“É a única instituição artística no país que trabalha simultaneamente com arte contemporânea e arte bruta, o que faz deste lugar um lugar de cruzamentos e de quebra de fronteiras”, destacou a diretora Andreia Magalhães ao labor

“Uma missão é trabalhar a comunicação”, disse em entrevista, em maio do ano passado, ao labor. Como tem vindo a ser trabalhada a comunicação desde então?

O plano de comunicação em marcha desde 2017 tem como base a conceção e criação de uma identidade visual que não pode ser dissociada da programação e identidade global do projeto. Nos primeiros tempos em que assumi funções de direção artística, acordei com o executivo municipal anterior a necessidade que o Núcleo de Arte tinha de criar uma identidade visual e de definir um programa artístico que reclame a sua própria autonomia e que participeativamente para a qualidade e pluralidade das exposições e projetos que se fazem no país. Orientações que têm o apoio do atual executivo. Este plano está agora a concretizar-se: objetivamente em relação à comunicação está a ser desenvolvida a identidade visual por um atelier de design e muito brevemente será apresentada publicamente. Neste âmbito está a ser realizada a reformulação do nome, a aplicação da identidade visual nos vários suportes que utilizamos, destacando no âmbito deste projeto a criação de um site. Para além da definição de uma identidade, imagem e website que são o trabalho de fundo, trabalhamos, internamente, uma série de suportes que nos ajudam a divulgar a programação e atividades paralelas. Iniciámos um plano de distribuição nacional de postais das exposições e desdobráveis das atividades educativas; um outro para as redes sociais que privilegia a criação de conteúdos. Paralelamente, iniciámos projetos que são desenvolvidos no exterior do Núcleo de Arte como o “Obras para a Cidade”, onde obras da Coleção Norlinda e José Lima são integradas em locais públicos que nos ajudam a aproximar das pessoas da cidade e a dar a conhecer o projeto. Por fim, de salientar que 2018 foi um ano em que a programação do Núcleo de Arte deu um grande salto qualitativo e quantitativo no que diz respeito à atenção e cobertura da imprensa nacional e internacional.

Outra missão seria “trabalhar mais proximamente com as escolas”. Têm conseguido?

A implementação de um projeto educativo foi desde o início uma preocupação central e parte essencial da identidade global deste projeto. Em 2017 foram traçadas algumas metas. Podemos dizer que 2018 foi um ano de ensaio e de criação de uma equipa sintonizada e participante com o projeto em curso. A partir desta formação, estamos a criar um programa educativo que não é apenas dirigido às escolas, alarga-se ao público geral e irá ter no futuro o trabalho de desenvolvimento de públicos, sendo boa parte orientada para projetos “artístico-sociais”. Mas sendo as escolas um eixo do nosso projeto podemos salientar algumas das aproximações, algumas tornadas já cúmplices, do que foi feito neste último ano.

Iniciámos um projeto piloto de trabalho anual com a escola de ensino básico e jardim infantil do Carquejido em que durante seis meses foi criado um projeto de que fez parte o trabalho direto com todos os professores e que envolveu todos os alunos. Neste âmbito foram desenvolvidas ações artísticas (visuais e performativas), sessões com professores e estudantes na escola, uma formação para professores e duas visitas às exposições por cada grupo.

Reunimos com os agrupamentos escolares da cidade no sentido de fazer uma apresentação e de conversar para saber como poderemos estabelecer ligações mais próximas com as escolas.

Vamos até ao final deste ano estender o programa “Obras para a Cidade” às escolas, sendo naturalmente a instalação das obras nas escolas integrada num projeto educativo mais alargado de que fazem parte outras ações nas escolas e no Núcleo de Arte.

Em 2018 iniciámos um programa educativo quadrimestral, onde estão disponíveis informações sobre as atividades do programa educativo disponíveis mediante marcação. Este programa é enviado para uma alargada rede de escolas do distrito de Aveiro e da Área Metropolitana do Porto.

Quais as ofertas do Centro de Arte?

O Centro de Arte teve, no último ano, nas oficinas, nos cursos livres anuais e na Escola de Verão 71 participantes.

Este ano a oferta aumentou sendo de destacar a criação de um curso artístico multidisciplinar (têxtil, cerâmica, vídeo, banda desenhada, etc.) para um público mais jovem, dos oito aos 12 anos. A novidade leva por vezes algum tempo a ser incorporada, mas esta, tal como outras propostas que estamos a desenvolver para o Centro de Arte, faz parte de um plano de atualização necessário, e de como foi referido, há um ano, a articulação entre Centro e Núcleo de Arte é crucial, sobretudo porque partilham a mesma direção artística e ambos têm recursos humanos limitados.

A receita do Centro de Arte, apenas resultante das propinas dos alunos, cobre uma parte do orçamento, mas não é suposto que o ensino, sobretudo o artístico livre, num país como o nosso, seja fonte lucrativa. Trata-se de um investimento social e educativo, mas que, como referi, está a ser repensado de forma a desenvolver projetos com maior abrangência.

Qual o balanço de um ano e meio à frente da direção do Núcleo e do Centro de Arte?

O balanço de um ano e meio será sempre uma reflexão com pouca matéria até porque uma boa parte deste período, quase todo o ano de 2017, foi dedicada a concretizar um programa que estava em curso, a conhecer a instituição, a equipa e a rede de colaboradores, as coleções e colecionadores; o contexto, o funcionamento e a articulação com a câmara municipal. 2017 foi um ano de aprendizagem, de familiarização, tal como de reflexão, sobre o projeto e das orientações futuras. O Núcleo de Arte tem recursos raros e uma identidade distintiva que é necessário afirmar e desenvolver.  Aimportância e a dimensão das duas coleções que albergam, tal como o espaço e a equipa, são absolutamente singulares, e é a única instituição artística no país que trabalha simultaneamente com arte contemporânea e arte bruta (o que é raro também fora de Portugal), o que faz deste lugar um lugar de cruzamentos e de quebra de fronteiras. Como tal, o programa em que me empenhei deve estar à altura da ambição, escala e importância deste projeto que define e faz o seu próprio caminho e que não deriva ou é satélite de outros projetos e agendas. Este é um plano exigente para a instituição, a equipa e a cidade. Finalmente dizer que ainda que exista um longo caminho pela frente, 2018 mostra-nos que, neste curto espaço de tempo, temos evidentes sinais de amadurecimento: um claro desenvolvimento de públicos, um programa de exposições relevante nacional e internacionalmente, sendo um projeto que caminha para ser uma instituição de importância e relevância fundamental no país.

O Núcleo e o Centro de Arte vão passar a ter um único nome?

O Centro de Arte e Núcleo de Arte não vão ter um único nome porque são instituições com tutelas e modelos de organização distintos, mas estão cada vez mais articuladas e são cada vez mais complementares. É o exemplo das Escolas de Verão, Oficinas de Férias Escolares e projetos de parceria na produção de exposições, como aconteceu no caso de “Apichatpong Weerasethakul: A Serenidade da Loucura”.

 

Núcleo convida professores para apresentação do programa educativo

O programa educativo do Núcleo de Arte vai ser apresentado no dia 29 de outubro, pelas 18h00, nas suas instalações sitas na Oliva Creative Factory.

“Todos os professores estão convidados para uma visita especial que estamos a organizar de apresentação do programa educativo”, aproveitou para anunciar Andreia Magalhães, diretora do espaço cultural, durante a conversa com o labor.

 

Visitas de grupos escolares ao Núcleo

Em 2017

45 grupos:

24 grupos de S. João da Madeira

21 grupos de fora do concelho, nomeadamente Porto, Aveiro, Viana do Castelo, Braga, Guimarães, Coimbra, Gafanha da Nazaré, Águeda, Peso da Régua

Em 2018

111 grupos:

92 grupos de S. João da Madeira

19 grupos de fora do concelho, nomeadamente Porto, Aveiro, Viana do Castelo, Braga,

Guimarães, Coimbra, Gafanha da Nazaré, Águeda, Peso da Régua

 

Núcleo de Arte

15 exposições patentes e 6 catálogos editados desde 2013 até então

Visitantes:

2.724 em 2013

4.882 em 2014

3.205 em 2015

3.735 em 2016

4.743 em 2017

4.882 até 30 de setembro de 2018

24.171 desde 2013 até setembro de 2018

 

 

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