178 comerciantes e moradores contra a nova Praça

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O abaixo assinado foi entregue durante a reunião de câmara desta semana

Uma semana depois de ter apresentado o anteprojeto de reabilitação e revitalização da Praça Luís Ribeiro, a Câmara Municipal de S. João da Madeira recebeu um abaixo assinado com 178 assinaturas de comerciantes e moradores contra o mesmo através do seu representante Paulo Barreira, também presidente da Associação Comercial, que o entregou diretamente ao autarca Jorge Sequeira durante a reunião de câmara realizada esta terça-feira, dia 20 novembro, no Fórum Municipal.

Os comerciantes e moradores deste abaixo assinado solicitam a “alteração e/ou revisão” do “Novo Projeto para a Praça” apresentado no dia 12 de novembro nos Paços da Cultura. O mesmo “não reúne a concordância da grande maioria dos moradores, prestadores de serviços, colaboradores(as) lojistas e empresários(as) do comércio com sede na Praça Luís Ribeiro e ruas adjacentes, pois, entendemos não salvaguardar instrumentos ou formas, que possam favorecer a sustentabilidade do comércio e centro urbano, tais como: a falta de estratégia, o reforço de proximidade, competitividade, acessibilidade e atratividade”, lê-se no texto do abaixo assinado dirigido ao presidente da câmara.

Os comerciantes e moradores pedem ainda para serem “tidos em consideração para uma reflexão conjunta sobre este ´novo Projeto para a Praça´”.

Este é um abaixo assinado com “cerca de 180 assinaturas” que “demonstra as nossas preocupações” e pede a “alteração da visão do projeto para a Praça”. Por isso, “solicitamos uma reunião para (o presidente) ouvir as nossas opiniões e para serem tidas em conta para a Praça”, afirmou Paulo Barreira antes da entrega do documento a Jorge Sequeira, apelando a “uma reflexão conjunta” sobre o assunto entre os subscritores e a câmara.

O presidente agendou a reunião para esta quarta-feira (ontem) à tarde já depois do fecho da edição desta semana, ficando assim o apuramento do conteúdo da mesma para a próxima edição do labor.

Logo a seguir, Jorge Sequeira fez “um breve comentário” sobre o anteprojeto para a Praça. “Como sabem colocámos aquele projeto ao conhecimento do público depois de ter sido apresentado às forças políticas e à Associação Comercial para que pudessem ir preparados para aquela sessão e ter já uma base crítica formada conforme o entendessem”, disse o presidente da câmara, confirmando a receção do abaixo assinado.

Aos presentes, Jorge Sequeira assegurou que “na reunião vamos falar com mais calma para trocarmos impressões” sobre o projeto para a Praça que “continua” a ser trabalhado pela equipa de arquitetos. O presidente da câmara salientou ainda que “em qualquer circunstância vamos fazer o que é melhor para a Praça e para a cidade”.

Câmara “devia ter feito estudos de mercado e sondagens às pessoas”

Ao analisar o anteprojeto de reabilitação e de revitalização para a Praça, “o que a câmara vai fazer mantém o que já existe no centro da cidade”, indicou Paulo Cavaleiro, vereador da coligação PSD/CDS-PP, considerando que a única diferença é que “vai ficar mais arranjadinho”.

O projeto anterior, vencedor do concurso de ideias, uma ideia dos vereadores socialistas no mandato anterior, e aprovado por unanimidade em reunião de câmara, foi modificado com a mudança de executivo que tem uma visão diferente do que deve ser a Praça. O vereador da oposição apontou essas mesmas mudanças como o atravessamento do trânsito, a existência de construção de três parques de estacionamento incluídos no projeto e de um parque infantil. Para Paulo Cavaleiro a “facilidade de estacionamento” é “um dos aspetos mais importantes” para o centro da cidade. E no momento em que focava o estacionamento, o vereador da coligação apontou o dedo a uma “outra coisa espetacular” que é “a câmara apresenta uma imagem do projeto à comunidade sem o parque de estacionamento e manda outras para os jornais com o parque de estacionamento” que vai ser concessionado.

Ao analisar o projeto anterior “o que sabemos é que havia uma proposta interessante e inovadora que ia mudar a Praça”, afirmou Paulo Cavaleiro, demonstrando assim não ter o mesmo pensamento sobre o projeto atual.

O vereador da oposição concorda com a ideia do presidente da câmara quando disse que foram gastos muitos milhões, mais propriamente 11 milhões de euros desde 1985 até então, na Praça. O que a seu ver esta é mais uma razão para colocar algumas questões sobre o projeto atual ao executivo socialista, tais como: “Como fazemos para atrair mais pessoas? Como resolvemos o problema quando não há eventos e quando o tempo não convida?”. “Somos um polo de atração, mas estamos a para perder para outros”, assumiu Paulo Cavaleiro.

No entender do vereador da oposição, os socialistas deviam ter sido “mais claros” sobre a sua visão para a Praça durante a campanha eleitoral que é “não vamos fazer” em vez de “vamos avaliar”. A câmara “devia ter feito estudos de mercado e sondagens às pessoas para construir o projeto”, mas “não fez nada disso”, apontou Paulo Cavaleiro. “A vossa proposta não está bem pensada, estruturada e precisa de ser melhor avaliada”, criticou o vereador da coligação PSD/CDS-PP, com a certeza de que este projeto a seguir em frente tal como está “vai ter consequências em termos eleitorais”. Políticas à parte, Paulo Cavaleiro assegurou que a “motivação” da coligação PSD/CDS-PP é “fazer o que é melhor para S. João da Madeira”.

Parque de estacionamento “não é uma mera intenção”

O presidente da câmara, Jorge Sequeira, reiterou aquilo que tem vindo a dizer sobre o novo projeto para a Praça. Entre as “linhas gerais” do seu projeto está “a atração de público ao centro da cidade” que pretendem que seja “um espaço aprazível que convida as pessoas a frequentá-lo”. Relembramos que o anteprojeto de reabilitação e revitalização da Praça aposta num “jogo de água e de luz” como elemento dinamizador do “centro do centro” onde esteve o Elemento Arquitetónico de homenagem à indústria, em muitos espaços verdes e na circulação de trânsito reduzida e condicionada. O parque de estacionamento com capacidade para 90 viaturas previsto para o terreno entre a Rua Padre Oliveira e Rua Júlio Dinis vai ser concessionado a um privado.

Este parque de estacionamento “não está neste projeto, mas estamos a trabalhar numa concessão com benefício para o erário público porque o investimento será do privado”, explicou Jorge Sequeira, adiantando que “os trabalhos de elaboração do caderno de encargos estão praticamente concluídos”. O autarca reforçou que a construção deste parque de estacionamento “não é uma mera intenção” e que o local é “o mais adequado do ponto de vista paisagístico e funcional” para a Praça. O atravessamento do trânsito que existia no projeto anterior e não existe neste é “um ponto que nos divide”, assumiu Jorge Sequeira.

 

 

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