Porque as mulheres cantam melhor …

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Mário Pessegueiro

Lhasa de Sela

Chavela Vargas

Melanie De Biasio

Porque as mulheres cantam melhor ….

Existem mulheres cantoras que conseguem transmitir, nas suas músicas, melodias diferenciadas, exaltando sempre grande emoção e interioridade nas suas letras.

Muitas são desconhecidas do grande público e da rádio, e por isso vale a pena relembrar alguns desses nomes, para que não fiquem esquecidos os seus enormes talentos.

– Lhasa de Sela (1972-2010), mexicana naturalizada canadiana, cantava em várias línguas como Espanhol, Francês e Inglês. Chegou a atuar por duas vezes em Portugal dando um concerto memorável na Aula Magna em Lisboa ( 2004) e ainda em Famalicão.

O seu 1.º EP, “The living road”, assenta em orquestrações “ecléticas” misturando música mexicana, com “Klezmer”. Este último, um estilo musical de origem judaica, não litúrgico, que veio a influenciar grandes músicos norte americanos. Um exemplo deste estilo musical é, aliás, o grupo português “Melech Mechaya . De Lhasa de Sela foram notáveis músicas como “Com toda la palabra”, El desierto” ou “de cara a la parede”, entre muitas outras .

– Chavela Vargas, (1919-2012), porto-riquenha, foi adotada e acarinhada no México. Tardiamente ganhou grande relevo na Europa, após ter participado nas bandas sonoras de filmes de Pedro Almodôvar e no filme biográfico de Frida Kahlo, de quem foi aliás amiga na vida real. A sua voz é rasgada e “desesperada”, com certo timbre alcoólico, sendo que as suas letras evocam histórias de amores sofridos e revoltados. A ouvir músicas como “Sino te vas “, La Llorona” e “Paloma negra”. Chavela Vargas foi ainda motivo de um filme biográfico lançado em agosto do ano passado, no qual participa Pedro Almodôvar.

Mas trazendo o leitor para cantoras que ainda pode ver ao vivo recomenda-se Melanie De Biasio, de nacionalidade belga, cantando frequentemente em Inglês. As suas raízes são o jazz, na sonoridade que conhecemos em tantos intérpretes. No entanto, De Biasio, a partir do seu álbum “No deal“, conseguiu uma viragem musical inovadora que lhe trouxe maior aproximação com o público . Os seus concertos são francamente tocantes e introspetivos .

Infelizmente ainda não veio a Portugal. Destacam-se músicas como “I’ m gonna leave you”, “The flow” ou ainda o longo tema “Gold junkies”.

No próximo número, surgirão outros nomes de cantoras/compositoras que valerá a pena ouvir…por que afinal talvez as mulheres cantem melhor.

 

 

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