Projecto para a Praça Luís Ribeiro

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Não nasci em S. João da Madeira, mas resido há quase cinquenta anos nesta terra, aqui leccionei cerca de quarenta, e aqui nasceram os meus filhos. Isto apenas para legitimar a minha opinião sobre o assunto.

Congratulo-me com o facto de finalmente se vislumbrar uma solução para esta Praça, há muito adiada e que tem sido assunto de muitas críticas. Tive o cuidado de analisar o projecto porque não gosto de me pronunciar sobre o que não conheço.

Pelo que me foi dado observar, agrada-me na sua generalidade. A grande qualidade que esta Praça tem é a sua amplidão. Parece que o projecto a respeita, na medida em que não ocupa o seu centro. Os repuxos de água, luminosos à noite, embelezam o meio e podem ser anulados sempre que haja necessidade de usar o centro para qualquer evento cultural ou social que ali atraia um grande número de pessoas. Retirar o mais possível o trânsito do local parece-me também sensato para a mobilidade e segurança dos peões. Considerar o trânsito uma possível atracção de compradores não será, a meu ver, a forma mais correcta ou positiva de fomentar o comércio na zona. Compreendo a preocupação legítima dos comerciantes, mas creio que o chamamento de pessoas ao centro terá de ser conseguido com outras estratégias. Poderia ser feito, por exemplo, com a criação de esplanadas uniformizadas e cobertas, em madeira nobre, com aquecedores no Inverno e refrigeradores no Verão. Não precisamos de ir muito longe para encontrar praças lindíssimas, basta ir à vizinha Espanha, mesmo à Galiza aqui tão perto, para ver essas praças “maiores” ou menores, que pouco mais têm que essas esplanadas, decoradas com flores e iluminadas por candeeiros de bom gosto. Julgo ainda que não deve ser a custo de muito dinheiro.

É óbvio que o grande estorvo da Praça é o edifício do Parque América. Só a implosão resolveria de vez o problema, mas todos sabemos o que implica. Arranjem-lhe uma operação de cosmética, uma pintura ou iluminação que o disfarce. Mas isso é outro assunto.

Para terminar, entendo também que o comércio da zona devia tornar-se mais atractivo para quem compra. Há já muito boas lojas, casas de chá e cafés de rua, em S. João da Madeira, que são um bom exemplo. Uma boa gelataria poderia talvez dar uma ajuda, chamando ali mais gente. Aqui fica a sugestão.

Para concluir, é do conhecimento de todos que muitos milhões já se gastaram com aquela Praça para nada. Melhor fora para nada, porque assim tudo seria mais fácil, a começar do zero. O problema são os erros irreparáveis. Que se faça o melhor, o mais rápido possível e com o menor custo, é o meu desejo, pelo respeito que todos nós, os contribuintes, merecemos.

Eva Cruz

 

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