O “novo desafio” é o projeto de lei que pede a integração de Milheirós em S. João da Madeira, mencionou o autarca Jorge Sequeira

O programa de comemorações dos 92 anos da Emancipação Concelhia de S. João da Madeira começou no dia 11 de outubro, Feriado Municipal, com a missa em memória de autarcas e funcionários falecidos, a romagem aos cemitérios, o hastear das bandeiras e a sessão solene no Fórum Municipal.

O presidente da câmara, Jorge Sequeira, mencionou no seu discurso que o “bom uso das instituições políticas gera o progresso e o desenvolvimento das populações”. No caso concreto de S. João da Madeira, permitiu a sua emancipação do concelho de Oliveira de Azeméis a 11 de outubro de 1926.

“Uma data marcante na nossa história e singular na história do país” pelo facto de desde 1926 até aos dias de hoje terem sido “poucos os territórios que se emanciparam no nosso país”, destacou Jorge Sequeira. A Emancipação Concelhia de S. João da Madeira é um “fenómeno” que aconteceu devido à “energia, força e convicção” dos sanjoanenses, é “a prova da singularidade deste povo” e, acima de tudo, é a “herança” deixada pelo Grupo Patriótico Sanjoanense, salientou Jorge Sequeira, citando o decreto de lei que oficializou a independência sanjoanense: o Município era considerado o “centro industrial mais importante do distrito de Aveiro” e o seu progresso económico e social estava a ser “prejudicado, sufocado pela sua inferior categoria administrativa”.

O autarca também falou de “um novo desafio” que é o projeto de lei que pede a integração de Milheirós de Poiares em S. João da Madeira, apresentado por deputados do PS e do BE, a 28 de setembro, na Assembleia da República. “Aguardamos serenamente a decisão a esse respeito”, disse Jorge Sequeira, assegurando que “acolhemos a pretensão de Milheirós de Poiares de se integrar em S. João da Madeira” e, ao mesmo tempo, “queremos sempre e em qualquer circunstância manter excelentes relações com os concelhos vizinhos”.

A prova de que este “território é pequeno em dimensão, mas grande em valor” está na construção das mais diversas infraestruturas, das suas lutas políticas – incluindo a vitória dada ao General Humberto Delgado -, das lutas dos trabalhadores, disse Jorge Sequeira. O autarca recorreu ao indicador conquistado há algum tempo por S. João da Madeira como sendo uma das “mais qualificadas em termos de qualidade de vida” para, pouco depois, apresentar um outro relacionado com a educação, aquela que é a sua bandeira eleitoral, salientando que “mais de 50% das crianças que frequentam a nossa rede escolar são oriundas de concelhos vizinhos”. Por mais uma vez, Jorge Sequeira, quis deixar passar a mensagem de que “a democracia e as instituições quando funcionam bem produzem bons resultados”, mencionando todos os projetos implementados ou em vias de ser concretizados ligados às áreas da educação, ação social e obras públicas pelo seu executivo. O autarca cessou a sua intervenção com a promessa de que “agindo com persistência, confiança e humildade” e “com honra nela (independência conquistada) continuaremos a projetar o nosso futuro”.

“Pretendemos fazer história com a nossa história”

As questões “De onde vimos?” e “Para onde vamos” são “importantes” nas comemorações dos 92 anos de Emancipação Concelhia, começou por dizer Clara Reis, presidente da Assembleia Municipal. “Queremos honrar a história e que seja mais e melhor conhecida”, continuou Clara Reis, anunciando que, para isso, o Município lançou um projeto de aprendizagem das raízes junto das escolas para que daqui a um ano esta conquista esteja a ser celebrada com “mais conhecimento”. Por outras palavras, “pretendemos fazer história com a nossa história”, concluiu a presidente da assembleia.

E por falar em história, uma nova referência histórica nasceu precisamente com a intervenção anterior de Ana Francisca Cunha, representante da Assembleia Municipal Jovem, que já tinha discursado nas comemorações do 25 de Abril, porque, pela primeira vez, estes atos formais estão a contar com uma “perspetiva mais jovem”. O projeto Assembleia Municipal Jovem começou no ano passado com os alunos sanjoanenses a tornarem-se deputados e a darem voz àquilo que pensam e querem para a cidade. A Assembleia Municipal Jovem foi uma das “melhores e mais marcantes” experiências de Ana Francisca Cunha, assumiu a própria em representação de todos os participantes neste projeto. Por isso, “obrigada à autarquia por essa atenção que nos é dada. É bom sermos ouvidos e termos um lugar a ocupar”. “A escola é a nossa base e é o início de tudo” e a “autarquia está mais próxima da escola, mais próxima dos jovens”, reconheceu Ana Francisca Cunha, considerando que este é um passo dado no sentido de “um futuro melhor para S. João da Madeira”.

“Não sabemos muito bem como vão ser as 50 profissões que vêm aí”

Entre as primeiras palavras de Maria Fernanda Rollo, secretária de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, estiveram “gratidão” e “orgulho” por estar perante uma “sala cheia”, onde estão presentes as “relações entre as diversas instituições” e a preocupação em “olhar sobre o nosso país”. Se, por um lado, devemos “celebrar o que temos de bom”, por outro temos de unir esforços para “construir um mundo melhor”, destacou Maria Fernanda Rollo, sem deixar de “honrar o passado, os mais velhos e de investir nos mais jovens”.

E como “a maior ferramenta para construir é o conhecimento das pessoas”, “S. João da Madeira escolheu bem e na altura certa (a sua emancipação)” e “continua a ser um exemplo de imensas maneiras”, reconheceu a secretária de Estado.

Entre as conquistas mais recentes está a construção da Sanjotec que é “um orgulho pelos seus resultados, uma referência ao nível dos parques industriais e não são todos no país que têm este sucesso”, frisou Maria Fernanda Rollo.

A secretária de Estado destacou ainda a prestação das escolas secundárias sanjoanenses pela taxa de sucesso acima dos 90% nos cursos científicos-humanísticos e de 89% nos cursos profissionais, bem como alertou para o indicador de que um em cada três jovens não segue o ensino superior. Um dos desafios futuros das escolas vai ser precisamente “a disponibilidade de recursos humanos”, “vamos ter de pensar nisto com muita seriedade”, porque “não sabemos muito bem como vão ser as 50 profissões que vêm aí”, indicou a secretária de Estado.

DR

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here

Loading Facebook Comments ...