Não há segunda oportunidade para causar uma primeira boa impressão

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Créditos: DR

É uma frase batida, mas representa o sentimento geral em relação a muitas coisas. Uma delas é, certamente, o desempenho dos mandatos autárquicos. Quando, há quase um ano, os sanjoanenses deram uma maioria inédita ao Partido Socialista certamente tinham as maiores expectativas quanto ao desempenho do executivo que então foi escolhido. Podendo ser suspeito, por ter sido candidato na lista derrotada, acho que exprimo o sentimento de muitos sanjoanenses, inclusive de muitos que votaram no PS, dizendo que se esperava mais. Esperava-se que um apoio eleitoral tão expressivo originasse uma dinâmica de que S. João da Madeira precisava e continua a precisar.

Podia ter escrito esta crónica no rescaldo do “Hat Weekend”, mas optei por gostar de fazer política pela positiva. Escrevo agora, no rescaldo de um evento que correu muito bem e no qual a câmara municipal esteve à altura do desafio. Começo então pelo elogio. A fórmula é fácil, mas podia ter sido ignorada, como foi noutros casos. Não ter complexos de aceitar bons projetos que vêm de trás, envolver a rede associativa do concelho, estabelecer parceria de organização com os comerciantes e acrescentar novidades. Tivesse sido esta a fórmula seguida no “Hat Weekend” e o resultado teria sido melhor, não tenho dúvida. Aliás, custa que o resultado tenha sido o que foi, quando a programação tinha potencial para muito mais. Faltou envolvimento das forças vivas da cidade, falhou a divulgação e faltou uma âncora mais popular que atraísse munícipes e visitantes. No fundo, a comparação entre estes dois eventos é apenas uma forma de mostrar que quando o executivo PS seguiu um modelo anterior o resultado foi excelente. Quando teve oportunidade de deixar a sua marca ficou muito aquém das expectativas. Ora, o que se esperava era exactamente o oposto. Quem teve tanto apoio devia afirmar-se pela capacidade de acrescentar valor. Acabou a “salvar-se”, à última hora, recorrendo ao modelo anterior.

Mas a cidade não vive só de eventos. Noutras áreas, havendo notas positivas, há também desilusão. Voltando a começar pela positiva, saliento o célere cumprimento de compromissos eleitorais como a criação da Assembleia Municipal Jovem ou a valorização da Educação Física nas nossas escolas. Pela negativa fica desde logo a não concretização da valorização da periferia da cidade. Não basta instalar iluminação de Natal, se o mato prevalece sobre os jardins e o espaço público parece abandonado. Não basta fazer pequenos eventos, se não se consegue envolver significativamente a população. E se nos nossos bairros a primeira impressão não é a melhor, o que dizer da Praça. Alguém sabe o que vai acontecer à Praça? Ao fim de um ano, nem visão, nem futuro. Apenas indefinição. Ficam estes exemplos, mas muitos outros seriam possíveis: nos atrasos nos processos que já estavam encaminhados; na deslocalização de investimentos privados ou nos casos surreais de inoperância, como recentemente aconteceu com a piscina, entre outras possibilidades.

Dito isto sobre o executivo PS, fica uma nota também para a oposição. Se quem ganhou tão largamente as eleições fica aquém das expectativas, a exigência em relação à oposição aumenta. Não basta criticar o que é mau e reivindicar direitos de autor do que é bom e vem de trás. É preciso uma oposição que mostre como se pode fazer melhor. Acima de tudo, é preciso que uns e outros consigam dar resposta ao grande desafio de S. João da Madeira: Como assegurar no futuro a qualidade de vida, coesão social, dinâmica e centralidade que sempre nos caraterizaram?

 

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