Milheirós Insubmissa

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Os lugares-comuns, as frases feitas, os bordões, os narizes-de-cera, as sentenças de almanaque, os rifões e provérbios, tudo pode aparecer como novidade, a questão está só em saber manejar adequadamente as palavras que estejam antes e depois.

José Saramago

Os únicos interessados em mudar o mundo são os pessimistas, porque os otimistas estão encantados com o que há…

José Saramago

 Dissertar nesta altura sobre as vantagens para milheiroenses e sanjoanenses resultantes da integração de Milheirós em S.João, é chover no molhado, é assunto encerrado. Só alguem de má fé ou tolhido por fanatismo ou obediência partidária pode negar a evidência. Dá pena que pessoas providas de inteligência sejam capazes do o fazer. Refiro-me à lamentável intervenção de Jorge Cortêz na última Assembleia Municipal. Descontando o tom de hostilidade à causa, em jeito de proclamação, os argumentos são de uma probreza franciscana. Não vou aqui rebatê-los. Mas a retórica vai toda ao arrepio da tradição revolucionária do PCP que construiu a sua história apoiando e liderando as lutas que o povo trava em prol do progresso e de melhores condições de vida. Agarrar-se a pretensos “legalismos” e pôr em causa o direito de autodeterminação dos milheiroenses ainda descredibiliza mais a sua posição. Martelar os números do referendo e das eleições decalcando os argumentos de Emídio de Sousa é uma atitude muito pouco democrática. Não havia necessidade. Emídio de Sousa já tem prosélitos que bastem, e vindos de vários quadrantes. O Jorge Cortêz não percebeu ainda que tipo de regime governa na Feira. É uma mistura de Integralismo lusitano, com Estado Novo e “quem não é por eles é contra eles”. O povo de Milheirós sedento de progresso e respeito, quer deixar aquela monarquia decadente e integrar-se numa república onde impera a democracia.

  Em coerência com aquilo que defendeu na última Assembleia Municipal, eu quero ouvir o meu amigo Cortêz (permite-me que te trate assim em nome da nossa velha amizade, e das lutas que travamos juntos) defender na próxima sessão solene das comemorações do 11 de Outubro, que o Jaime Afreixo e os sanjoanenses que em 1926 concretizaram a separação de Oliveira de Azemeis, não passavam de um grupo de aventureiros e independentistas irresponsáveis. E que teria sido muito melhor para os sanjoanenses permanecerem como estavam.

 Mas os milheiroenses não se sentem donos de toda a verdade, e reconhecem que podem perder algo com a integração. Há duas coisas que certamente vamos perder e que estavam praticamente garantidas. A primeira é o Aeroporto. A outra era os Golfinhos na praia da Mâmoa. Paciência. Não se pode ter tudo.

Paulo Alves

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