Virado do avesso

Jorge A. Silva

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Desonestidade intelectual ou ignorância?

Começo por dizer ao que venho: João Almeida, na sua crónica semanal, publicada no Labor do passado dia 20, compara o incomparável ao tentar estabelecer paralelo entre um festival de cultura (Hat Weekend) e uma festa de “comes e bebes” (Festa do Gin).

Para ser, de facto, honesto, ou pelo menos manifestar conhecimento de causa, João Almeida deveria ter comparado a Festa do Gin com a Cidade no Jardim, eventos com características semelhantes. Ambos oferecem comidas e bebidas e momentos musicais.

Mas, lamentavelmente, para efeitos de ganho político, usando de alguma desonestidade intelectual ou demonstrando ignorância, preferiu confundir a “beira da estrada” com a “estrada da beira”, ou dito de forma mais clara, confundir o “Piquenicão” com o “Imaginarius”.

Esta crónica deixa também perceber que a coligação PSD/CDS-PP não aprendeu nada com a estrondosa derrota eleitoral. Continuam convencidos que as eleições eram para uma qualquer comissão de festas (teriam ganho) e não para um órgão de poder local como é a Câmara Municipal.

A soberba e a falta de argumentos leva-os a esquecerem-se que os sanjoanenses repudiaram, de forma esmagadora, o tipo de cidade que a coligação propunha, preponderantemente, de festas e festarolas.

O principal objetivo de uma equipa que se propõe dirigir a câmara deve ser, antes de mais, o de responder aos anseios dos munícipes e não organizar festarolas em que a maioria dos presentes são respeitáveis habitantes de lugares limítrofes de São João da Madeira, logo não votantes. Mas, infelizmente para a coligação PSD/CDS-PP, o ego dos seus membros fica cego com as enchentes, não percebendo que se continuarem a insistir neste erro jamais voltarão ao poder.

 Falácia ou forças de bloqueio?

Diz Paulo Barreira na sua crónica publicada no jornal “O Regional” e que cito com a devida vénia:

“No passado recente, o anterior executivo PSD/CDS-PP, deixou bem vincada a marca de cidade verde e colorida, para espanto da quase generalidade da população sanjoanense e para quem nos visita, o estado dos espaços verdes passaram num curto período de tempo a um descuido incompreensível, tamanha é a falta de manutenção e limpeza!”. Diz ainda…  “Lembro que no mandato anterior, liderado por um executivo PSD/CDS-PP o número de técnicos de jardinagem eram os mesmos! Lembro, que as ferramentas e utensílios são os mesmos! Lembro também, que a autarquia não era gerida pelos mesmos, agora no poder…”.

Será legítimo pensar que a atual equipa dirigente da Câmara Municipal tenha dado instruções para que os espaços verdes fossem negligenciados? Será que de facto esta situação se verifica? Eu, por exemplo, tenho ouvido muitos sanjoanenses que vivem em bairros sociais dizerem que os espaços verdes nos seus bairros estão muito bem arranjados.

A afirmação de Paulo Barreira quanto aos recursos humanos e materiais serem os mesmos presta-se a alguma especulação. Senão vejamos: os jardineiros deixaram de ter brio no seu trabalho? Os responsáveis pelo trabalho dos jardineiros deixaram de ser competentes? Ou estaremos perante uma força de bloqueio que usa a seu belo prazer as suas competências para desestabilizar uma nova equipa e persistindo no velho hábito de alguns dos funcionários públicos defender a sua quinta e concorrer para a criação de um facto político? Claro que tudo isto é pura especulação (em que me recuso acreditar) inspirada na crónica em análise que para atingir uns fragiliza outros.

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