A comédia de ação “Bad Investigate” passou, no dia 8 de novembro, às 21h30, nos Paços da Cultura.

O Cine S. João apresentou mais uma sessão, com sala cheia, desta vez para ver o filme, realizado por Luís Ismael, envolto numa perseguição a um perigosíssimo traficante que tem tudo para correr mal, na qual estão envolvidos um subcomissário da polícia “corrupto até à medula”, dois canastrões “que tem no bolso” e um agente do FBI. No final de “Bad Investigate”, tal como nas anteriores sessões, houve lugar a uma tertúlia entre o realizador Luís Ismael, o diretor de produção, alguns dos atores e o público.

DF

O Cine S. João é um projeto da Câmara Municipal de S. João da Madeira, com curadoria do Cine Clube de Arouca e o apoio da Associação da Promoção da Juventude (APROJ).

Este projeto foi fundado a 4 de maio de 2017 com a missão de “promover o acesso a uma programação cinematográfica diversificada e diferenciada, nacional e internacional, estimulando a captação e capacitação de novos públicos, numa lógica de educação para a cultura e para as artes”, tal como descrevem os seus criadores. E foi precisamente com eles, os criadores, que estivemos à conversa na semana passada, nomeadamente com Irene Guimarães, vereadora da Educação em representação do Município, e João Rita, presidente do Cine Clube de Arouca, não tendo sido possível contar com o testemunho de Rita Azevedo, presidente da APROJ, devido à sua ausência do país.

Neste projeto todos os intervenientes têm uma função. A câmara municipal acompanha, monitoriza, aprova a programação e apoia em termos de espaço e de logística; a APROJ trata da operação de logística e o Cine Clube de Arouca cuida da curadoria do Cine S. João.

O projeto conta com cerca de um ano e meio de sessões de cinema gratuitas que promovem os filmes portugueses e permitem contactar em modo de tertúlia com pessoas ligadas a esta arte.

A vereadora Irene Guimarães assistiu a todas as sessões de cinema, porque “considero um projeto muito importante para a cidade, para todos que gostam de cinema e para todos que podem vir a gostar”. O Cine S. João é “um projeto jovem com maturidade significativa, não só pela programação com muita qualidade, mas também por reforçar o papel da cultura na vida das pessoas, gerando conhecimento e massa crítica”, descreveu Irene Guimarães. Para além disto, este clube de cinema é “um reconhecimento do esforço e talento da arte mágica do cinema”, completou a vereadora da Educação, destacando o facto de no fim de cada sessão existir uma tertúlia que constitui “um momento mágico, de esclarecimento e de conversa crítica despretensiosa”.

O público é de “uma heterogeneidade muito grande”, desde jovens, adultos até aos seniores, representados na sua maioria através da Universidade Sénior e do Programa Sénior Ativo, destacou Irene Guimarães.

O Cine S. João é “um bom projeto que será para continuar”, em que “o acesso é gratuito, e é uma aposta muito importante da câmara municipal para levar a cultura a todos”, concluiu a vereadora ao labor.

“Estamos a fazer aquilo que outros organismos com responsabilidade deviam fazê-lo”

O Município está “num bom caminho” no que diz respeito a este projeto, que tem recebido um apoio “continuado” por parte do anterior executivo e “reforçado” com o atual, mencionou João Rita.

O presidente do Cine Clube de Arouca tem conhecimento de causa e não hesitou em dizer que este projeto, em comparação com outros semelhantes postos em prática noutros concelhos, é “o melhor”. Nós quisemos saber o porquê e a resposta foi que as “características humanas” das três entidades envolvidas são “reconhecidas” pelas pessoas e o “esforço” para terem uma tertúlia que “nos diferencia de todos os outros”. E aqui talvez seja importante fazer um parêntesis em relação às “características humanas” que passam por criar um projeto que permite o acesso gratuito à cultura para todas as pessoas sem exceção, a criação de uma “voz off” no início de cada sessão para explicar o filme que vai ser exibido e a apresentação de fotografias dos presentes em cada sessão que ficam sensibilizados pelo facto de terem estado ali e depois estarem a ser “homenageados” pela sua presença na sessão seguinte.

Apesar de não ser fácil a requisição do filme e a conciliação de agendas para os mais diversos intervenientes dos filmes estarem presentes numa tertúlia em S. João da Madeira, o Município mais pequeno do país, tem valido a pena pelo facto de “as pessoas darem força para continuarmos”, revelou João Rita ao labor.

E aqui o presidente do Cine Clube de Arouca afirmou sem receios que “nós estamos a fazer aquilo que outros organismos com responsabilidade deviam fazê-lo”, que por outras palavras quer dizer que “estamos a fazer um trabalho de promoção do cinema português que é tão bom como qualquer outro tipo de cinema”.

Um dos obstáculos encontrados pelo Cine S. João começou precisamente com a requisição dos filmes que são exibidos mensalmente. “Existe alguma resiliência das produtoras nacionais em alugar os filmes ainda que justifiquemos que somos um projeto de promoção do cinema português”, revelou João Rita ao labor.

“Outros sítios querem seguir o nosso modelo”

A tertúlia sobre “Bad Investigate” terá sido a “mais rica” devido ao grande número de pessoas ligadas ao filme e ao facto de as questões terem partido todas do público, disse o presidente do Cine Clube de Arouca, aproveitando para enaltecer Luís Ismael, quem considera ter sido “o responsável pelo ´rasganço´ do cinema português” cuja “empresa (ligada à área cinematográfica) está a dar passos a nível internacional” e é um apoio para “os mais jovens” ligados ao cinema.

Neste sentido de promoção da sétima arte, o Cine S. João também tem dado o seu contributo ao pretender ser “um serviço de excelência ao cinema nacional”, assumiu João Rita. “Estamos num bom caminho” e a prova disso é que o presidente do Cine Clube de Arouca tem conhecimento de “outros sítios onde querem seguir o nosso modelo”. Depois de analisado este “filme” de seu nome “Cine S. João” que começou a ser criado há cerca de ano e meio, responsável pela exibição de 16 sessões de cinema com marca portuguesa e pela atração de 2.500 espetadores, “temos todas as condições para continuar e melhorar” esta história em permanente construção, concluiu Irene Guimarães ao labor.

 

 

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