“Não pelo poder, mas porque sabemos fazer melhor”, afirmou a presidente Susana Lamas

O tradicional Jantar de Reis do PSD ficou marcado pelas intervenções críticas à atividade do executivo socialista e direcionadas ao calendário eleitoral das europeias e das legislativas deste ano.

Esta é uma tradição que “queremos manter viva”, disse Susana Lamas perante os cerca de 100 militantes presentes, com especial atenção para o objetivo de “manter a força do partido” muito provavelmente pelo facto de as últimas semanas terem sido agitadas depois de Luís Montenegro ter desafiado Rui Rio, presidente do partido, a disputar a liderança do mesmo.

O PSD teve “uma grande responsabilidade nos destinos de S. João da Madeira” durante 16 anos até ter perdido a liderança nas últimas eleições autárquicas para o PS. Apesar de estar agora na oposição, continua, como é natural em qualquer força política, com o olho posto no poder. “Queremos voltar a ser poder, não apenas pelo poder, mas porque sabemos que sabemos fazer melhor (do que o PS)”, afirmou a presidente Susana Lamas.

O primeiro ano de governação socialista equivale a uma “cidade parada”, na qual ouvem “queixas”, veem “desalento” e “desilusão”, descreveu a presidente da estrutura local do PSD, dando como exemplos a manutenção dos espaços verdes e a recolha do lixo.

Apesar do executivo socialista estar a começar o segundo de quatro anos de mandato, Susana Lamas entende que “a cidade merece muito mais e melhor. Precisamos de voltar a colocar S. João da Madeira onde deve estar que é no topo nacional”.

O PSD está a construir um caminho de “uma alternativa forte e credível que levará (o partido) à vitória”, mas precisa “de todos”, apelou Susana Lamas. Enquanto a nova disputa pelo poder não chega, a presidente dos sociais democratas destacou o papel do seu partido com uma “oposição construtiva” colocando acima de tudo os interesses da cidade, considerando que o PS quando esteve na oposição fez “oposição à própria cidade”. Susana Lamas mencionou a perda de financiamento para a construção das novas piscinas quando os socialistas eram oposição e a inauguração de obras iniciadas pelo PSD e alteração do projeto da Praça aprovado unanimemente pela coligação PSD/CDS-PP e PS no mandato anterior. A presidente do PSD terminou com uma mensagem de união do partido para vencer as próximas eleições europeias e legislativas.

A intervenção de Luís Neves, líder da JSD, voltou a ser crítica em relação às anteriores equipas que estiveram à frente da juventude social democrata, mas mais uma vez, tal como aconteceu no seu discurso de tomada de posse, a mensagem não especificou pessoas, podendo, assim, ser dirigida a qualquer um dos seus antecessores.

A JSD está a “erguer-se de novo, depois de um período de estagnação, estando a planear um conjunto de iniciativas para o calendário eleitoral” de 2019, disse Luís Neves. Para qualquer um destes sufrágios eleitorais “só conseguimos construir o caminho da vitória se estivermos unidos e do mesmo lado”, indicou o líder da JSD.

“É difícil destronar um autarca do primeiro para o segundo mandato”, mas “não é impossível”

Os 16 anos de liderança do PSD em S. João da Madeira vão ser sempre associados ao seu presidente durante esse período que foi Manuel Castro Almeida e que agora assume a vice-presidência do partido a nível nacional. Mas ainda não foi desta que decidiu comentar a atividade do executivo socialista nem o desempenho do seu homólogo no cargo Jorge Sequeira. “Não vai ser hoje que vou falar sobre como as coisas na câmara estão”, revelou Manuel Castro Almeida, explicando que “um ex-presidente de câmara também tem obrigação e reserva ao falar de sucessores”. Independentemente do PSD ter estado no poder e agora na oposição, o cerne da questão está em: “o que é melhor para a terra?”, questionou o vice-presidente da estrutura nacional, mas sem nunca “perder a ambição”.

Uma das regras gerais na política é que “é difícil destronar um autarca do primeiro para o segundo mandato”, admitiu Manuel Castro Almeida, não tivesse ele sido a prova disso mesmo. Porém, “não é impossível”. “Temos a obrigação de tentar fazê-lo”, frisou o vice-presidente do PSD.

Manuel Castro Almeida destacou o Conselho Nacional do PSD realizado na semana passada como um dos “mais longos e mais participados”, onde militantes demonstraram estar “ativos” e “vivos”. Relativamente às eleições legislativas, “não as ganhávamos hoje, mas isso pode mudar em nove meses”, destacou o vice-presidente do PSD.

O Eurodeputado Paulo Rangel classificou a atual alternativa governativa do PS, com o apoio do BE e PCP, como “má para o país e para os portugueses”. “O PS e os colegas do BE e do PCP andam sempre com o Estado Social na boca, mas nunca foi tão atacado como tem sido com este Governo”, considerou Paulo Rangel, apontando o desinvestimento “em coisas que não dão votos, mas salvam vidas” referindo algumas tragédias que assolaram o país como os incêndios e Borba.

O Jantar de Reis do PSD contou com as atuações da Banda de Música e da Tuna dos Voluntários de S. João da Madeira.