Oposição não concorda com diminuição do número de lugares de estacionamento no centro da cidade

 A reabilitação das ruas adjacentes da Praça Luís Ribeiro arrancou no início desta semana, tendo uma delas – a Rua Colégio Castilho, que liga a Avenida Dr. Renato Araújo à Rua Oliveira Júnior – estado em destaque na reunião de câmara do passado dia 25.

No caso desta artéria de S. João da Madeira, assim como nas ruas Dr. Maciel, José Oliveira Júnior, Alão de Morais, Santo António e 11 de Outubro, onde os trabalhos também vão ter lugar, o objetivo do executivo municipal é “corrigir e substituir os pavimentos degradados – com remoção dos bancos e estrados em madeira -, bem como equipamentos e mobiliário urbano, incluindo a requalificação dos contentores subterrâneos”, conforme o labor noticiou em edições anteriores.

Mas por falar na “requalificação dos contentores subterrâneos”, esta é uma “empreitada” que, na ótica da oposição, “devia estar em execução há bastante tempo”. E relativamente à Rua Colégio Castilho, “não concordamos com o que se vai fazer”, porque “vamos ficar privados de lugares de estacionamento”, defendeu Paulo Cavaleiro esta última terça-feira.

Ainda a propósito do centro da cidade, o vereador da coligação do PSD/CDS-PP questionou a maioria sobre o projeto da Praça Luís Ribeiro: “Vai haver discussão ou não? Já há projeto?”. “Já estamos em setembro”, acrescentou.

“É nossa convicção que todos vão ficar satisfeitos”

Sobre a Rua Colégio Castilho, Jorge Sequeira começou por dizer que esta “é uma matéria que nos divide”, porque “entendemos que aquela rua não é um parque de estacionamento”. Aliás, “ao redor da Praça, temos dois parques de estacionamento a pouquíssimos metros a pé”, fez questão de lembrar o líder da autarquia.

Contrariamente à coligação, o executivo PS quer proporcionar “mais condições para os peões circularem”, sendo “nossa convicção que todos vão ficar satisfeitos” no final, referiu o autarca.

Dar prioridade aos peões

Tal como o jornal já avançou oportunamente, o projeto, da autoria do arquiteto do Município Rui Faria, propõe “uma convivência segura e distinta na relação entre o peão e o automóvel, assente na prioridade atribuída ao peão na circulação e mobilidade, concorrendo assim para uma imagem urbana organizada e cuidada, que seja apelativa e convidativa para a fruição e permanência de pessoas, com consequências diretas para o dinamismo económico do comércio tradicional aí existente”.

Na memória descritiva do projeto é também referida a “coerência e unidade do desenho de todos os arruamentos a intervencionar, conferindo a este tecido urbano uma escala de maior amplitude no contexto da cidade, espelhando uma forte imagem, com identidade própria e emblemática, com capacidade de a projetar para o exterior”.

E, precisamente, nesse sentido está prevista a remoção dos pavimentos em madeira e dos bancos situados adjacentemente às faixas de circulação automóvel, a reparação de piso degradado e abatido, o reposicionamento de mobiliário urbano entretanto movido dos locais originais, execução de caldeiras para árvores, a reorganização de lugares de estacionamento e a aplicação de novos dissuasores metálicos ao longo dos arruamentos, impedindo os veículos automóveis de ocupar as zonas destinadas exclusivamente aos peões.

Está projetada, igualmente, a execução de rampas suaves nos passeios, cumprindo com a legislação das acessibilidades nas zonas de passadeiras, “dotando-se o pavimento de uma superfície texturada direcional de encaminhamento dos invisuais para as passadeiras, junto às quais será aplicada uma superfície pitonada de alerta à aproximação da faixa de circulação rodoviária”.

Refira-se ainda que, “com o objetivo de acompanhar as naturais dinâmicas do comércio tradicional de rua”, é proposta “a salvaguarda de espaço público livre junto aos estabelecimentos”, de forma “a suportar e fomentar” a vivência do espaço público “com esplanadas e outras iniciativas de cariz cultural que possam ser promovidos pelos comerciantes no desenvolvimento da sua própria atividade económica”.

As intervenções vão provocar “inevitáveis constrangimentos à mobilidade, o que virá a acontecer também nas restantes ruas a intervir, pelo que a câmara”, em comunicado enviado ao labor, “agradece a compreensão dos moradores das zonas em causa, bem como de transeuntes e automobilistas”.

Recorde-se que esta é uma obra de cerca de 250 mil euros e financiamento a 85% com fundos comunitários no âmbito do Plano Estratégico de Desenvolvimento Urbano (PEDU).

Praça: realização de eventos assegurada

Quanto à Praça Luís Ribeiro, Jorge Sequeira apenas informou Paulo Cavaleiro que “decorrem reuniões com os arquitetos”. Entretanto, já no final da reunião em declarações às jornalistas, adiantou que é intenção da edilidade sanjoanense “retirar [do projeto] o parque de estacionamento que estava previsto para o coração da praça” e assegurar “a utilização da praça para eventos festivos”.

“Não vamos pôr nenhum elemento físico ou arquitetónico que comprometa essa utilização”, garantiu.

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