“Se o levarmos até ao fim espero que tenham uma agradável surpresa”, confessou o arquiteto Sidónio Pardal ao labor

A Câmara Municipal de S. João da Madeira era liderada por Manuel Cambra quando encomendou a Sidónio Pardal, arquiteto paisagista, urbanista, engenheiro agrónomo e professor na Universidade Técnica de Lisboa, a transformação do Vale do Rio Ul no primeiro Parque Urbano da cidade. As obras das duas primeiras fases realizaram-se de 2005 a 2008 com a liderança de Manuel de Castro Almeida.

O projeto está dividido em três fases, em que as duas primeiras fases de intervenção aconteceram a Norte da ponte e uma terceira fase de ampliação do parque está prevista para Sul da ponte.

Nas duas primeiras fases foram construídos percursos pedonais partilhados com bicicletas, zonas de estadia e a plantação de milhares de espécies.

A inauguração do Parque Urbano do Rio Ul realizou-se a 16 de maio de 2008 sem estar completamente construído. Na véspera da sua inauguração, Sidónio Pardal disse ao labor que seriam precisos entre a 20 a 30 anos para este espaço verde “chegar à sua maturidade. Vai sofrer agora uma série de transfigurações”. Uma década depois da sua construção “muitas plantações não foram feitas”. Por isso, “há partes do parque que não estão executadas”, explicou o arquiteto sanjoanense ao labor.

“O que era interessante era acabar o parque. O parque no seu projeto é mais interessante do que é lá”, “a sua expressão paisagística é muito mais interessante” e tem “imensos detalhes por concluir”, esclareceu Sidónio Pardal, destacando que ainda assim “o parque mesmo no seu estado tosco, não estando acabado, já é agradável aos visitantes”. “Se o levarmos até ao fim espero que tenham uma agradável surpresa”, confessou o autor deste espaço verde ao labor.

O projeto de conservação e dinamização do Parque do Rio Ul prevê um investimento de cerca de 350 mil euros com comparticipação de 85% por fundos comunitários. As obras em curso – Casa da Eira, Moinho e Casa do Forno – deverão estar prontas em outubro deste ano.

Parque vai ter capela em mármore

Créditos: DR

O passo seguinte é a ampliação para Sul com a criação de mais de 650 metros de rio e de parque desde a zona da Ponte até Fundões. Na zona da Ponte está prevista a construção de uma capela aberta em homenagem ao S. João que poderá ser usada como espaço de oração, meditação e contemplação do Parque Urbano do Rio Ul. Uma vez que já existe uma cascata em homenagem ao S. João neste preciso espaço, resta saber se a capela vai substituir a atual cascata ou se vão coexistir no mesmo espaço, informação que não foi possível obter junto da autarquia até ao fecho da edição.

A capela será “toda em mármore com uma cobertura de cobre”, revelou Sidónio Pardal ao labor.

“O conceito do parque também prevê a sua expansão para Norte” com “um alargamento significativo do rio até aos limites do concelho à semelhança do que aconteceu junto à Zona Industrial das Travessas”, adiantou Sidónio Pardal ao labor.

Praia Fluvial não está licenciada e água não reúne requisitos exigíveis

Entre os planos existentes para este espaço verde da cidade esteve a criação de uma praia fluvial que, contrariamente ao que possa parecer, existe no Parque Urbano do Rio Ul. A praia está “construída de acordo com o projeto e corresponde à área onde o plano de água assume a maior dimensão. Existem um ancoradouro e um cais. Não está licenciada como praia fluvial pois a água não reúne os parâmetros de qualidade exigíveis”, deu a conhecer a Câmara Municipal de S. João da Madeira depois de questionada pelo labor.

A questão da despoluição do Rio do Ul sempre acompanhou a obra ao longo dos anos. “Ao longo do troço do rio que acompanha o parque não existem, à data de hoje, descargas de águas residuais. Só que esta situação não encontra tradução a montante do parque”, respondeu a autarquia sanjoanense.

 

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