A obra “Agrypnia” do sanjoanense Nuno Peixoto Pinho venceu a segunda edição do Concurso de Composição Francisco Martins da Orquestra Clássica do Centro.

A conquista deste prémio representa a “oportunidade de ver a minha obra tocada”, afirmou Nuno Peixoto Pinho, explicando que de outra forma seria “muito difícil” porque “as orquestras vivem muitas vezes do reportório erudito tradicional”.

Ao labor Nuno Peixoto Pinho admitiu que é difícil ser compositor em Portugal, mas “o que é que não é difícil nos dias de hoje?”. Um dos maiores desafios de ser professor e músico é precisamente “continuar a lecionar, manter a vida docente e a parte criativa”, reconheceu o compositor.

Nuno Peixoto Pinho em “grande parte do tempo gostava” de ser compositor a tempo inteiro, mas “aprendo muito a dar aulas como compositor e músico”. “Tenho consciência de que se não tivesse tido esta experiência toda a dar aulas a minha evolução como compositor não seria a mesma”, assumiu o músico ao labor.

A obra “Agrypnia”, que significa insónia em latim, pretende “retratar esse gesto, essa luta connosco de muitas vezes querermos dormir e não conseguirmos. Tem a ver com essa inconsistência, com muitos movimentos súbitos e bastante irregulares”, descreveu Nuno Peixoto Pinho.

O júri constituído por Luís Tinoco, Sérgio Azevedo, Dimitris Andrikopoulos e Jan Wierzba, maestro titular da Orquestra Clássica do Centro, atribuiu duas Menções Honrosas a Diogo Carvalho com o tema “Do Nervo” e a Gerson Batista com o tema “O Despertar de Cronus”. O Prémio Francisco Martins pretende “não só perpetuar o nome do intérprete e compositor Francisco Martins, como promover valores musicais na área da composição, com o objetivo de incentivar a produção e dar a conhecer novas obras que enriqueçam o património bibliográfico musical”, refere a Orquestra Clássica do Centro em comunicado.

O compositor Nuno Peixoto Pinho, além do valor pecuniário atribuído pelas livrarias Almedina, vai ver a sua obra “Agrypnia” ser editada pelas edições AVA e interpretada pela Orquestra Clássica do Centro.

A formação musical de Nuno Peixoto Pinho começou aos 18 anos na Academia de Música de S. João da Madeira pouco depois da sua família, depois de ter estado algum tempo emigrada, regressar à sua terra natal. A escolha de estudar música começou por ser “uma parte de integração social sem saber que a ia seguir a nível profissional”, revelou Nuno Peixoto Pinho, recordando “a ligação de entusiasmo” criada com os professores que tornou todo o seu percurso de aprendizagem e de trabalho “incrível” na Academia de Música sanjoanense.

O compositor atuou no recital Musicatos em 2008 e colaborou no espetáculo “Unhas Negras” em 2018. Nuno Peixoto Pinho é docente da Escola Superior de Música e Artes do Espetáculo (ESMAE) e da Escola Superior de Educação (ESE), no mestrado em Ensino de Música (ramo Formação Musical), e leciona na Academia e Escola Profissional de Músicade Espinho e nas Academias de Música de Santa Maria da Feira e de Fafe. O compositor também colabora com o Serviço Educativo da Casa da Música desde 2007. O prémio Francisco Martins junta-se a outras distinções tais como o primeiro prémio no 4.º Concurso Internacional de Composição da Póvoa de Varzim com a obra para orquestra “This is not a poem”; o segundo prémio no Concurso Internacional de Composição GMCL/Jorge Peixinho com a obra “Conciliabulu” para música de câmara, ou o primeiro prémio no Concurso de Composição – Academia de Flauta de Verão com a obra “OU” para flauta e contrabaixo.

Existe “um (projeto) que gostava de começar a ramificar cá na terra”

Quando a conversa chegou aos projetos, Nuno Peixoto Pinho revelou que existe “um (projeto) que gostava de começar a ramificar cá na terra”.

O projeto “Raízes – Canções Feirenses” tem o intuito de “ir à procura de reportório erudito e popular das Terras de Santa Maria que envolve S. João da Madeira. Queremos que chegue até nós, para o tratar, arquivar e fazer parte do espólio das Terras de Santa Maria”, contou o músico ao labor.

Quem tiver interesse em saber mais sobre este projeto, pode fazê-lo em https://www.facebook.com/raizesfeirenses/.

 

 

 

 

 

 

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