A exposição “Intersticial: Diálogos no Espaço entre Acontecimentos II” sobre a arte portuguesa na Coleção Norlinda e José Lima, com a curadoria de Miguel von Hafe Pérez, pode ser visitada desde o dia 19 de outubro no Núcleo de Arte da Oliva.

Os visitantes podem comtemplar e refletir sobre 80 obras de 50 artistas portugueses, entre os quais Paula Rego, Ana Vieira, Helena Almeida, Ângelo de Sousa, António Palolo, Fernando Calhau, Joaquim Bravo, Jorge Molder, Julião Sarmento, Rui Chafes, Francisco Topa, Susanne Themlitz, André Cepeda, João Maria Gusmão e Pedro Paiva entre muitos mais.

Tudo começou com “Intersticial: Diálogos no Espaço entre Acontecimentos I”, a primeira exposição com obras única e exclusivamente de artistas portugueses, logo uma exposição totalmente dedicada à arte portuguesa, que esteve patente, desde 25 de maio até 7 de outubro deste ano, no Núcleo de Arte da Oliva. A homenagem aos artistas e à arte portuguesa continua com esta parte dois que pode ser visitada de terça-feira a domingo, das 10h30 às 18h00, até ao dia 17 de fevereiro em S. João da Madeira.

O facto de este ser o segundo momento da primeira exposição dedicada por completo aos artistas e à arte portuguesa foi destacado pela diretora Andreia Magalhães durante a inauguração desta exposição, a 19 de outubro, que assinalou o 5.º aniversário do Núcleo de Arte. O catálogo desta mesma exposição será “lançado em novembro”, adiantou Andreia Magalhães aos presentes. Relativamente ao pedaço do Muro Berlim, adquirido este ano pelo casal Lima, a sua localização para ficar em exposição deverá de ser escolhida “até ao fim do ano”, mencionou ainda a diretora do Núcleo de Arte.

A intervenção do presidente da câmara, Jorge Sequeira, começou com um agradecimento àqueles que “criaram condições para aqui estarmos” no Núcleo de Arte, espaço cultural inaugurado a 19 de outubro de 2013, referindo-se especificamente ao seu antecessor Ricardo Figueiredo pela “persistência”, “opção política” e “visão de futuro”.

Tendo em conta que S. João da Madeira é a cidade mais pequena do país “ter um equipamento desta envergadura é algo absolutamente notável”, salientou Jorge Sequeira, assumindo ser “nosso dever potenciá-lo em Portugal, na Europa e no mundo”.

Um trabalho “feito ao longo dos últimos cinco anos e que continuará a ser feito no futuro”, garantiu o autarca, anunciando, nesse sentido, o projeto em curso de “renovação” da imagem e do site do Núcleo de Arte “ao nível dos melhores museus do mundo”.

Os agradecimentos continuaram, desta vez, a Norlinda e José Lima pelo “seu trabalho a construir esta coleção” que é uma de duas em depósito no Núcleo de Arte da Oliva, disse Jorge Sequeira, considerando que “uma obra de arte só faz sentido quando é partilhada”. E o “desejo”, a “ambição” e a “obsessão” de José Lima era precisamente “partilhar as obras com as pessoas”, relembrou o autarca, destacando ainda a qualidade dos curadores.

Os agradecimentos deram lugar a uma homenagem a Victor Costa que esteve “na génese” deste projeto, mencionou Jorge Sequeira, considerando que “honrar o passado é fundamental para construir o presente e o futuro”. “O homem na génese” do Núcleo de Arte foi “Castro Almeida”, complementou José Lima, agradecendo, a seguir, a Ricardo Figueiredo pelo “trabalho” desenvolvido, trabalho esse com “alguns encontros e desencontros” entre os dois. O colecionador desde sempre foi muito crítico quanto à forma como a autarquia estava a trabalhar na comunicação, promoção e atração de novos públicos para o Núcleo de Arte. Contudo, José Lima, pela primeira vez, assumiu que os encontros com Ricardo Figueiredo foram “ótimos” e quanto aos desencontros pediu “desculpa”. O colecionador, tal como no primeiro momento desta exposição, dirigiu os agradecimentos a todos os presentes porque os artistas e todos os demais ligados a este projeto recebem agradecimentos sempre.

“Portugal continua a ser um país onde cerca de 80% dos artistas vivem na precariedade absoluta”

O curador Miguel von Hafe Pérez pediu para não falarem de números quando estamos perante obras de artistas de referência no Núcleo de Arte da Oliva, em S. João da Madeira, recordando que recentemente neste mesmo espaço estiveram patentes obras do artista tailandês Apichatpong Weerasethakul que podiam ter estado em qualquer outro espaço cultural do mundo.

Para o curador é muito simples, “devíamos valorizar este homem e esta mulher (casal Lima) por estarem a colecionar obras ao longo de 30 anos” de artistas portugueses e internacionais. Apesar destes colecionadores e de tantos outros valorizarem a arte e os artistas portugueses, “Portugal, em pleno século XXI, continua a ser um país onde cerca de 80% dos artistas vivem na precariedade absoluta”, salientou Miguel von Hafe Pérez.

DF
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