Porque voltei

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No ano de 2001, a poucos meses do final do meu mandato como presidente do Conselho de Coordenação (Direção) da Associação Estamos Juntos (AEJ), publiquei na imprensa local um manifesto vaticinando que o futuro deste clube passaria, forçosamente, por ter a sua sede social nas Corgas.

Para trás ficavam quinze anos de história da AEJ, com as suas secções a trabalharem de forma isolada e sem sede comum. Nos primeiros anos, a associação teve apenas duas secções desportivas, natação e basquetebol. Após três épocas desportivas, esta última encerrou e passado uns tempos surgiu a secção de xadrez. É com base no trabalho destas duas secções que a AEJ atravessa a última década do século passado. Com o xadrez a viver em salas emprestadas e a natação a utilizar a piscina para treinos (cada secção reunia os documentos em casa do seu diretor), ressaltavam os resultados desportivos alcançados, que permitiam ter uma máxima incomum “fazer-se muito, com nada”.

Durante estes anos o tronco comum da AEJ era a organização do Campo de Férias Estamos Juntos, que tivera início nas traseiras da Escola Primária do Parque, no ano de 1982. No final dessa década, aproveitando-se o facto do Complexo Desportivo das Corgas ter sido finalizado, este Campo de Férias passou a realizar-se nestas novéis instalações municipais. Pelo meio, para o leitor ter uma ideia da complexidade do clube, surgiu uma secção de automóvel, dando apoio ao piloto local, Pedro Correia. Ou seja, mais uma atividade competitiva que não precisava de partilhar instalações com as restantes secções.

Em 1999 assumi a presidência da AEJ, conforme referi no primeiro parágrafo. O clube passou a ter uma reduzida sede social, alteraram-se os estatutos, criou-se o ficheiro de sócios, realizaram-se assembleias-gerais duas vezes por ano, mantiveram-se as duas secções desportivas (natação e xadrez), o campo de férias alargou o seu horário para a tarde, diversificando a oferta aos participantes e ainda houve oportunidade para a inscrição da AEJ como associação juvenil, no então denominado, Instituto Português da Juventude.

Aqui chegado, surgiu o manifesto “AEJ clube das Corgas”. Obviamente que para crescer, a associação deveria ter outras instalações, para oferecer outros serviços aos seus sócios e à comunidade local, nomeadamente na criação de secções desportivas. Ao pensar nas Corgas, o objetivo era concentrar nesse espaço a totalidade da atividade da AEJ e aproveitar para lançar sementes para a criação da secção de Ténis, já que existiam courts na cidade e estavam subaproveitados.

Antes de terminar o meu mandato, a Câmara Municipal de S. João da Madeira acedia ao nosso pedido e cedia umas salas disponíveis no complexo desportivo das Corgas, mais a gestão dos courts de ténis. Apesar de realizado o desejo, já não seria comigo que a AEJ se mudaria para lá. O meu mandato terminava, não me candidataria a novo e entretanto, em dezembro desse ano houve eleições autárquicas e novo presidente da câmara Municipal, o que significou que o processo de mudança para a nova sede demorou um pouco mais. Ainda assim foi bem conduzido pelo meu sucessor, Nuno Fernandes, que após meses de negociações, conseguiu a cedência das instalações atuais, com o alargamento das secções / atividades do clube a estenderem-se ao ténis, capoeira, karting, motociclismo.

Este enquadramento histórico servirá para o leitor perceber o meu estado de espírito ao longo dos últimos seis anos. Quem me acompanha, na sua leitura semanal, certamente se recordará que a AEJ foi tema recorrente destes artigos. Aqui, fui traduzindo as minhas preocupações sobre a forma como o clube estava a ser conduzido, desde 2012.

Por ser sócio fundador, o que por inerência me permite ser membro do Conselho de Fundadores – que é um dos órgãos sociais do clube, nunca estive totalmente desligado da atividade da AEJ. Confesso que me preocuparam todas as picardias envolvendo as anteriores direções, que levaram ao afastamento de vários elementos: primeiro da secção de ténis, depois da secção de natação, mais tarde do Conselho de Fundadores e finalmente do que sobrava da secção de Natação. De igual modo, também me entristeceu que a AEJ não tivesse honrado os seus compromissos com a Junta de Freguesia de S. João da Madeira, falhando na gestão do espaço de fisioterapia e não assumindo os seus erros, preferindo seguir a via litigiosa, em lugar de procurar dignificar o seu nome.

Foi nestas circunstâncias, em que fui convidado para assumir outro cargo nos órgãos sociais do clube, nas eleições decorridas no passado mês de outubro. Ofereci alguma resistência, impondo algumas condições, uma delas era essencial: não haver conflitos de interesse dos novos diretores, promovendo o seu trabalho em regime de voluntariado em prol da Associação. Nas reuniões de preparação da candidatura, apercebi-me que a AEJ ia mudar. Deixaria de ser gerida por um homem só e passaria a ter uma equipa a tomar decisões. Ponderando tudo, decidi regressar ao associativismo mais ativo, embora limitado pela pouca disponibilidade pessoal.

Para terminar, aproveitando a gentileza do jornal labor, passo a usar o meu novo estatuto de Presidente da assembleia-geral da AEJ, fazendo um apelo aos sócios que estão afastados do clube, para reconsiderarem e que a sua ligação afetiva à AEJ seja suficientemente forte para voltarem a aproximar-se e envolverem-se no dia-a-dia deste clube de S. João da Madeira. Uma nova dinâmica associativa, aumentará o número de associados e tornará a AEJ mais forte no futuro.

 

 

 

 

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