“Fiz do chapéu uma casa e pu-los a caminhar todos no mesmo sentido”

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Créditos: Inês Leite

A ilustradora Maria Santos, conhecida como Mariana, a Miserável é quem assina o primeiro mural do Circuito de Arte Urbana com o tema “S. João da Madeira, Cidade dos Chapéus” lançado no âmbito do Festival do Chapéu. O mural começou a ser feito no dia 17 e estará pronto a ser inaugurado amanhã, dia 20, pelas 18h00, no Museu da Chapelaria.

Quem é Mariana, a Miserável?

Uma pessoa que gosta de desenhar estas histórias e que quando lhe fazem estes desafios gosta de os transpor para imagens. É uma pessoa que não tem muito jeito para as palavras, tem mais para o desenho.

Qual a história que vai contar neste mural inserido no projeto de arte urbana do Festival do Chapéu em S. João da Madeira?

Conta a história dos trabalhadores da fábrica. Vim visitar o Museu da Chapelaria, na semana passada, e contaram-me algumas histórias. O que me ficou foram mais as pessoas e a relação que tinham com este espaço e foi isso que quis fazer. Uma espécie de transpor as histórias que aqui se contam cá para fora e fazer uma espécie de homenagem às pessoas que aqui trabalharam. O que me foi dito é que este espaço era uma espécie de casa para eles e foi isso que fiz. Fiz do chapéu uma casa e pu-los a caminhar todos no mesmo sentido, abrigados por essa casa que é um chapéu gigante.

Não costuma trabalhar em grandes dimensões…

Não faço muita pintura de mural. Esta é a quinta ou sexta, salvo o erro. A primeira vez que me convidaram fiquei muito assustada porque sou ilustradora, não costumo fazer coisas em grandes dimensões, mas fiquei muito surpreendida com o resultado. Não só pelas proporções, mas também pelo impacto que isso tem nas pessoas e no sítio onde é feito. Não aceito muito destas coisas porque não me sinto muito confortável a fazer, mas acaba por ser muito fascinante o resultado final.

Vi que ilustrou uma máquina de costura da Oliva para a revista Gerador. Já conhecia?

Já tinha ouvido falar da Oliva Creative Factory. Nunca tinha visitado, assim como nunca tinha visitado o Museu da Chapelaria. Esse convite para desenhar uma máquina de costura era para um artigo sobre um clube de costura e fiz uma máquina de costura com pessoas em cima, mas não era da Oliva. Quando enviei o esboço foi-me sugerido por que não da Oliva? Acrescentei e sim houve muita gente que me escreveu. Não conhecia, mas foi uma boa sugestão. Deixo que essas sugestões contaminem o meu trabalho no bom sentido e que o façam ter mais sentido.

Não sei se sabe que temos cá o Encontro Internacional de Ilustração…

Já fui convidada, mas nunca pude vir. Mas claro que ouvi falar e acho que faz muito sucesso. Temos tanta gente boa em Portugal a fazer ilustração que faz sentido que nos encontremos, juntemos e que incentivemos os mais novos e mesmo os mais novos aos mais velhos.

Numa entrevista disse que a função do ilustrador é iluminar…

Principalmente dar luz a uma mensagem. É o que espero fazer com este mural ao transpor as histórias de lá de dentro cá para fora.

Quais os próximos desafios?

Este ano, livros. Vou-me aventurar nos livros. Já ilustrei dois livros.

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