Setor é, segundo o presidente do PSD, “exemplo” para o país

Vindo de Mozelos (Santa Maria da Feira), onde fez uma visita a uma empresa que se dedica à produção de rolhas de cortiça natural, Rui Rio parou no Centro Tecnológico do Calçado de Portugal (CTCP), em S. João da Madeira (SJM). Aqui, ao final da manhã da passada terça-feira, o líder do PSD nacional – acompanhado por Luís Onofre, presidente da APICCAPS – Associação Portuguesa dos Industriais de Calçado, Componentes, Artigos de Pele e seus Sucedâneos, Leandro Melo, diretor-geral do CTCP, Manuel Castro Almeida, vice-presidente do PSD, Susana Lamas, líder da Comissão Política de Secção do PSD de SJM, entre outros – visitou as instalações e almoçou, antes de seguir para a Fábrica da Vista Alegre, em Ílhavo.

Nesta que está a ser “uma semana mais virada para as empresas” e neste périplo pelo distrito de Aveiro, Rui Rio fez questão de marcar presença na cidade que é também conhecida como “a capital do calçado”. E fê-lo para estar junto de alguns representantes do setor que, em seu entender, é um exemplo de reconversão da indústria”. “O setor do calçado teve uma revolução brutal nos últimos 10 anos”, sublinhou o social-democrata, acrescentando que “a APICCAPS teve e tem um papel importante nessa revolução”.

“É um setor que tem uma coisa que é muito difícil, mas absolutamente vital” – a criação de marca. Além disso, “tem outra coisa inédita que é ter o segundo preço médio mais alto do mundo”. Perante estes dois factos, “o PSD vem aqui mais para ouvir do que para falar, porque não temos nada a ensinar a um setor que fez o que fez”, disse à imprensa local.

Abrindo uma exceção, porque já o havia feito em Mozelos, Rui Rio falou novamente à comunicação social em SJM. Conforme acordado previamente, não tocou no assunto da atualidade – “crise interna no PSD”. Ficou-se, antes, por tecer largos elogios ao setor do calçado e lamentar por a economia portuguesa não ter “a robustez necessária que devia ter para, a médio e longo prazo, garantir aquilo que todos queremos, ou seja, melhores empregos e melhores salários”.

Nesse sentido, “temos de ter uma política económica dirigida às exportações e ao investimento”, o que não acontece em Portugal. “Com este Governo, não existem políticas nesse sentido”,referiu Rui Rio”.Não sei se o PS o gostaria de fazer ou não, mas na solução política encontrada não faz nem o poderia fazer porque está constrangido à Esquerda”, continuou, chamando a atenção ainda para que “qualquer coisa que o PS tende a fazer não vai de acordo com aquilo que são as necessidades das empresas, mas de outro tipo de necessidades que é a satisfação de clientelas político-eleitorais, digamos assim”.

 

“As coisas não estão fáceis”, alertou presidente da APICCAPS

A APICCAPS recebeu o PSD no CTCP, como poderia ter recebido outro partido político qualquer. “Recebemos todos os partidos políticos sem exceção”, esclareceu Luís Onofre quando questionado sobre o porquê daquela visita.

Em declarações ao labor, o presidente daquela associação e também estilista de calçado mencionou que “queremos ouvir o que Rui Rio tem para nos dizer e também queremos expor aquilo que achamos que se está a passar”.

Na sua ótica, “as coisas não estão fáceis”. Estes últimos 10 anos foram “de crescimento”, durante os quais “o setor teve sempre um desempenho fantástico, mesmo em alturas de crise”. No entanto, o setor do calçado está “agora sujeito a uma série de influências internacionais, macroeconómicas”.

Quanto a esta realidade, Luís Onofre não sabe “se o Governo poderá fazer muito”, podendo, “eventualmente, ajudar-nos mais na Indústria 4.0, onde temos de ser mais assertivos nos investimentos que queremos fazer”. No entender do “número um” da APICCAPS, a solução passa, antes, por “uma pequena mudança essencialmente na política europeia”. “Está em sermos um bocadinho mais protecionistas do que fazemos, caso contrário teremos de suportar as consequências de uma crise mundial”, concretizou a ideia.

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