O projeto multidisciplinar da autoria da Associação Cultural e Recreativa (ACR) É Bom Viver, vencedor do Orçamento Participativo Municipal (OPM) 2016, encheu a maior sala de espetáculos da cidade de S. João da Madeira (SJM) no passado domingo, dia 21 de outubro.

O público compareceu “em peso” para ver “mais de 80 atores amadores” a darem corpo e, sobretudo, alma ao espetáculo “Unhas Negras”. Uma adaptação livre do romance homónimo de João da Silva Correia, dedicado à vida dura dos chapeleiros de outrora, com produção e realização de Artur Perestrelo, professor de Animação da ACR É Bom Viver.

Quem veio à Casa da Criatividade foi transportado “ao tempo em que a sobrevivência diária era um desafio e em que a luta pelos direitos básicos ao trabalho e à dignidade era quase uma utopia”. Uma realidade que, bem vistas as coisas, nem está muito longe de muitas realidades que continuam a ser vividas por  alguns nos dias de hoje.

Artur Perestrelo quis transmitir “uma mensagem de esperança na busca de um sentido mais profundo para a vida”, num “espetáculo que traz o passado para o presente, sempre com a visão de que um futuro melhor se fundamenta nos pilares da compaixão, entreajuda e respeito entre os homens”.

Espetáculo pode vir a ser repetido

É possível que esta representação, que vai “do teatro ao tecnológico, da máquina ao homem, do sentido à falta de sentido da vida, do lírico ao rock, passando pelo experimentalismo, venha a ser repetida em SJM ou até além-fronteiras concelhias, “em tournée”. Pelo menos, Artur Perestrelo e a presidente da direção da ACR É Bom Viver, Natália Andrade, disseram ao labor que “gostávamos muito” que isso acontecesse.

Mas tal “carece da vontade da autarquia” e de todos os que participaram nesta primeira vez. “Montar isto não é fácil”, fez ver ao nosso jornal o produtor que para concretizar esta ideia foi ao encontro de outros grupos e associações, sanjoanenses e não só.

“Fazer isto sozinhos, como associação, não era viável”, admitiu, acrescentando que com o OPM “apareceu-nos uma porta muito interessante para podermos fazer um trabalho comunitário com o tema dos 90 anos do concelho”.

Artur Perestrelo demorou cerca de dois anos a executar esta proposta da ACR É Bom Viver que venceu o OPM por altura do 90.º aniversário da Emancipação Concelhia. A sua concretização custou “à volta de 8.700 euros” e envolveu, para além da agremiação onde dá aulas de teatro e coro, a Associação de Jovens Ecos Urbanos de SJM, CERCI de SJM, Tuna dos Voluntários de SJM, “A TRuPe” da Associação Abraçar Milheirós de Poiares, o músico sanjoanense João Guilherme e The House of Drummers. Contou ainda com o apoio do Município.

“O balanço é positivo”, referiu Artur Perestrelo, fazendo questão agradecer em particular aos técnicos da Casa da Criatividade, para quem confessou ter sido “exigente”.

Já Natália Andrade ficou “bastante contente ao ver os grupos contentes com o trabalho”.“Nos camarins parecíamos uma família, havia companheirismo”, sublinhou a dirigente associativa. 

Teatro da É Bom Viver vai a Fundo de Vila

Depois deste grande momento teatral, a secção de teatro da Associação Cultural e Recreativa É Bom Viver vai representar a peça que levou ao Festival de Teatro (FT) de S. João da Madeira deste ano, “O campo e a cidade”, em Fundo de Vila. O convite partiu da junta de freguesia.

Depois disso, seguem-se o próximo FT e as comemorações do Dia Internacional dos Museus, a 19 de maio, dois eventos para os quais também já foram convidados.

Composto por aproximadamente 15 utentes, com a mais velha a ter 92 anos de idade e a mais nova cerca de 70, este grupo não para, no sentido literal da palavra, tendo participado, por exemplo, no FT nos últimos três anos.

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