S. João da Madeira tem um “Frigorífico Solidário”

Desde a semana passada

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O ato de doar e levar os alimentos pode ser feito no Centro Coordenador de Transportes

O Centro Humanitário da Cruz Vermelha (CHCV) de S. João da Madeira apresentou a proposta de criação de um “Frigorífico Solidário” ao Orçamento Participativo da Junta em 2017.

Esta proposta recebeu o maior número de votos dos sanjoanenses e um ano depois foi posta em prática no Centro Coordenador de Transportes.

A junta de freguesia instalou o “Frigorífico Solidário” no dia 6, a Cruz Vermelha encheu-o com alimentos no dia 7, quando foi feita uma reportagem pela SIC, e ambas oficializaram o acontecimento no dia 8 junto da comunicação social.

Após a reportagem da SIC, Helena Couto teve o primeiro contacto com aquelas que viriam a ser as primeiras pessoas a usar o “Frigorífico Solidário”.

A presidente da junta de freguesia estava a sair do Centro Coordenador de Transportes quando foi abordada por pessoas, que sabia que estavam a ser acompanhadas pelas instituições da Rede Social de S. João da Madeira, a pedir dinheiro.

Nesse momento, Helena Couto disse que podiam levar alimentos do “Frigorífico Solidário”. A reação deles teve tanto de espanto como de desconfiança, mas seguiram Helena Couto até ao dito cujo de onde podiam levar os alimentos que estivessem a precisar naquele dia ou para aquela semana.

A senhora “tirou o que precisou e disse que ia divulgar”, contou a presidente da junta à comunicação social, revelando que o frigorífico “está hoje (dia 8) nem um terço do que estava ontem (cheio)”.

A ideia deste projeto é “apelar” a todos os “cidadãos, instituições e comércio local” que “possam ter o ato de solidariedade” de contribuir com alimentos ou de doar o frigorífico tal como fez o “Olho de Mestre – Eletrodomésticos”, deu a conhecer Helena Couto.

A escolha do “sítio foi uma das nossas dificuldades”, confessou a presidente da junta de freguesia, explicando que depois de pensarem e analisarem acabaram por apostar no Centro de Coordenador de Transportes, onde passa muita gente durante o dia e o horário de funcionamento garante a salvaguarda do equipamento durante a noite.

As reações sobre o “Frigorífico Solidário” têm variado entre as mais otimistas e mais pessimistas, assumiu Helena Couto, acreditando que para este ou outro qualquer projeto funcionar “todos temos de fazer por isso. Nós fomos evoluindo como sociedade com as nossas experiências”.

Por isso, o funcionamento do “Frigorífico Solidário” “vai depender de todos nós individualmente e coletivamente. Temos de fazer experiências e ser perseverantes. Temos de fazer o caminho e o caminho faz-se caminhando”, concluiu a presidente da junta de freguesia sanjoanense.

“Maior motivação e esperança que fará a maior diferença na vida das pessoas”

A sensação de ver uma proposta que nasceu no papel estar agora materializada é “ótima” e “enche-nos de felicidade”, reagiu assim Joana Correia, presidente do CHCV, depois da inauguração do “Frigorífico Solidário” ao labor.

Esta ideia “surgiu porque existem outros frigoríficos em Portugal (na Trofa e em Alcântara) e um deles é da Cruz Vermelha”, recordou Joana Correia, sobre esta proposta que visa ajudar as pessoas acompanhadas e apoiadas pelas instituições da Rede Social e as pessoas sem-abrigo.

A presidente do CHCV encarou as reações mais otimistas e mais pessimistas recebidas pela presidente da junta com naturalidade na medida em que “devemos sempre acreditar naquilo que fazemos”. “Portanto, colocar aqui o frigorífico foi feito com a maior motivação e esperança que fará a maior diferença na vida das pessoas que o possam vir a utilizar”, continuou Joana Correia, compreendendo que “um quadrante da sociedade ainda possa não estar preparado para estas coisas mais ousadas e veja o que outros fazem como uma ameaça ou forma de fazer errado o que acham que é certo”.

Um dos contributos do CHCV foi com fruta que é colhida da sua Horta Comunitária, mais um projeto seu apresentado e vencedor do Orçamento Participativo da Junta de 2016.

Neste momento, “estamos a experimentar” o “Frigorifico Solidário”. “Se não funcionar, aqui estaremos para assumir que não funciona”, assegurou Joana Correia ao labor.

“O ideal era ter em vários sítios”

O “Frigorífico Solidário” é uma iniciativa “boa” e o “ideal era ter em vários sítios”, revelou Jorge Moreira, proprietário do comércio local “Olho de Mestre – Eletrodomésticos”, ao labor.

Desde o primeiro momento em que foi contactado pela junta de freguesia sobre a possibilidade de apoiar este projeto, o empresário demonstrou estar “sempre disponível para ajudar neste tipo de casos em que é uma boa intenção que temos para com o próximo”.

As reações das pessoas, otimistas e pessimistas, foram encaradas com naturalidade. “Quando não se faz nada não faz nada, quando se faz é porque não vai dar. Sabe que mais? Experimenta-se”, concluiu Jorge Moreira ao labor.

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