Nanni Pinto escreve livro onde “cabem todas as mães”

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“Mãemequer, jardim de perfumes” é apresentado amanhã na Biblioteca Municipal Dr. Renato Araújo

Nanni Pinto está de regresso a S. João da Madeira (SJM), terra que a viu nascer há 51 anos, para apresentar o seu mais recente livro. “Mãemequer, jardim de perfumes”, editado pela Editorial Novembro, é dado a conhecer aos sanjoanenses (e não só) já esta sexta-feira, pelas 21h30, na Biblioteca Municipal (BM) Dr. Renato Araújo.

Com este seu novo trabalho bibliográfico, a escritora quer transmitir “uma mensagem de afetos e valores”. E “no interior” desta mensagem – conforme esclareceu ao labor – está “a importância duma boa estrutura familiar e uma escola feliz, tornando a criança num ser capaz de se adaptar e seguir por si com confiança, acreditando nela própria. Quando uma mãe tem um filho, mesmo quando não sabe demostrar afetos, é impossível não sentir Amor. Hoje que sou mãe, sei como é subtil a ligação entre amar e educar”.

“A mensagem são pensamentos que acontecem quando penso nas mães e educadores e quando me torno mãe. É um excerto de 17 anos de mãe! Mãe-dar, mãe-ficar, mãe-tudo, mãe-nada, mãe-silêncio, mãe-hoje, mãe-presente”, completou.

Homenagem à mãe e a três professoras

Com “Mãemequer, jardim de perfumes”, Nanni Pinto quis homenagear a sua mãe e as suas primeiras duas professoras, “que também foram mães, professoras-mães extraordinárias: as professoras Maria Amélia e Carolina”. Além disso, a obra é também “uma homenagem à professora Laura que foi a professora primária do meu filho”.

“Mas só consigo fazer esta homenagem de verdade, quando me lembro de todas as mães. Conheço mães maravilhosas. Dentro da serenidade do livro, também fui lembrando mães cheias de sofrimento”, partilhou com o nosso jornal.

A “mãemequer”, mencionada no título do livro, remete, em primeiro lugar, para a própria Nanni Pinto e a sua mãe. No livro, “quis deixar escrito o amor infindável que sinto pela minha mãe”, contudo, também “cabem todas as mães nele. É o universo das mães, dos professores e dos cuidadores”.

Quanto ao “jardim de perfumes”, “é um jardim diversificado em formas e cores. Tem afetos, tem valores. É o jardim onde cresço e onde aprendi a ser quem sou. Este jardim é a primeira Escola: os primeiros passos na proteção da família e os primeiros passos na descoberta da escola”, explicou ao labor.

Sessão de amanhã será “um momento maternal entre filhas e mães”

O lançamento de “Mãemequer, jardim de perfumes” aconteceu na Casa do Professor em Braga a 27 de abril deste ano. E logo no dia seguinte “fui até Santiago de Compostela a pé, com a minha primeira melhor amiga [desde os três anos de idade], a Lena Guedes”, contou ao nosso jornal, acrescentando que “durante o caminho senti como se o livro da ‘mãemequer’ continuasse”.

“Na verdade, ele não tem fim. Mãe é infinita e assume todas as formas. Os malmequeres, ou melhor, as mãemequeres estavam por todo o lado!”, reforçou a ideia.

Entretanto, no mês passado, a convite do Instituto Confúcio da Universidade do Minho, a autora apresentou-o na Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva, novamente em Braga, e agora vai fazê-lo em SJM, na sequência de um convite feito pela BM e pela câmara.

Não é a primeira vez que Nanni Pinto vem à sua terra natal “na pele” de escritora. Já em 2014 “apresentei ‘Os pássaros também se sentam’, que é um livro que fala duma amizade entre um pequeno monge e um pássaro, anunciando alguns conceitos budistas” e “em março de 2016 voltei, na ocasião da segunda edição do livro”.

Relativamente à sessão de amanhã, acredita que vai “ser um momento de intensa emoção”, “um momento maternal entre filhas e mães”. “Filhas que hoje também são mães e outras que, embora não o sejam, conhecem bem o sentido de sê-lo. Uma partilha de estórias e surpresa!”, reforçou a ideia.

A apresentação de “Mãemequer, jardim de perfumes” em SJM vai ser enriquecida com um momento musical protagonizado por Beatriz Mogas. Esta aluna de guitarra clássica do Conservatório de Música Calouste Gulbenkian de Braga vai tocar “Canino de Las Tropas”, peça de Carlos Moscardini.

“Diário dum palhaço ou A dicotomia do Ser” é o livro que se segue

Depois de “Mãemequer, jardim de perfumes”, Nanni Pinto conta lançar em maio do próximo ano “Diário dum palhaço ou A dicotomia do Ser”. É um livro que está escrito em forma de diário e em que há um narrador que acompanha o desenrolar dos apontamentos.

Carlito é o personagem deste “diário”, no qual, através dum diálogo interno cheio de interrogações, revela o encantamento da vida, se alternando com a desilusão de viver, e fala duma crise existencial.

Mas os projetos não se quedam por aqui. Questionada sobre a exposição de escultura que já tinha em mente fazer da última vez que falou com o labor em julho passado, a também escultora e arquiteta adiantou que está “ainda em construção”. “Tenho vindo a prepará-la entre muitos acontecimentos. E também como preciso de espaço para desenvolver a ideia, tudo vai acontecendo lentamente, mas parte está pronta”, referiu.

Nanni Pinto nasceu a 24 de março de 1967 em S. João da Madeira e reside atualmente em Braga. Mas antes, entre 1992 e 1996, ainda viveu no Brasil, Índia e Macau.

É licenciada em Arquitetura (1995) pela FAUP – Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto e em Medicina Tradicional Chinesa [2004 (Acupunctura Massagem Terapêutica Tuina pela Escuela Latinoamericana de Medicina Chinesa, Santiago do Chile)]. Tem duas pós-graduações pela Universidade de Guangzhou (Cantão), República da China, e é treinadora pela Federação Portuguesa de Artes Marciais Chinesas de Tai Chi e Chi Kung Terapêutico.

Desde 2003 que exerce MTC e acupunctura e desde 1998 que ensina Tai Chi e Chi Kung a um grupo de alunos, incluindo alunos da Cerci de Guimarães e de S. João da Ponte.

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