“Os dados terão sido extraídos com boas intenções, mas estão a ser usados por terceiros”, informou Hélder Andrade, comissário da PSP, ao labor

A abordagem de uma mulher, alegada representante comercial da EDP, a moradores dos prédios na zona da Mourisca, em S. João da Madeira, durante a segunda semana de outubro, levantou algumas suspeitas, terminando, no caso de uma das visitas, com a chamada da PSP ao local, tal como noticiou, na altura, o labor.

Uma munícipe deu a conhecer ao nosso jornal que uma mulher e um homem, que se identificaram como representantes comerciais da EDP, andaram a pedir porta a porta para ver os contadores, fazer a sua leitura e ver as faturas de fornecimento de luz e gás.

Tanto esta mulher como o homem, também ele alegado representante comercial da EDP, que andava a fazer o mesmo contacto porta a porta noutros prédios ali naquela zona, acabaram por ser “conduzidos à esquadra”, confirmou, Hélder Andrade, comissário da PSP, esclarecendo que “não houve qualquer tipo de furto ou burla”, conforme a notícia da nossa edição de 11 de outubro.

Naquele momento, a PSP estava numa “fase preliminar de investigação para apurar o que aconteceu em concreto”, disse Hélder Andrade.

Passados cerca de 15 dias, voltámos a receber informação que poderá estar ou não relacionada com este caso por parte de algumas moradoras da Mourisca.

Das cinco moradoras presentes, uma apenas quis estar presente sem prestar informação que pudesse ser usada por parte do jornal. Das restantes quatro, Raquel Barbosa contou que a senhora tocou à sua campainha identificando-se como representante comercial da EDP, mas acabou por não permitir a sua entrada por estar com pressa para sair de casa. E assim restam três senhoras que abriram a porta de sua casa a esta mulher que tinha um colete a dizer EDP e que confiaram ser da EDP, o seu fornecedor de luz e gás, e a quem permitiram ter acesso aos contadores, às contagens, à fatura e ao seu número de contribuinte.

Entretanto, duas destas senhoras, Maria Freitas e Regina Correia receberam uma carta da Endesa com um contrato de fornecimento de luz e gás que nunca pediram nem autorizaram.

No caso de Maria Freitas, o contrato de fornecimento da luz já foi anulado e teve de criar um novo com a EDP. Já o contrato de fornecimento de gás só poderá ser criado depois de uma auditoria ao gás. “Só espero que se resolva sem ter de ter esta despesa”, confessou Maria Freitas, extremamente sentida pela forma como abriu a porta de boa vontade e pode acabar por ter de pagar por uma coisa que não pediu muito menos autorizou.

Por sua vez, Regina Correia, tentou anular o contrato, “mas como tinham passado os 14 dias” previstos na cláusula do mesmo, acabou por não conseguir anulá-lo. Por agora, “vou pagar o que tiver de pagar até conseguir voltar para a EDP” e “apresentar queixa à DECO”. No caso da terceira moradora, Rosa Silva, ainda não recebeu carta da Endesa, esclarecendo que não tem intenção de “mudar mais” de operadora, demonstrando querer continuar a ter luz e gás através da EDP. O nosso jornal deu a conhecer a situação e pediu informação junto das duas empresas que não chegou até ao fecho da edição.

Enquanto a situação não se resolve, Regina Correia, em nome das moradoras que juntamente consigo deram a cara e voz a esta situação e de todos os outros que não quiseram estar presentes, quis dar a conhecer o que se está a passar com o intuito de “alertar” outras pessoas sejam de S. João da Madeira ou de outros concelhos, frisou ao labor.

“Não eram funcionários da EDP” e “tudo indica que houve outras pessoas no terreno”

Mais uma vez voltámos a entrar em contacto com Hélder Andrade no sentido de fazermos uma atualização do ponto de situação deste caso. “À partida é aquilo que suspeitava”, começou por dizer o comissário da PSP, confirmando a existência de “denúncias de contratos celebrados com outras operadoras que não foram celebrados pelas pessoas fisicamente”.

A mulher e o homem que foram conduzidos para a esquadra pela PSP “não eram funcionários da EDP” e “tudo indica que houve outras pessoas no terreno”, adiantou Hélder Andrade.

O comissário admitiu que estas pessoas, subcontratadas por uma entidade que não pôde identificar devido à investigação que está em curso, podem ter “extraído os dados com boas intenções que estão a ser usados por terceiros”. “Acredito que existe um contacto elevado entre as instituições” que pode estar a ser alvo de “uma fuga de informação” quando devia de ser cada vez mais difícil quebrar a proteção de dados, assumiu Hélder Andrade ao labor.

O que deve e não deve fazer nestes casos? A PSP recomenda…

Não deve permitir a entrada de pessoas que não conhece dentro da sua residência;

Não deve ceder nem permitir a pessoas que não conhece que tenham acesso ou tirem fotografias aos documentos de identificação, às faturas ou contratos celebrados com as operadoras;

Sempre que alguém quiser fazer a leitura do contador, pedir o nome e o número da pessoa que diz estar ao serviço de determinada empresa e confirmar os dados dessa pessoa junto da empresa, e só depois permitir que façam a leitura num outro dia, podendo o consumidor decidir começar a enviar ele próprio a leitura se tiver essa possibilidade.

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