Os desportos de combate têm vindo a crescer entre o público feminino e hoje são cada vez mais as mulheres que praticam, com regularidade, modalidades que até há poucos anos eram quase exclusivas para homens. Quer seja para treinar resistência, melhorar a agilidade ou tonificar o corpo, são muitas as vantagens associadas a este tipo de atividade. Bruna Almeida, de 21 anos, iniciou-se neste tipo de modalidade há cerca de dois anos na escola Leão Vermelho, de Escariz, uma freguesia do concelho de Arouca. Durante muito tempo a jovem sanjoanense dedicou-se ao voleibol, mas uma lesão afastou-a da prática desportiva até 2017, altura em que a paixão pelo desporto a fez regressar, mas agora no Kempo, uma das muitas vertentes de artes marciais, e por influência do namorado. “Disse-lhe que queria ir para um ginásio, mas ele, que treina aqui (Leão Vermelho), sempre quis que experimentasse este desporto e foi o que fiz, sem qualquer compromisso”, recorda Bruna Almeida, que confessa que gostou da experiência inicial e que, por isso, decidiu continuar. O primeiro passo estava dado, mas foi o “empurrão final” do namorado que acabaria por garantir a continuidade da atleta nesta modalidade. “Foi-me oferecendo algum material, como luvas e caneleiras, e aos poucos o gosto foi crescendo”, refere a jovem, que não vê grande diferença entre homens e mulheres nos desportos de combate e destaca o companheirismo entre todos. “Somos todos colegas e eles até puxam muito por nós”, conta a jovem, que admite que essa diferença até contribuiu para a sua evolução. “Quando comecei eram só rapazes pelo que tive que acompanhar o ritmo deles, obrigando-me a crescer mais depressa”, assegura, garantindo, no entanto, que “nada se consegue sem esforço e dedicação”. “Temos de manter o foco todos os dias”, frisa Bruna Almeida.

“Há dois anos nunca me imaginava a fazer competição”

Daí à competição foi um salto. Mas não era esse o objetivo da jovem, que admite que a intenção passava “apenas por treinar, relaxar e espairecer”, mas com o decorrer do tempo “as coisas começaram a ficar mais sérias”. “Nunca pensei ter o jeito que tenho”, sublinha a atleta, que em dezembro marcava presença na sua segunda prova e conquistava o primeiro lugar em Rumble Kempo no Open de Artes Marciais e Desportos de Combate, realizado em Rio Tinto. “Há dois anos nunca me imaginava a fazer competição, mas a verdade é que o meu desenvolvimento e os resultados têm sido bons”, admite a jovem, atribuindo grande parte do seu crescimento competitivo ao treinador Rui Aguiar e aos próprios colegas de equipa. “É claro que eu tenho de querer, mas cabe-lhe (treinador) saber se estou preparada ou não e também temos que participar nas competições certas para ver como nos adaptámos. Foi o que aconteceu comigo”, explica Bruna Almeida recordando a estreia em competição. “Na minha primeira prova, o Campeonato Nacional da Federação Portuguesa de Lohan Tao, realizado no início de novembro, depois de ultrapassar os quartos-de-final, defrontei nas meias-finais uma adversária bastante experiente onde perdi e acabei por conquistar o terceiro lugar na minha categoria em Rumble Kempo. Aos meus olhos foi um resultado muito bom porque foi o segundo combate que fiz em competição e apesar da adversária notoriamente mais experiente demonstrei que estive à altura. Soube-me bem e senti que evoluí”, conta a jovem, realçando as palavras do treinador nessa competição: “Disse-me que perdi o combate, mas foi como se tivesse ganho porque a adversária era bastante experiente”.

Apenas um mês depois, isso acabaria por se refletir na segunda participação de Bruna Almeida em competição, com a atleta a subir ao lugar mais alto do pódio em Rumble Kempo no Open de Artes Marciais da Federação Portuguesa de Lohan Tao, realizado em Rio Tinto. “Acho que a evolução foi notória”, sublinha.

“Temos de manter o foco todos os dias”

Numa modalidade onde relembra que chegou “de parqueadas”, a jovem confessa que não tem definidos quaisquer objetivos desportivos. “Não penso muito nisso”, assegura Bruna Almeida, que pretende “ultrapassar um dia de cada vez”. Vou andado, mas dando sempre o meu melhor, porque aqui é preciso trabalho e muita dedicação, e, consoante a minha evolução, vou vendo o que me reserva o futuro desportivo”, conta a jovem que, contudo, admite estar a ponderar, juntamente com o treinador, passar para os combates em ringue. “É algo que temos vindo a pensar e vamos falando e que gostaria de experimentar, mas não é uma obsessão”, garante Bruna Almeida, que hoje, cerca de dois anos depois de ter começado, não se imagina afastada da modalidade. “É muito importante para mim. Sempre fui uma pessoa muito ansiosa e ajudou-me nesse sentido, para além de também ter contribuído para aumentar a minha autoestima”, confessa a atleta, que, no entanto, reconhece que nunca se imaginou a praticar uma modalidade de combate porque, tal como a maioria das pessoas, “pensava que era violento e muito perigoso”. “É precisamente o contrário”, garante. “É obvio que obriga a determinadas precauções, mas se todos tiverem cuidado é uma modalidade como todas as outras”, explica a jovem, que admite que o que a cativa é o contacto físico. “Depois de uma passagem por aqui parece que saímos com uma alma nova”, conta Bruna Almeida que, a frequentar a faculdade, reconhece ser necessário alguma “ginástica” para não faltar aos treinos. “Já faz parte da minha rotina. Costumo dizer que é a minha terceira casa e a minha segunda família”.

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