Mário Pessegueiro

– A Câmara Municipal do Porto revelou recentemente a vontade de recuperar o antigo matadouro junto ao Estádio do Dragão com um impressionante projeto do conceituado arquiteto japonês, Kengo Kuma. O investimento será feito com dinheiros privados rondando os 40 milhões de euros, sendo que o lançamento da obra está previsto para abril de 2019.

– A ideia é simples, original e diferente do que usualmente se vê em Portugal em grandes obras urbanas. A conceção consiste numa enorme cobertura filtrante da luz natural, com forma ondulada, acima de todas as construções existentes, criando linhas de força em direcção à VCI existente. Esta confere grande unidade a todo o conjunto urbano a revitalizar. O projeto estabelece ainda uma ligação pedonal até ao Estádio do Dragão assegurando uma ligação física ao outro lado da VCI. Sob esta grande cobertura os espaços serão dinamizados com diferentes utilizações.

– Kengo Kuma, nasceu em 1954 e pertence à 3ª geração de arquitetos do pós-guerra (2ª Guerra Mundial), a par de outros igualmente notáveis da atualidade como Shigeru Ban (prémio Pritzker 2013 ) e Kazuyo Sejima ( Pritzker 2010).

– Na sua vasta obra transparece sempre uma forte inspiração na Natureza que consegue transpor para obras de grande escala e tamanho, como o caso desta.

Aliás no Japão os arquitetos permanecem, de algum modo, ligados aos materiais de construção tradicionais (madeira, bambu, etc.) sabiamente relacionados com materiais modernos como o betão armado, o aço e o vidro.

– Muita da arquitetura japonesa revela uma vontade de renovação a partir de elementos “reduzidos” que são colocados quase de forma provisória sobre o lugar a intervir. A noção de construção para a eternidade não existe no Japão, dada a sua filosofia de vida em que nada é eterno. Existe pois a ideia de projetar o “nada” .

Kengo Kuma assume este modo de sentir a arquitetura. Um bom exemplo disso é uma habitação que foi convidado a projetar junto à Muralha da China. É uma construção envolta em canas de bambu dispostas de modo a conseguir transparências de luz e enquadramentos sobre a paisagem envolvente tornando ténue a fronteira entre o que é construído e o que pertence à Natureza.

– Portanto, podemos esperar o melhor para o Porto com esta intervenção junto à VCI em plena zona oriental da cidade tão necessitada de investimento urbano.

 

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