Tendo decorrido de 17 a 19 de maio, foi o XII Encontro de Estudantes Maienses em Portugal e o segundo que teve lugar em S. João da Madeira (SJM). O primeiro evento na cidade geminada com a Ilha do Maio há 26 anos foi organizado pela Associação Maense em Portugal (AMP) em 2015, altura em que o presidente e a vereadora da Divisão de Educação da câmara municipal (CM) de então eram, respetivamente, Ricardo Figueiredo e Dilma Nantes.

No passado sábado, volvida quase uma década, estes dois ex-autarcas foram homenageados pela AMP, numa gala na Sala dos Fornos da Oliva Creative Factory, pelos seus contributos para a solidificação da geminação entre SJM e a Ilha do Maio firmada a 16 de maio de 1996. Um gesto de reconhecimento que, segundo Carlos Frederico, “é pouco por tudo o que eles [e SJM] fizeram”.

Do programa daquele dia constou também uma conferência sobre a “Importância da Rede Associativa para o Sucesso Académico”, presidida pelo Presidente da República de Cabo Verde, José Maria Neves, e o edil de SJM, Jorge Sequeira, no auditório dos Paços da Cultura. Também não foi a primeira vez que a AMP pôde contar com um PR num dos seus encontros. Já em 2017 tinha recebido o PR de então.

Para o líder da direção da AMP, “receber hoje o Presidente José Maria Neves acaba por ser uma certificação do trabalho que estamos a desenvolver”. “Ele não discursou. Deu-nos, antes, uma aula magna, como um pai a falar para os filhos. Foi uma aula bem cativante”, sublinhou o responsável, indo ao encontro do que Nuno Spencer também avançou ao nosso semanário.

“De forma pedagógica ele [o PR] tentou passar uma mensagem de otimismo, sabendo que não é fácil estudar fora, mas é algo que terá de acontecer com muitos jovens. E ele sabe que no futuro essas pessoas voltarão e darão o seu contributo para o crescimento de Cabo Verde”, afirmou o consultor da direção da AMP e representante do Núcleo do Norte/Centro.

Note-se que o Presidente da República cabo-verdiano estudou Administração Pública na Fundação Getúlio Vargas no Brasil e obteve o doutoramento em Políticas Públicas no ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa.

AMP participa pela primeira vez n’ “A Cidade no Jardim”

Em declarações ao labor, Carlos Frederico falou igualmente sobre “esta geminação [entre SJM e a Ilha do Maio, em Cabo Verde] bem adulta, com muitos frutos”, mas cujos resultados poderiam, na sua ótica, ser melhores. “Não estamos totalmente satisfeitos com os resultados, porque acho que, não obstante haver uma boa relação entre as duas câmaras, as geminações também deviam refletir as comunidades e fazer intercâmbios entre os povos dos dois municípios”, defendeu, sugerindo a ida de voluntários sanjoanenses para a Ilha do Maio durante algum tempo para trabalharem, por exemplo, na área social. “Seria uma espécie de férias com trabalho”, completou a ideia.

Já “da nossa parte também devíamos trazer mais vezes a nossa cultura, os nossos artistas para S. João da Madeira”, prosseguiu Carlos Frederico, adiantando que, dentro de dias, a AMP vai participar pela primeira vez n’ “A Cidade no Jardim”, organizada pelo Município, que decorre de 6 a 10 de junho no Jardim Municipal. O convite foi feito pelo presidente Jorge Sequeira.

Aposta na educação e formação diferencia-a das demais associações de imigrantes

Fundada em 29 de agosto de 2003, a Associação Maense em Portugal é uma organização não governamental (ONG) sem fins lucrativos, com sede em Lisboa, mas com vários núcleos. A sua atuação tem assentado sobre a plena integração dos seus associados [maioritariamente oriundos dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP)] nas comunidades universitárias onde se radicam, através do exercício dos seus deveres (e direitos) de cidadania, promovendo diversas iniciativas culturais, económicas e sociais que revertam em benefício dessas mesmas comunidades.

No fundo, como explicou Carlos Frederico, “somos uma associação de imigrantes como todas as outras. Fazemos um pouco de tudo o que as outras fazem.  O que nos diferencia é que acabámos por enveredar pela área da educação e da formação. Estabelecemos acordos de parceria e cooperação com várias instituições de ensino superior e profissional em Portugal”.

A AMP é procurada por cerca de 85% de jovens estudantes cabo-verdianos. Os restantes 20% são oriundos dos outros PALOP. De acordo com o seu presidente, esta associação “faz a ponte entre o estudante, o jovem, que precisa de oportunidades e as instituições que também precisam de alunos, quer do ensino superior, quer profissional”, encontrando-se espalhada por “várias cidades do país (Beja, Lisboa, Crato, Portalegre, Marinha Grande, Castelo Branco, Viseu, Guarda, Coimbra, Barcelos, Porto, Viana do Castelo, Paços de Brandão, Santa Maria da Feira, entre outras”.

Desde a sua criação, a AMP já deu apoio a milhares de jovens dos PALOP com formação, incluindo profissional, licenciatura e mestrado, em colaboração com escolas do ensino superior e profissional portuguesas.

O Encontro de Estudantes Maienses em Portugal realiza-se todos os anos, geralmente em maio, mês em que a Ilha do Maio foi descoberta em 1460 pelo navegador português Diogo Gomes e António de Noli.

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