(Ao fim de uma longa vida, nunca pensei ser possível assistir, em directo para todo o mundo, a tão incomensurável barbárie, a tão macabra carnificina, a tão cruel genocídio como aquele que acontece em Gaza. Um holocausto não escondido, como o outro, mas a céu aberto. Não consigo, e penso que será muito difícil a quem quer que seja, expressar literariamente tão desumana tragédia, mesmo deitando mão do mais amargo sabor da poesia. Por isso aqui vos deixo um poema já antigo, do tempo da Intifada, mas que traduz tanto quanto possível a vida na Palestina desde os princípios do século XX).

Não há sol nos céus da Palestina
não há luz nos olhos da Palestina
roubaram o sorriso à Palestina.

São de sangue as gotas de orvalho da madrugada
e o vento só é vento quando as balas assobiam
roubaram as manhãs à Palestina.

O céu de chumbo esmaga as almas e os ossos
e é de lágrimas a chuva quando cai
não há sol nos céus da Palestina.

Adão Cruz

 

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