontam os livreiros sanjoanenses

A plataforma “MEGA – Manuais Escolares Gratuitos” está acessível, desde o dia 1 de agosto, a todas as famílias, escolas e livrarias de todo o país para adquirirem os livros cedidos gratuitamente pelo Ministério da Educação.

A medida entrou em vigor neste ano letivo 2018/2019 e abrange cerca de 500 mil alunos, do 1.º ao 6.º ano de escolaridade, que frequentam as escolas públicas, segundo o site do Governo.

A utilização da plataforma “MEGA” é “simples e intuitiva” e é gerida de “forma robusta e segura” todos os pedidos efetuados através do “sistema de vouchers”, lê-se no site do Governo, passando a explicar todo o processo desde o registo até à aquisição do voucher.

Se o encarregado de educação continuar com dúvidas ou dificuldades no acesso à plataforma deve dirigir-se às escolas que “prestam todo o apoio necessário aos encarregados de educação”, informa o Governo.

De acordo com o site do Governo, decorreram reuniões com o objetivo de explicar como funciona a plataforma “MEGA” em várias cidades do país durante o mês de julho.

O roteiro dessas reuniões não terá passado pela cidade sanjoanense e uma das queixas das livrarias com quem estivemos à conversa está relacionada precisamente com o uso da plataforma.

“O problema é que criaram uma plataforma em que as livrarias nem uma formação tiveram. Só recebemos um email com indicações”, disse Glória Rosa, proprietária da livraria Lusíada, ao labor.

O sistema de funcionamento dos “vouchers” é uma outra história. Os encarregados de educação têm de pedir o voucher na plataforma “MEGA” e depois podem encomendar os livros em qualquer papelaria aderente. Até aí tudo bem. Por sua vez, a papelaria encomenda os livros, paga o valor da encomenda do seu próprio bolso e só quando fechar a faturação é que poderá entregar as faturas respetivas a cada agrupamento de escolas que será encarregue de reembolsar as livrarias depois de receber o dinheiro por parte do Ministério da Educação.

“Se o Estado tem a intenção de pagar os livros acho que a melhor maneira era pagar aos encarregados de educação. Eles encomendavam os livros, pagavam, apresentavam o comprovativo no agrupamento de escolas e depois o Estado transferia o dinheiro. No caso dos encarregados de educação com dificuldades financeiras, a escola passava um comprovativo do mesmo, nós pagávamos e depois reembolsavam-nos”, sugeriu Glória Rosa, depois de considerar este sistema “complicado” para todos os intervenientes.

Este novo sistema “pode ser que funcione, mas não está a ser muito fácil”, afirmou Manuela Santos Leite, proprietária da livraria Santo António, ao nosso jornal.

“A ideia do Estado é boa só que a começar com tempo. A plataforma está disponível desde o dia 1 de agosto, mas devia de estar desde o início do ano”, considerou Conceição Pinho, proprietária da livraria Sãozita, ao labor.

A plataforma “MEGA” “chegou a um ponto em que foi abaixo e as escolas é que tiveram de emitir os vouchers”, contou Conceição Pinho.

Após ler as condições e de se inscrever na plataforma, “nunca pensei que fosse o que está a ser”, revelou a proprietária da livraria Sãozita.

“O que nos faz superar isto tudo é a simpatia e a compreensão do cliente”

Um outro problema que está a marcar o início do ano letivo 2018/2019 está no prazo de entrega de encomendas de livros por parte da Porto Editora. A livraria Lusíada tinha encomendado 89 livros no dia 10 de setembro, 79 no dia 11 de setembro e 38 no dia 13 de setembro à Porto Editora e recebeu as duas primeiras encomendas no dia 18 de setembro. “Eles acham que entrega em quatro dias é normal, mas nunca aconteceu a Porto Editora demorar uma semana a entregar uma encomenda”, reagiu Glória Rosa sobre o atraso destas encomendas quando conversamos com ela a 17 de setembro, esclarecendo que “o único problema está a ser com a Porto Editora”. “Todos os anos nos falham livros e é natural. O que não é normal é uma editora estar uma semana para entregar uma caixa de livros”, reforçou a livreira ao labor.

Além do atraso na entrega dos livros, Glória Rosa mencionou os enganos na lista de livros enviada por dois agrupamentos de escolas, em junho, em que um livro era diferente do que constava no voucher.

Enquanto conversávamos com Glória Rosa pelo menos três encarregados de educação passaram pela sua loja para saber se já tinham chegado os manuais escolares, desde o 1.º ao 6.º ano, para os seus filhos. Acerca deste que considera ser um atraso anormal de entrega de manuais por parte da Porto Editora, “há clientes muito compreensivos, mas há outros que é lógico que ficam tristes porque confiam em nós. O que nos faz superar isto tudo é a simpatia e a compreensão do cliente”, assumiu a livreira ao labor.

A Porto Editora foi questionada sobre o prazo que demora a entregar uma encomenda, a razão do atraso de manuais escolares que está a ser sentida um pouco por todo o país, a sua opinião sobre o sistema de vouchers, o prazo que demora a entregar as encomendas feitas nas lojas Bertrand e na plataforma online Wook e se tem sentido dificuldades em entregar os manuais às duas entidades anteriormente mencionadas que integram o Grupo Porto Editora. Após a Porto Editora ter dito que não seria possível esclarecer as questões telefonicamente, enviamos um email com as mesmas, ao qual não tivemos resposta até ao fecho da edição.

Já as livrarias Santo António e Sãozita confirmam a existência de encomendas que estão por chegar, mas consideram estar dentro dos prazos ditos normais.

“Plataforma dizia que depois de fechar a faturação o reembolso é garantido até 60 dias”

“A nossa casa está mais ou menos. Os vouchers é que estão a chegar tarde, não sei porquê, e a gente não faz milagres. Não tenho tido assim grandes atrasos e grandes problemas nas entregas”, declarou Manuela Santos Leite.

Já Conceição Pinho considerou que “o verdadeiro caos” está no facto de existirem anos de escolaridade com “vários livros diferentes”. “O que acho que está mal em S. João da Madeira é os agrupamentos não se unirem e terem os livros todos iguais em todos os anos”, explicou a proprietária da livraria Sãozita ao labor.

Quanto ao estado da entrega das encomendas, “não tenho razões de queixas”, assumiu Conceição Pinho.

O reembolso é uma questão que preocupa todas as livrarias com quem estivemos à conversa.

Uma vez que este é “o primeiro ano em que estamos a fornecer ao Estado”, “vamos ver” como corre em termos de reembolso, reagiu Manuela Santos Leite ao labor.

“A escola tem de libertar o compromisso de dizer que está tudo para poder faturar tudo, mandar a faturação e depois do agrupamento receber do ministério é que recebo”, enquadrou Conceição Leite, relembrando que “a plataforma dizia que depois de fechar a faturação o reembolso é garantido até 60 dias”.

 

 

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