O serão com Aline Frazão promete ser “impactante” por vermos “uma pessoa sozinha no palco do princípio ao fim”, promete ser “um exercício de intimidade, de conhecimento mútuo, de sensibilidade, de atenção” e promete ser “muito isso, uma estória, uma conversa, muitas canções e muita poesia, pouca encenação”, descreveu a própria ao labor.

A artista está “ansiosa” pela apresentação do seu novo álbum “Dentro da Chuva” marcada para amanhã, dia 18, pelas 22h00, na Casa da Criatividade, porque representa a sua estreia em S. João da Madeira.

A escolhade gravaro novo álbum no Brasil esteve relacionada com o facto de lá existir

“uma longa tradição de música neste formato acústico e a solo, ´um cantinho, um violão´. E eu venho, de certa maneira, dessa linhagem de cantautores, songwritters ou como lhe quisermos chamar”, revelou Aline Frazão, demonstrando que a sua ligação com o Brasil, em especial com o Rio de Janeiro, é “antiga e é muito intensa”. Por isso, “queria que o disco refletisse isso, um regressar à sensação do lugar e do tempo em que comecei a escrever canções, influenciada pela MPB”, explicou a artista ao labor.

As últimas palavras do livro “Como se o mundo não tivesse leste” de Ruy Duarte de Carvalho levaram Aline Frazão a transformá-las na canção “Kapiapia” e a encontrar nelas o verso “Dentro da Chuva” que deu origem ao nome deste seu novo álbum. Todas as fotografias do disco foram tiradas por Fradique no Rio de Janeiro. “A ideia era brincar com o movimento do corpo, com a ideia de espaço, a ideia de verticalidade, geometria, luz, minimalismo. A escolha daquela fotografia, eu sentada, remete-me para um dos versos da música ´Zénite´, que diz ´há muito tempo que não me sento, há muito tempo que já nem tento´”, contou a artista que, além de Portugal, tem apresentado o seu novo disco em Angola, Brasil, Alemanha, Suíça e Áustria.

Os dois singlesestão “muito ligados aos vídeos”. Enquanto “Peit Ta Segura” teve “uma excelente reação do público, o vídeo é poesia pura e as pessoas ficaram muito impressionadas com o trabalho do realizador, mais uma vez o Fradique”. Já o “Sumaúma” tem “toda uma carga afetiva, com a participação de várias amigas e da minha mãe. É um vídeo da realizadora angolana Kamy Lara e também tem sido muito acarinhado pelo público”, contou Aline Frazão ao labor.

O tema “Peit Ta Segura” marca a estreia da artista no crioulo de Cabo Verde. Esta canção, com letra e música de Danilo Lopes da Silva, é “um poeminha muito simples, que diz basicamente que ´o chão segura o céu, a núvem segura a água e o peito segura o nosso coração apertado, o meu e o teu´. É um jogo de simetrias, de oposições que se complementam, onde a simplicidade ganha a maior das belezas”, traduziu Aline Frazão.

Além desta, outras histórias são contadas e cantadas em “Dentro da Chuva”. A artista contou, a pedido do labor, que “há o ´Chamado por Morfeu´, uma canção que fala de um mundo onírico, dos sonhos e pesadelos de alguém que tem um sono inquieto. Há o ´Zénite´, que fala de um lado mais obscuro da vida, fases de nuvem negra. Há o ´Areal de Cabo Ledo´, uma canção que fala da solidão e da minha relação com o sossego. Há ´Sumaúma´, um manifesto de afetos e de feminismo. Enfim, há todo um universo, mais político às vezes, mais poético noutras”.

“Gosto de olhar para trás, tenho orgulho de tudo, dos sucessos e dos erros”

A transformação da Aline, cantora, compositora e produtora, ao longo de quatro discos de originais, tem sido “bonita de observar. Mas como sempre, só vemos alguma coisa quando nos afastamos dela” porque “a proximidade distorce as formas”, considerou a própria, continuando: “Acho que só agora começo a apreciar essas mudanças, a experiência acumulada ao longo destes quatro discos, todos eles muito diferentes, todos eles me ensinaram muito. Gosto de olhar para trás, tenho orgulho de tudo, dos sucessos e dos erros”.

A Aline ativista é um dos membros do grupo de coordenação do coletivo de mulheres feministas angolanas Ondjango Feminista, através do qual pretende transmitir “uma mensagem de igualdade, de consciência e de que o mundo só muda se nós mudarmos. Mudar-nos é difícil, é o mais difícil. Mas é necessário”, indicou a artista com a ressalva de que “o feminismo em que acredito é impossível de responder aqui em poucas linhas, mas tem a ver com uma ideia de integração de vários ideais de justiça igualitaristas. Não concebemos um feminismo que não se saiba opor ao racismo, à exclusão social, à homofobia, à transfobia, entre outras coisas”. Ficando assim a conversa sobre a Aline ativista para uma próxima oportunidade que certamente não será perdida pelo labor.

Os bilhetes deste espetáculo custam entre cinco a 6,5 euros e podem ser comprados na BilheteiraOnline (https://cmsjm.bol.pt/) e nos pontos de venda habituais, sendo que a compra de um bilhete dá direito a outro. Uma oferta especial pelo facto deste concerto abrir a programação cultural de 2019 em S. João da Madeira.

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