No Hospital de S. João da Madeira há 14 voluntários “de alma e coração”

 Maria do Céu Pinho, Natalino Anacleto e Valdemar Matos são três dos 14 rostos do voluntariado do Hospital de S. João da Madeira (HSJM) que integra a Liga dos Amigos do Hospital S. Sebastião (LAHSS) desde o passado dia 19 de junho.

A entrada para a LAHSS, presidida por Manuel António Ferreira e coordenada por Virgínia Cavaco, veio dar aos voluntários sanjoanenses “outras condições” que até ao mês transato não tinham. Por exemplo, “passámos a estar cobertos por um seguro”, conforme adiantaram ao labor.

Mas atenção que a existência de voluntariado na unidade hospitalar sanjoanense não é de agora. A criação do corpo de voluntários do HSJM remonta há cerca de 25 anos e teve início pela mão de “um grupo de senhoras” liderado por Adelina Amaral, do qual também faziam parte Casimira Terra Figueiredo e Teresa Salgado, esta última pertencente ao Hospital de S. João (Porto).

Em conversa com a nossa reportagem, Maria do Céu fez questão de recordar – em jeito de homenagem pública – a fundadora e quem a ajudou a levar avante este projeto. Esta sanjoanense de 61 anos, doméstica, é voluntária desde 1995 e, por isso, lidou de perto com todas.

Idades dos voluntários variam entre os 55 e os 80 anos; maioria é de S. João da Madeira

Juntamente com Natalino, Maria do Céu é a “responsável local” pela equipa de S. João da Madeira, cuja maioria dos elementos (com idades entre os 55 e os 80 anos) é oriunda da cidade. Mas há também quem seja de Vale de Cambra. Todos cumprem, no mínimo, três horas de voluntariado por semana, distribuindo-se por várias áreas do HSJM.

No caso de Maria do Céu, sempre apoiou os doentes na Urgência, mas agora está “no Internamento enquanto a Urgência está em obras”, sendo que, ao fim de 23 anos de voluntariado, o balanço é positivo: “É um trabalho que gosto muito de fazer e que espero fazer por muitos mais anos”. “Recebemos muito mais do que damos, saímos daqui de coração cheio”, garantiu ao jornal.

Ainda ao labora sexagenária falou daquela que foi uma das suas experiências mais marcantes pela negativa: “Ter de confortar uma pessoa conhecida, após a morte do marido na Urgência”. Já pela positiva salientou: “É uma sensação de alívio ver algumas crianças da escola entrarem na Urgência muito aflitas e, passado um tempo, vê-las a saírem muito felizes porque afinal não partiram nada. Tudo não passou de um susto”.

“Não fazemos nada técnico”

O papel dos voluntários do HSJM limita-se ao apoio/encaminhamento de doentes, sobretudo dos “mais sós”. Tanto na Urgência como no Internamento e até mesmo na Consulta Externa “encontramos muitas pessoas desamparadas”, lamentou Maria do Céu, deixando claro que “não fazemos nada técnico”. Isto é, contrariamente ao que acontece em outros hospitais, os voluntários de S. João da Madeira “não oferecem bolachinhas, café, chazinho ou um simples copo de água”.

“Na Urgência não se pode fazer isso, porque não sabemos como as pessoas estão e que exames médicos vão fazer e no Internamento as várias refeições são asseguradas pelo próprio hospital”, esclareceu, completando: “Na Consulta Externa talvez se justificasse. Mas por enquanto ainda não fazemos isso”.

Resumindo e concluindo: o trabalho de Maria do Céu e dos restantes colegas passa por dizer uma palavra de conforto, levar alguém à casa de banho, dar informações, etc.. Pequenas coisas que representam muito para quem “se vê perdido num hospital e a necessitar de cuidados de saúde”.

Natalino, ex-operário metalúrgico de 68 anos, sabe bem qual é esta sensação. Começou a fazer voluntariado em 2008, depois de acompanhar a esposa, doente oncológica, vezes sem conta ao Instituto Português de Oncologia (IPO) do Porto.

Na altura, “disse para mim mesmo: ‘quando puder ajudar o outro vou fazê-lo’”. E foi o que fez após se ter reformado, seguindo, hoje, o exemplo dos voluntários do IPO que em tempos também o ajudaram.

Créditos: DR
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