Ser por um clube

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Logo à cabeça, e param que não fiquem dúvidas a este respeito: Sou Benfiquista. Há muitos anos. Talvez oitenta.

Este caso em que o meu Clube está ou foi envolvido não afecta o meu Benfiquismo.

Nem que o Benfica saia ilibado não sai limpo.

E dá para perguntar: que instituição em Portugal, na Europa, no Mundo, está rigorosamente, absolutamente limpa, acima de qualquer suspeita?

Mais ainda: quem é que nunca errou, nunca faltou, seja no que for, às suas obrigações? Nem que seja apenas interiormente?

Seja qual for o resultado desta vergonhosa situação, nem que o Benfica saia absolutamente ilibado, as acusações já o mancharam definitivamente, irrevogavelmente.

Recordo o que dizia Júlio César, ao aproveitar-se hipocritamente de um caso em que a esposa saiu ilibada, com a sua honradez limpa:

“A estória (história) é bastante conhecida. Decorria, em casa de Júlio César, no dia 1 de Maio do ano 62 a.C., a festa da Bona Dea “Boa deusa”, uma orgia báquica, reservada exclusivamente às mulheres. A celebração fora organizada por Pompeia Sula, segunda mulher de Júlio César, ao que consta, uma mulher jovem e muito bela.

Acontece que Publius Clodius, jovem rico e atrevido, estava apaixonado por Pompeia, não resistiu: disfarçou-se de tocadora de lira e, clandestinamente, entrou na festa, na esperança de chegar junto de Pompeia. Porém, foi descoberto por Aurélia, mãe de César, sem que tivesse conseguido os seus intentos.

Nesse mesmo dia, todos os romanos conheciam a peripécia e César decretou o divórcio de Pompeia. Mas César não ficou contra Publius Clodius, chamado a depor como testemunha em tribunal, disse que nada tinha, nem nada sabia contra o suposto sacrílego. Foi o espanto geral entre os senadores: “Então por  que se divorciou da sua mulher?”. A resposta tornou-se famosa: “A mulher de César deve estar acima de qualquer suspeita”.

Esta frase deu origem a um provérbio cujo texto é geralmente o seguinte: “À mulher de César não basta ser honesta, deve parecer honesta”.

As pessoas cuja intelectualidade as mantém acima desta futilidade que são os futebóis, as clubites, essas infantilidades que não devem preocupar as pessoas superiores, com a visão dedicada às coisas verdadeiramente importantes, essas farão um desdenhoso muxoxo, sorrirão superiormente e acharão que tudo isto são criancices que não devem preocupar minimamente as pessoas verdadeiramente sérias e superiores.

Acho que não é a quantidade que determina a qualidade. Mas entre os milhões de pessoas que são, que se sentem orgulhosamente – e justamente! – Benfiquistas, quantas serão as que pertencem a essa elite intelectual a que  julgam pertencer essas que olham com enojada piedade os triste pobres que – coitados! – não têm mais com que se preocupar que não sejam  essas inferiores clubites.

O mal está feito! Certo é que o Benfica fica irremediavelmente manchado no seu justíssimo prestígio. Cônscio do seu valor intrínseco, vai sobreviver, vai resistir a esta tristíssima situação.

Mas os seus inimigos figadais, afectados por uma vergonhosa inveja do passado glorioso do Benfica, do seu futuro brilhante, não deixarão de eternamente trazerem à baila este miserável caso.

Nem que a justiça dos tribunais venha a decretar a condenação do Grande Benfica, a Justiça autêntica salvaguardá-lo-á e o Clube continuará a estar no coração, na alma dos que o têm como o seu Clube.

E se se provar que algumas – muitas ou poucas – das acusações são infundadas, que seja devidamente castigada a criminosa culpa de quem as lançou.

Quem enodoa ou descuidadamente ou criminosamente uma instituição mais que centenária e fundamentadamente gloriosa, não pode ficar-se a rir de ter tentado – inutilmente – sujá-la, emporcalhá-la.

Sou Benfiquista e continuarei Benfiquista.

 

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