Município abre guerra ao plástico

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Copos de utilização única ou descartáveis vão passar a ser proibidos em eventos promovidos e apoiados pela autarquia

 Está aberta a guerra ao plástico no Município de S. João da Madeira (MSJM). Jorge Sequeira convocou a comunicação social, no passado dia 29, não só para fazer um balanço da produção de resíduos urbanos no concelho em 2018 (algo que vai passar a fazer anualmente), mas também para anunciar “um pacote estruturado de medidas” ambientais, a maioria para implementar já este ano.

Na Casa da Natureza, no Parque Urbano do Rio Ul, o autarca sanjoanense referiu que vão “tentar cumprir as metas PERSU [Plano Estratégico para os Resíduos Urbanos] Pós 2020”, que é como quem diz vão incrementar a recolha seletiva de embalagens, implementar a recolha seletiva de biorresíduos [como cascas de frutas e legumes (obrigatória a partir de 31/12/2023)], organizar o setor para a mudança e reduzir o consumo de plástico no âmbito da nova Diretiva Single Use Plastics.

E por falar nesta diretiva da União Europeia, a câmara municipal (CM) está mesmo determinada a cumpri-la, sendo várias as alterações que se vão sentir, por exemplo, a nível dos equipamentos municipais. Nestes haverá um reforço do número de ecopontos e serão eliminados os pratos, copos, talheres, palhinhas, entre outros, de utilização única ou descartáveis, bem como as garrafas de plástico de utilização única ou descartáveis, exceto para efeitos de disponibilização em máquinas automáticas. Além disso, a CM adquirirá bebedouros e copos biodegradáveis produzidos a partir da cana de açúcar, para colocar em todos os edifícios camarários da cidade.

Eventos camarários passam “a ser eco-eventos”

O combate contra o consumo de plástico estender-se-á também aos eventos promovidos e apoiados pela edilidade sanjoanense de forma a que estes passem a ser “eco-eventos”. E vai começar já a ser travada no próximo Carnaval das Escolas de S. João da Madeira onde não serão permitidas garrafas de plástico de utilização única ou descartáveis, exceto para produtos comercializados somente neste formato e sem alternativa em garrafa de vidro. Em alternativa, haverá pontos de água ao longo do percurso, assegurados por voluntários.

Também n’ “A Cidade no Jardim” e no “Gin and Street Food Sessions”, a realizar em junho e setembro, respetivamente, e com participação estimada superior a 500 pessoas, não haverá pratos, copos, talheres, palhinhas, etc., de utilização única ou descartáveis.Ainda nestas organizações, será obrigatória a separação seletiva.

Câmara acaba com uso de papel branco

É também intenção do MSJM substituir o papel de impressão branco por papel reciclado, limitando assim a impressão de documentos. A ideia é reduzir em 25% o consumo de papel e consumíveis de impressão, o que será avaliado através da variação do montante de compromisso. E, precisamente, nesse sentido, Jorge Sequeira assinaria ainda naquela terça-feira um despacho determinando que “o Setor do Aprovisionamento [do Município] passe a comprar apenas papel reciclado”, conforme informou a imprensa.

 Av. Dr. Renato Araújo aberta aos peões três vezes este ano

Depois de o ter feito em setembro de 2018, recuperando, deste modo, “uma tradição que já não era cumprida há 11 anos”, a câmara vai voltar a fechar a Avenida Dr. Renato Araújo ao trânsito, devolvendo-a aos peões, para assinalar o Dia Europeu Sem Carros. Mas atenção que não se vai ficar por aqui.

Este ano, em vez de um, os sanjoanenses terão “três domingos verdes”, como afirmou o edil, acrescentando que “vamos abrir a rua aos peões já no dia 24 de março, para celebrar a chegada da primavera, e no dia 26 de maio”, por altura do Dia Europeu da Segurança Rodoviária.

Incentivar os munícipes a se deslocarem a pé e a “se descarbonizarem” é o que se pretende com esta iniciativa.

Autarquia e ERSUC celebram novo acordo

Está para breve a celebração de um novo protocolo entre a CM e a ERSUC – Resíduos Sólidos do Centro, através do qual a empresa “vai remunerar os resíduos que receba da recolha do Comércio Verde e do Ecocentro Municipal”.

“Para além de não pagar, a câmara vai passar a receber por tonelada”, informou Jorge Sequeira, acrescentando que tal representará “uma receita de cerca de 20 mil euros”.

O objetivo de todas estas medidas é “ter uma cidade mais sustentável”, defendeu o líder do Município, para quem “não há um mau serviço a ser prestado”. Esta é “uma ideia falsa”, que, na sua ótica, “foi criada por alguns setores em redes sociais e tudo mais para prejudicar politicamente a câmara municipal”,

“Sempre existiram queixas”, fez questão de recordar. “É natural que pontualmente surjam problemas. Mas se há uma falha queixem-se”, apelou aos munícipes.

Reduzir o consumo de plástico de utilização única

Situação atual

➢Europa produziu 25milhões de toneladas de resíduos plásticos em 2014

➢Apenas 30%foram reciclados

39%foram incinerados

31%foram para aterro

Objetivos

➢Redução do consumo

➢Restrição de colocação no mercado dos plásticos de uso único/descartáveis

➢90% de recolha seletiva de garrafas plásticas não reutilizáveis de bebidas em 2030

➢Criação de sistemas de depósito (tara retornável)

 

1.600 Famílias sanjoanenses vão receber ecopontos

Também este ano a câmara quer começar a implementar a candidatura que apresentou no âmbito do PO SEUR – Programa Operacional Sustentabilidade e Eficiência no Uso de Recursos. Trata-se, segundo Jorge Sequeira, de “uma candidatura que teve êxito”, permitindo agora à autarquia investir 230 mil euros na “promoção de sistemas inovadores que se destinam a aumentar a recolha seletiva de resíduos urbanos valorizáveis”.

Nesse sentido, o primeiro passo que vai ser dado é a recolha seletiva porta-a-porta. De acordo com o autarca, o Município vai comprar 4.800 contentores (conjuntos de três contentores) e entregá-los, gratuitamente, a 1.600 famílias “para que comecem a separar [os resíduos sólidos] nas suas casas”. “Estamos a falar de uma grande mudança de paradigma e de comportamento”, chamou a atenção o responsável político.

“Premiar aqueles que são produtores de menos resíduos”

Além disso, são objetivos promover a recolha de biorresíduos (cascas de frutas e legumes), através da aquisição de “contentores específicos”, e ações de sensibilização para a prevenção e reutilização e ainda levar a cabo um estudo sobre o impacto no concelho da implementação do Sistema PAYT (pay-as-you-throw – pagar o que produzes).

Trata-se – conforme explicou Jorge Sequeira – de “medir as quantidades de resíduos que cada pessoa produz e no final, depois do diagnóstico e do estudo e da calibração do modelo estarem feitos, mudar o sistema de taxação dos resíduos sólidos urbanos de forma a que cada um pague à medida do que produz”. Esta “é uma medida em vigor em vários países da Europa há muito tempo”, visando incentivar à redução e premiar aqueles que são produtores de menos resíduos”.

S. João da Madeira valoriza 57% do total dos resíduos produzidos

GN

Depois de o ter dito na última sessão da Assembleia Municipal (AM), Jorge Sequeira voltou a afirmar, na conferência de imprensa da passada terça-feira, que “houve uma melhoria da performance ambiental da cidade” de 2017 para 2018.

Na apresentação – “exaustiva”, tal como havia anunciado também na AM – dos dados referentes à produção de resíduos urbanos no concelho em 2018, o presidente da câmara informou, no que diz respeito a resíduos indiferenciados, que cada habitante de S. João da Madeira produz por ano 446,45 kg do chamado “lixo comum”, menos 38,25 kg do que é produzido por habitante a nível nacional.

Ainda relativamente a esta matéria, houve no ano transato uma redução da recolha em 2,29% (menos 227,04 toneladas do que em 2017). E isto mesmo depois de “todos os resíduos terem sido recolhidos”, conforme garantiu o autarca, para quem tal significa “uma maior seleção de resíduos e o seu encaminhamento para outros canais”.

Já no que concerne aos resíduos seletivos (totais), a sua recolha aumentou 5,59% em 2018 face a 2017.

A propósito, Jorge Sequeira chamou a atenção para o reforço do número de ecopontos em 7,14%. A autarquia instalou 16 novos ecopontos, havendo agora 90 em toda a cidade. A este nível, a recolha subiu 5%. E, além disso, como Jorge Sequeira fez questão de frisar, “em S. João da Madeira temos 241 habitantes por ecoponto”.

Quanto à recolha seletiva porta-a-porta, é assegurada pelo Comércio Verde, que funciona de segunda a sexta-feira, das 8h00 às 17h00. Trata-se de um serviço que é prestado por duas funcionários em 300 estabelecimentos comerciais e 22 escolas aderentes. Fazem-se em média 50 recolhas por dia, sendo que “aqui o aumento foi de 6%” em comparação com 2017.

O Ecocentro Municipal está aberto de segunda a sexta-feira, das 9h00 às 19h00, e também ao sábado, das 10h00 às 17h30.

Por último, falando dos indiferenciados, foram encaminhados 11% para reciclagem. E, olhando para os resíduos na sua globalidade (indiferenciados e outras fileiras), S. João da Madeira valoriza 57% do total dos resíduos produzidos.

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