Uma referência da língua e da cultura portuguesa

 

O 42º aniversário da Tuna dos Voluntários ficou marcado, sábado passado, pela inauguração de uma “nova” biblioteca que acolhe a coleção de livros do Dr. Magalhães dos Santos.

“Uma homenagem mais que merecida a um amigo querido. Um senhor da cultura, um escritor e ator maravilhoso que durante anos proporcionou aos sanjoanenses momentos de riso e alegria”, afirmou a sua presidente Minda Araújo, agradecendo a todos os que que contribuíram para a criação do espaço. À família que através da filha Maria Manuel cedeu documentos e livros à Tuna dos Voluntários, ao seu marido Jorge Araújo dos Santos pela organização dos documentos e dos livros, e aos tunantes e membros da direção Arlindo Oliveira e Luís Costa pela adaptação das estantes que deram origem à “nova” biblioteca.

“Agradecemos todo o trabalho extraordinário que realizou para promover a cultura em S. João da Madeira”, começou por dizer o presidente da câmara, Jorge Sequeira, reconhecendo que “hoje em dia é muito fácil promover cultura”, mas “antes não era assim, dependia muito das pessoas”. Para além de ter “um papel muito relevante e importante na promoção da cultura na cidade”, o Dr. Magalhães dos Santos é “uma referência da Língua Portuguesa”, salientou o autarca, constatando que “não há povo, nação e pátria sem língua” e que “quem trata da nossa língua, trata da nossa identidade”.

Para Clara Reis, presidente da Assembleia Municipal, o Dr. Magalhães dos Santos é “quase um mito. Uma pessoa absolutamente extraordinária, de grande valor cultural que diz tão bem poesia como anedotas”. Por isso, “agradecemos o legado de vida deixado à Tuna e aos sanjoanenses para que as gerações futuras não esquecerem que foi uma pessoa muito importante na nossa cidade”.

O Dr. Magalhães dos Santos “quase me viu nascer e é uma pessoa por quem tenho muito apreço”, assumiu Helena Couto, presidente da Junta de Freguesia, recordando a amizade que passou dos pais para os filhos. “As amizades quando são bem cultivadas dão nisto” que é com quem diz em relações e ligações ao longo da vida. A sua família e a do Dr. Magalhães dos Santos são “o exemplo de quem veio de zonas distintas do país para S. João da Madeira em busca do seu futuro”, realçou Helena Couto.

“Nunca imaginei” tal homenagem e “melhor do que isto não poderia ter”, assegurou o Dr. Magalhães dos Santos, deixando a todos um “obrigado” e demonstrando ter ficado “muito comovido”. Depois do discurso a sério, veio um outro, também sério, mas com uma pitada do seu apurado sentido de humor com que muitas vezes presenteou a comunidade em sessões de anedotas. “Nunca pensei que uma homenagem à minha pessoa acontecesse em vida, muito menos em morto”, zombou o Dr. Magalhães dos Santos.

Do ensino para a Oliva

José Joaquim Magalhães dos Santos nasceu a 21 de abril de 1933 em Vila Real. Filho de José Lourenço dos Santos, empregado bancário, e Amélia do Espírito Santo Magalhães, professora do Ensino Secundário e irmão de Álvaro José Magalhães dos Santos. Estudou no Liceu Nacional de Camilo Castelo Branco em Vila Real e concluiu a licenciatura em Filologia das Línguas Românicas na Universidade de Coimbra. Prestou serviço militar em Mafra, Vila Real, Viseu e Tavira. José Magalhães dos Santos casou com Maria da Conceição Cardoso Proença em 1958 com quem teve três filhos de seus nomes Pedro Lourenço, Carlos André e Maria Manuel. Entre 1958 e 1964 foi professor de Português e Francês em diversos estabelecimentos de ensino secundário de Norte a Sul do país. De 1964 a 1993 trabalhou na divisão de Publicidade e Relações Públicas da famosa Oliva em S. João da Madeira. Como elemento integrante do Grupo de Teatro do Centro de Cultura e Recreio da Oliva participou em três concursos nacionais de teatro promovidos pela FNAT, tendo contribuído para os primeiros lugares conquistados pelo grupo e sido alvo de lisonjeiras referências da crítica.

Colaborou com O Mundo Desportivo, Jornal de Notícias, Diário de Notícias, Correio do Minho, Notícias de Vila Real, O Regional e Labor.

Criou o Grupo Cultura Viva (ex-Gargarejos) com a finalidade de ler e interpretar em público textos da sua autoria e de literatura nacional e internacional. Obteve prémios e menções honrosas em Jogos Florais. Joaquim Magalhães dos Santos publicou várias obras da sua autoria. Também colaborou na elaboração dos dicionários da Porto Editora. Em 1993 a sua terra natal honrou-o com a Medalha de Prata de Mérito Municipal.

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

Loading Facebook Comments ...