“Imortella” é um dos “trunfos” da 20.ª edição da Semana da Juventude

Esta sexta-feira, a partir das 22h00, todas as atenções vão virar-se para a fachada do Centro Comercial América. É bem lá do alto deste edifício com mais de 20 andares na torre central, situado na Praça Luís Ribeiro, que vai surgir “Imortella”, “uma ‘super heroína’, que luta para superar fronteiras a fim de alcançar a liberdade”.

Na passada terça-feira o labor foi ao encontro de Paulina Almeida e de outros artistas que se encontram a fazer uma residência artística em S. João da Madeira (SJM) a convite da Associação de Jovens Ecos Urbanos (AJEU). É, precisamente, Paulina Almeida quem dirige artisticamente esta “performance sobre a história de uma viagem no espaço derrotando as dificuldades de existir num mundo de obstáculos constantemente obstruindo nosso caminho”. E é também ela que “dá corpo e alma” a “Imortella”, a protagonista deste espetáculo de dança aérea que é, nada mais nada menos, um dos destaques da programação da Semana da Juventude de S. João da Madeira (SJSJM).

Além dela, nesta “fusão de escalada e dança vertical”, o público também vai poder ver no ar Ron van Roosmalen, um holandês de 32 anos, técnico de aéreos.  A música e a luz vão estar a cargo de Foque (projeto a solo de Luís Leitão) e João Teixeira, respetivamente, enquanto a coreografia é responsabilidade da jovem polaca Malgosia Sus.

Convite surgiu na sequência da participação no Fundição de Memórias

Paulina Almeida já conhecia S. João da Madeira. Ao jornal, contou que “já em 94, 95”, altura em que começou a fazer os seus primeiros espetáculos, “S. João da Madeira era bastante avançada para a época em termos culturais”.

Em termos de trabalho, a sua estreia em SJM deu-se na inauguração da Oliva Creative Factory, há uns anos, em que “fiz um concerto com máquinas de costura, do qual o presidente da câmara [de então] gostou muito”.

Mais recentemente o convite partiu da AJEU. Primeiro, para participar no projeto Fundição de Memórias, aquando do Hat Weekend em julho último, e agora na SJSJM.

Com “Imortella”, a diretora artística de 40 anos, natural de Guimarães, pretende “provocar a reflexão”, levar as pessoas a fazerem o “contraponto entre aquilo que é a origem mais ritualesca da Humanidade e o que está a acontecer e é visível, que é a sobreposição da globalização”. “É urgente refletir” sobre tudo isto, reforçou a ideia.

A performer deixou claro ao labor que, não obstante ter as suas opiniões, “não as quero impor a ninguém”. “Imortella” “não é uma solução, mas uma apresentação de uma realidade que já existe e que, metaforicamente, pode englobar uma série de problemáticas que fazem parte da nossa existência enquanto Humanidade neste momento”, explicou. “Ver uma espécie de pigmeu no meio da cidade, na fachada de um edifício… o que é que isto provoca nas pessoas?”, questionou.

“Imortella” “nasceu” numa ilha da Croácia

Em declarações exclusivasao semanário, a artista vimaranense que já “correu meio mundo” a trabalho adiantou queesta peça nasce na sequência de uma residência artística na Croácia, na ilha de Hvar, este ano, a convite do projeto “Magic Carpets Platform [do programa da Europa Criativa]”.

A instrutora representou Portugal no âmbito deste projeto em que “pegam nos artistas e põem-nos num lugar a fazer uma análise e a trabalhar com a população local sobre uma problemática desse local”.

Na ilha de Hvar “havia, particularmente, uma gruta protegida. Só que por cima da gruta a terra foi vendida a investidores. Diz-se que aquela ilha vai ser a próxima Ibiza”, contou ao labor.

“Estive um mês lá, sozinha, entre a gruta, a montanha, a água, tentando analisar o que podia ser uma aproximação a esse projeto”, relatou, adiantando que, “com a informação que tinha de que aquela gruta tinha um forte simbolismo ritual e que há 3.500, 4.000 anos só servia para fazer oferendas aos deuses, achei que devia inventar uma tribo que existisse naquele lugar, que era única e que podia acabar completamente se começasse a haver construção”.

O nome “Imortella” remete para o de “uma planta (de que é feito um óleo essencial que se usa agora em cosmética, muito caro”) que há naquela ilha croata e “é muito importante para a economia local”. FoiPaulina Almeida que criou “‘Imortella’, tribo de amazonas que vivem ali e vão fazer oferendas, que as pessoas podem encontrar se estiverem realmente ligadas à natureza”.

Depois da Croácia e antes de S. João da Madeira, “Imortella” já passou por Águeda há semanas, cidade onde, entre outros desafios, Paulina Almeida gere o Projecto Agit Lab.

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