Com a aproximação de mais um ato eleitoral, agendado para 29 de outubro, a Associação Estamos Juntos (AEJ) parece viver novamente tempos conturbados. No passado dia 3 de outubro foram vários os pais de atletas do clube, em particular da secção de natação, que, acompanhados de uma advogada, marcaram presença na sede da AEJ para efetuarem a inscrição como associados, solicitação que acabaram por ver recusada sem que tenha sido apresentada qualquer explicação ou justificação. Face à intransigência, Alexandra Nicolau, a advogada que representa os pais neste processo, acabou por solicitar a presença da PSP. “São pais que já colaboram com a associação e que se querem inscrever como sócios. Como não estavam a aceitar viemos cá para entregar as fichas de admissão e efetuar o respetivo pagamento. Confrotámos a rececionista com a situação que, após telefonar ao presidente do clube, informou-nos que não poderia aceitar”, explica, Alexandra Nicolau, que garante não compreender a recusa já que garante que “todos cumprem com as condições para serem associados”. “São pessoas que já estão envolvidas na vida da associação. São eles que fazem o transporte dos filhos para as provas”, sublinha a advogada, que viu a funcionária abandonar as instalações, acabando por solicitar a presença da PSP na sede da AEJ.

Toda esta situação parece não se limitar à inscrição de novos associados. Segundo Joaquim Fial, alguns sócios que pretendem regularizar as quotas também estão a ser impedidos de o fazer. “Já por duas vezes vi essa possibilidade ser barrada, sem que me fosse dado qualquer motivo para o fazer, o que originou a uma participação no Livro de Reclamações. Tal como eu, outros pais tentaram e também não o conseguiram fazer”, revela Joaquim Fial, garantindo que a situação “já se verifica há várias semanas”. “A data da minha primeira participação no Livro de Reclamações é de 14 de setembro e até hoje não houve qualquer desenvolvimento ou justificação”, esclarece.

Sílvio Bulhosa, que até há pouco tempo também exercia funções como diretor da secção de natação, garante que o impedimento para a inscrição de novos associados “já se verifica há três semanas” e que se trata de uma situação para boicotar uma lista concorrente à direção do clube. “Todos os pais, e não só, podem inscrever-se como sócios, mas este ano não estão a permitir isso porque sabem que haverá mais uma lista”, refere, sublinhando que o impedimento tem sido aplicado “essencialmente aos pais ligados à secção de natação bem como ao campo de férias”. “Querem, simplesmente, acabar com a natação”, garante Sílvio Bulhosa, que lamenta o silêncio da câmara municipal de S. João da Madeira perante a situação. “Está a deixar cerca de 30 atletas ao abandono. Na pior das hipóteses teremos de ir para Oliveira de Azeméis, uma vez que a autarquia já se mostrou recetiva a isso”, garante o ex-diretor, que critica também o afastamento do treinador de natação Joel Coelho. “Já pedimos duas audiências ao presidente da câmara municipal para interceder nesta situação uma vez que a AEJ recebe uma verba da autarquia resultante dos contratos programa de Desenvolvimento Desportivo. A única coisa que exigimos é que deixem inscrever novos sócios e a regularização de antigos”, sublinha Sílvio Bulhosa.

Ricardo Costa, presidente da Associação Estamos Juntos, admite que, de facto, o clube não está a permitir a inscrição de novos associados, no entanto, garante não ter conhecimento no que diz respeito ao impedimento da regularização de quotas em atraso. “Estamos num período eleitoral, com eleições agendadas para daqui a menos de um mês. Por esse facto, com base na ideia de que o ato eleitoral não deve ser participado por pessoas que nada têm a ver com o clube, há um mês resolvemos adotar a suspensão da entrada de novos sócios. Pretendemos que as eleições decorram com normalidade e que ninguém manipule o ato eleitoral com sócios contratados apenas para o momento eleitoral. Não podemos pactuar com isso.”, explica o dirigente, realçando que após as eleições o clube passará a aceitar novas inscrições.

Descrevendo toda esta situação como “lamentável”, Ricardo Costa assegura não ter conhecimento da existência de uma advogada que represente os pais. “Nunca nos chegou qualquer pedido de reunião ou de negociação de qualquer advogada em nome dos pais”, sublinha. Afirmação que Alexandra Nicolau assegura não corresponder à verdade. “O presidente da AEJ, desde aproximadamente o mês de agosto do corrente ano, e de forma a evitar alguns assuntos que não pretende ver tratados ou solucionados, escuda-se num advogado e na própria secretária da associação”, explica a advogada dos pais, que recorda o passado dia 3 de outubro. “Foi solicitada a presença do presidente da AEJ quando umas dezenas de familiares e amigos dos atletas se deslocaram à sede para se fazerem associados da AEJ e perante uma ordem direta via telefone à secretária, para não aceitar as fichas de admissão dos novos associados, foi solicitada a sua presença para prestar os devidos esclarecimentos perante admirável ordem, na qual respondeu que não viria falar com ninguém. Nunca fomos informados do nome do advogado que representa o presidente, e quando questionada sobre o nome do mesmo, para se chegar à fala com ele, a secretária responde que desconhece”, conta Alexandra Nicolau.

Já no que diz respeito à saída de Joel Coelho, Ricardo Costa assegura que o técnico não foi demitido. “O próprio autodemitiu-se das funções de forma unilateral por não querer participar da adoção de boas práticas administrativas que a direção do clube decidiu implementar em 2018”, explica o dirigente, que relativamente a Sílvio Bulhosa garante que o afastamento enquanto seccionista de natação foi tomado “a partir do momento em que demonstrou completa falta de sintonia com a direção do clube”.

Joel Coelho lamenta a situação que o clube está a viver, em particular a secção de natação, e critica as tomadas de decisão da direção. “Está há três mandatos consecutivos à frente da AEJ e agora lembrou-se de mudar as regras a meio do jogo”, atira o treinador. Mudanças que, segundo Sílvio Bulhosa, estão relacionadas com o vencimento do técnico e a emissão de recibos verdes.

Rui Guerra, um dos fundadores da Associação Estamos Juntos, tem vivido esta situação com alguma “tristeza”. Admitindo que os estatutos da AEJ são omissos no que diz respeito à data limite para a inscrição de novos sócios quando se aproxima um ato eleitoral, Rui Guerra assegura, no entanto, que essa é uma decisão que tem de ser tomada pela Assembleia Geral e não pela direção. “Há uns anos atrás foi eleito da maneira que foi e depois fez uma guerra com os sócios fundadores durante anos. Dividiu a secção de ténis, com a que tinha mais valias a ir para Oliveira de Azeméis, um ano ou dois depois dividiu a natação, que, entretanto, se reestruturou. Passado um ano está novamente com um processo de cisão com o que sobrou da natação. Parece-me que há intenção do atual presidente em acabar com o clube”, frisou o fundador que considera que desde que Ricardo Costa chegou à AEJ “o clube está mais fraco, tem menos atletas, menos sócios e secções e com estas cada vez mais divididas”.

Apesar de contactada, até ao fecho da edição não foi possível obter qualquer reação por parte da Câmara Municipal.

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