O período de antes da ordem do dia da Assembleia Municipal de 28 de setembro demorou cerca de duas horas, das 21h30 até às 23h30, devido à acesa troca de opiniões entre deputados da coligação PSD/CDS, do PS e o presidente da câmara Jorge Sequeira.             A intervenção de Gonçalo Fernandes, deputado da coligação PSD/CDS, começou com felicitações à Associação de Jovens Ecos Urbanos e à câmara pelo “sucesso” da 20.ª Semana da Juventude. A seguir, começaram as depreciações ao atual executivo. A começar pelo Festival do Chapéu que “falhou”, “deixou um sabor a poucochinho” e teve “pouca visão de futuro”, mas “tem todas as condições para continuar”, afirmou Gonçalo Fernandes. A depreciação continuou com o Gin and Street Food pelo facto de ter sido “na última noite do Festival do Chapéu que (a câmara) decidiu fazer o Gin”, acusou o deputado da coligação PSD/CDS, insinuando também que a atuação do artista João Só, prevista na Casa da Criatividade e depois nos Paços da Cultura, passou “à última hora” para o Gin que teve “o centro da cidade cheio”. Apesar de “termos tido alguns problemas com a visão, tenho a certeza que ainda somos um concelho onde se faz futuro”, ironizou, novamente, Gonçalo Fernandes com o slogan “Visão de Futuro” da campanha eleitoral de Jorge Sequeira. A “onda” da depreciação continuou com o homólogo Pedro Gual a atingir a educação, a maior bandeira do programa eleitoral dos socialistas. Quase um ano depois da tomada de posse de Jorge Sequeira, a educação é “uma paixão puramente platónica porque não passa do campo das atitudes”, atiçou o deputado da coligação do PSD/CDS, apontando a instalação tardia do Conselho Municipal da Educação, a “pouca ou nenhuma” intervenção no parque escolar, a limpeza dos espaços verdes das escolas, o encerramento do Programa Escola Solidária e o não funcionamento da ferramenta “Transparência” do site do Município. A intervenção na Escola Serafim Leite e a limpeza das escolas não são uma competência direta da câmara, mas a oferta de um carro à PSP também não era e foi feita, constatou Pedro Gual. A depreciação deu lugar à acusação com Paulo Barreira a dizer que o presidente Jorge Sequeira está a “deixar-se contagiar pela política de duas caras do seu partido”, seja na limpeza e manutenção dos espaços verdes, na realização de eventos ora “criticados” e agora “adotados”, na uma hora de educação física semanal que está como diária no programa eleitoral e nas novas piscinas pelo facto de estar acompanhado de socialistas que votaram contra a construção de novas piscinas municipais no mandato anterior. O deputado da coligação PSD/CDS questionou Jorge Sequeira se é a “acabar com a marca verde que demorou anos a ser construída” que quer “ser o diretor comercial de S. João da Madeira”. Já a homóloga Susana Lamas considerou que a “marca” da educação dos socialistas está a ser tal e qual como “uma paixão de Verão” que “fica esquecida na praia”, mas que será “reavivada” por um conjunto de medidas a ser apresentadas pela coligação.

Jorge Sequeira acusa PSD/CDS de terem sido “incompetentes na espionagem inteletual”

O deputado socialista Artur Nunes foi o primeiro a retorquir os “ataques” da bancada da coligação através do balanço do primeiro ano de mandato de Jorge Sequeira. Um ano em que foi possível “devolver aos sanjoanenses a confiança, a tranquilidade e o prazer de viver tirado pelo PSD/CDS”, descreveu Artur Nunes.

Por sua vez, Rodolfo Andrade, líder da bancada socialista, entendeu que o período de antes da ordem do dia “tão vazio de críticas” significa que estão num “bom caminho”. Mesmo assim decidiu contradizer algumas das críticas. A começar pelos espaços verdes, nomeadamente pelos parques que “nunca foram limpos nos últimos anos”. No que diz respeito à programação de Verão, “não há memória” de outra “tão animada e participada como este ano”. Já o Gin “tanto se especulou e inventou sobre o mesmo que acabou por ser um sucesso”, ripostou o líder da bancada socialista. Relativamente à medida de uma hora de educação física por dia, as medidas do plano eleitoral têm quatro anos para ser postas em prática, explicou Rodolfo Andrade.                                                                 O presidente da câmara, Jorge Sequeira, considerou que a animação de Verão foi descrita com base em “questões de opinião e de facto”. Para a sua análise, Jorge Sequeira, decidiu deixar de lado a sua opinião e cingir-se aos factos. “A animação que a câmara municipal proporcionou aos sanjoanenses foi altamente positiva e satisfatória”, “diferente do que sucedeu noutros anos” e “em muitos aspetos inovadora”. Desde o lançamento da Fan Zone “até elogiada pela oposição” que “levou milhares de pessoas à Praça”, o Festival do Chapéu com uma programação “eclética” e de “elevada qualidade” que “para o ano será seguramente melhor”, os espetáculos “inovadores” durante o mês de agosto em vários pontos da cidade, até ao Gin que teve “a melhor edição de sempre”, elencou o presidente da câmara, revelando que só “no primeiro dia” venderam-se “mais gins do que nos três dias da última edição”. A decisão de fazer o Gin foi “minha e nunca decidi não fazer o Gin”, afirmou Jorge Sequeira, contrariando assim as afirmações anteriormente referidas pela coligação e acusando os seus membros de terem sido “incompetentes na espionagem inteletual porque não leram bem as minhas ondas cerebrais”. O presidente refutou ainda a afirmação de que o Festival do Chapéu não envolveu o associativismo através dos projetos Fundição de Memórias da Associação de Jovens Ecos Urbanos que esteve “sempre lotação esgotada” e a exposição sobre a Praça do Trilho que está patente no piso onde decorreu a Assembleia Municipal. Posto isto, “os senhores é que estão a desvalorizar com esse discurso uma marca da cidade”, destacou Jorge Sequeira, frisando: “não retiro valor a nada feito no passado e saúdo o PSD pelo lançamento do Gin e da candidatura do Festival do Chapéu. Nunca me viram a desvalorizar o que quer que fosse a este respeito”. Apesar de “muitos julgarem que não conseguíamos fazer as coisas porque não tínhamos experiência, na verdade tudo aconteceu bem e aconteceu melhor”, considerou o presidente da câmara depois de ter ouvido críticas sobre a educação, a “prioridade” deste executivo, assumindo que, quase um ano depois de ter tomado posse, é a área que “mais me orgulha”.

“Oposição construtiva não vai mudar por usar um tom de voz mais grosso”

A cidade “não vive uma situação calamitosa” no que diz respeito à limpeza e manutenção dos espaços verdes, afirmou Jorge Sequeira, indicando que a câmara, que já teve 60 jardineiros, conta com pouco mais de 20 e desde que tomou posse perdeu cerca de cinco jardineiros do quadro. “À medida que fomos perdendo jardineiros, as áreas verdes foram aumentando”, apontou o presidente. Entretanto, a câmara municipal recorreu ao Instituto de Emprego e Formação Profissional para recrutar pessoas para garantir os serviços durante o período de férias dos jardineiros, mas apenas um dos candidatos ficou ao serviço. Numa segunda fase apareceram vários candidatos que demonstraram não ter interesse em trabalhar neste setor e a câmara acabou por recorrer aos serviços de uma empresa privada. A acusação de “ter duas caras” foi retribuída, desta feita, por Jorge Sequeira a Paulo Barreira pelo facto de ter estado com ele durante a limpeza a fundo do Parque dos Milagres e agora criticar a mesma e por ter feito publicações com imagens de “espaços maltratados” na cidade, uma semana antes do Festival do Chapéu, considerando, sarcasticamente, que prestou “um bom serviço” enquanto deputado da assembleia, presidente da Associação Comercial e comerciante.                                                     “Não gostei do modo como se dirigiu à bancada do PSD/CDS”, protestou o deputado Gonçalo Fernandes, aproveitando para esclarecer que “nunca dissemos mal” do Festival do Chapéu. Os deputados da coligação entendem que o Festival do Chapéu, com o orçamento de 200 mil euros, comparticipados em 85% por fundos comunitários, devia ter tido um maior impacto. O deputado, em nome dos homólogos da coligação PSD/CDS, reforçou que “vamos continuar com esta oposição construtiva que não vai mudar por usar um tom de voz mais grosso”. O deputado Paulo Barreira fez uma intervenção em “defesa da honra” pelo facto de o presidente Jorge Sequeira ter “misturado” o seu papel como deputado daquele órgão, presidente da associação comercial, comerciante com o de cidadão. “Não posso ter sentido crítico?”, questionou Paulo Barreira. O presidente Jorge Sequeira respondeu não ter tido “intenção de ofender a honra ou alguém”.

“Se assim continuar não sei se permaneço nesta casa”

A dado momento, Jorge Cortez, deputado da CDU, decidiu “protestar contra todos aqueles que nesta tribuna usaram de forma tão grandiosa as festas da cidade como se fosse a razão da nossa vida enquanto autarcas”. Os deputados deviam de “bater rijo” em temas “concretos” como “os passeios” ou “os problemas das escolas”, completou.                    “Se assim continuar não sei se permaneço nesta casa. Não vale a pena, então em minoria não vale mesmo a pena”, avisou Jorge Cortez, o deputado com mais anos de presença naquele órgão entre todos os eleitos nas últimas eleições autárquicas. Jorge Sequeira limitou-se a dizer que “o presidente responde às questões colocadas”. Uma das intervenções do público ficou marcada igualmente pelo desapontamento em relação ao desempenho dos deputados eleitos para debater e deliberar sobre temas estruturantes para a cidade. “Sinto-me altamente frustrada pelo início desta Assembleia Municipal. Até envergonhada. Parecia uma luta de egos”, descreveu, assim, a munícipe Raquel Gomes de Pinho, a sessão.                                                                                                           A Assembleia Municipal continua no dia 8 de outubro, pelas 21h15, no Fórum Municipal.

 

 

 

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