Associação quer chegar às 20 boxes para cães e continua a sonhar com o gatil

A Associação Amigos dos Animais de S. João da Madeira, mais conhecida como Ani S. João, tem a seu cargo 108 animais (65 cães e 43 gatos).

Destes, 26 cães estão no albergue na Rua das Águas que não tem condições para receber gatos, 34 em Famílias de Acolhimento Temporário, nove em outros locais cedidos à associação, três em hotel e 36 animais são de famílias carenciadas ou que têm um elevado número de animais.

Um dos maiores desafios desta associação é precisamente o espaço versus o número de animais. A cedência de um novo terreno à associação por parte da autarquia para construir novas instalações chegou a ser assunto por várias vezes em mandatos anteriores até que chegaram ao terreno onde está a ser construído o Albergue para Animais Errantes, em Casaldelo, no último mandato.

O projeto de construção do Albergue para Animais Errantes, no valor de 80 mil euros, apresentado por Teresa Oliveira, a título individual, mas com o intuito de ser para a associação que preside, venceu o Orçamento Participativo Municipal em 2014.

O projeto previa a construção de “um edifício central, pelo menos 20 boxes e um gatil. Sabíamos que não dava para aquilo tudo, mas candidatámo-nos aos 80 mil para o que desse para ser”, afirmou Raquel Gomes de Pinho, vice-presidente da Ani S. João, assumindo que não apresentaram uma proposta no valor total, 100 mil euros, porque

“só depois vimos que havia muita abertura e sensibilidade das pessoas ao projeto e à causa”.

A associação e a câmara municipal anterior tiveram problemas de entendimento relacionados com o terreno e com os materiais usados no edifício central do albergue.

Passados quatro anos, “acabamos por ficar com o edifício central e quatro boxes” que “dão no máximo para dois animais por boxe, ou seja, oito animais”, informou Raquel Gomes de Pinho, esclarecendo que está “longe de ser o que esta associação precisa e, acima de tudo, o que esta cidade precisa”.

A Ani S. João esteve reunida com o vice-presidente, José Nuno Vieira, duas arquitetas e a veterinária municipal no dia 21 de setembro com vista a resolver dois problemas. O primeiro é a construção de boxes em terreno privado nas atuais instalações e o segundo é a pouca capacidade existente nas novas instalações. No entender de Raquel Gomes de Pinho, a câmara ao resolver o segundo problema automaticamente resolve o primeiro. A associação está disposta a transferir os animais das atuais para as novas instalações “quando pelo menos tivermos no mínimo, dos mínimos, um igual número de boxes”, revelou Raquel Gomes de Pinho ao labor.

A associação tem oito boxes fixas e três amovíveis mais um gabinete usado para cuidados médicos para os animais mais velhos ou com problemas de saúde nas atuais instalações. O que na prática dá nove boxes fixas mais três boxes amovíveis doadas. A associação até está disponível em transferir as três boxes amovíveis, mas é “uma surpresa e podem chegar três, duas, uma ou nenhuma” ao destino final, disse a vice-presidente da associação, passando a explicar que as mesmas são feitas de “material que não nos dá a garantia que ao serem desmontadas e montadas estão preparadas para isso”.

Por enquanto, a Ani S. João ficou com a garantia de que a câmara municipal vai construir “mais boxes num dos topos” do terreno, adiantou Raquel Gomes de Pinho, com a garantia de ser feito um novo ponto de situação precisamente amanhã, dia 28 de setembro, com a câmara municipal, onde ficará, à partida, a saber o número de boxes que serão construídas, o orçamento e o tempo de execução.

A associação está a contar com o “apoio camarário” para a conclusão desta nova obra e para que “finalmente” possa “assinar o protocolo de cedência de instalações”, realizar a “transferência dos animais em segurança” e “a partir daí vamos trabalhar muito e contar com o apoio de toda a gente para podermos continuar a construir boxes”, adiantou Raquel Gomes de Pinho, sem perder de vista a construção de “pelo menos 20 boxes para cães” e continuar “a sonhar com o gatil”. Os sonhos não ficam por aqui, mas no caso destes dois – a construção de um hotel para animais e de um santuário para animais indicado para as matilhas assilvestradas – ficam para um dia mais tarde.

DF

“O flagelo dos animais de rua é contínuo”

Os pedidos de ajuda chegam quase todos, se não todos, os dias à associação, mas “não temos capacidade de resposta”, admitiu a vice-presidente da Ani S. João, assumindo que muitas pessoas estão dispostas a contribuir de várias formas, mas a necessidade mor é o espaço. “Felizmente, com donativos temos conseguido garantir a comida, os cuidados veterinários, o que nos falta é espaço”, contou Raquel Gomes de Pinho.

“O flagelo dos animais de rua é contínuo” seja a nível municipal ou intermunicipal e os espaços estão lotados, alertou a vice-presidente da Ani S. João ao labor.

Os animais têm sido cada vez mais alvo de discussão na sociedade portuguesa e têm conquistado alguns direitos. Um deles é a criminalização dos maus tratos ou do abandono de animais domésticos. “A criminalização dos maus tratos a animais está mal construída por uma simples questão. Ela devia de ser estendida a todos os animais”, explicou Raquel Gomes de Pinho. A aprovação desta lei é “um pequeno passo, mas é ainda muito pequeno”, considerou a vice-presidente da associação ao labor.

Um outro direito conquistado é a lei do não abate de animais. “Faz-me muita confusão viver num país em que a forma de controlo animal é através do abate. Perderam-se muitas vidas no meio disto”, considerou a vice-presidente da Ani S. João, demonstrando preocupação em relação à forma como os “canis vão conseguir controlar esta questão” e ao flanco desta nova lei que permite o abate em casos de “comportamento antissocial e questões de saúde”. O que nos leva a outro aspeto que é a esterilização. “A esterilização já tinha de ter começado há quatro ou cinco anos” e devia de “ser algo contínuo para controlar a população”, indicou Raquel Gomes de Pinho.

O Governo disponibilizou 500 mil euros para a esterilização de animais em todos os canis municipais e intermunicipais do país, dos quais 30 mil foi o valor limite dado ao Canil Intermunicipal da Associação de Municípios de Terras de Santa Maria que serve seis municípios (Arouca, Espinho, Oliveira de Azeméis, Santa Maria da Feira, S. João da Madeira e Vale de Cambra). “Parece muito, mas não chega”, garantiu Raquel Gomes de Pinho.

A vice-presidente da Ani S. João chamou ainda a atenção para “o problema das matilhas assilvestradas” que deviam de ser “controladas” e devia de ser dada “formação técnica específica para que quem faz a captura dos animais possa levar a cabo o programa RED – Recolha, Esterilização e Devolução”. A procriação caseira sem qualquer tipo de controlo e a preferência em comprar um animal doméstico em vez de adotar são alguns dos problemas que têm sido os grãos na engrenagem neste que “deveria de estar a ser um ciclo de entrada e saída de animais”, concluiu Raquel Gomes de Pinho ao labor.

 

Adoções de animais à Ani S. João

150 em 2015

120 em 2016

110 em 2017

50 em 2018 (até 25/09/2018)

 

 

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