Fique a conhecer o jurista, o escritor e o genealogista

Cristóvão Alão de Morais (1632-1693) foi nem mais nem menos do que “a figura de um grande vulto sanjoanense que viveu no século XVII, marcando posição de real destaque no mundo de então”, já referia a Monografia de S. João da Madeira da autoria de Mário Resende Martins, José Fernando S. Teixeira e Manuel Dias da Silva, publicada em 1944. Mais tarde, em 1996, a segunda monografia do concelho (“São João da Madeira – Cidade do Trabalho”), cujo autor é Maurício Antonino Fernandes, voltava a descreve-lo como um dos “sanjoanenses notáveis”.

Filho de Baltazar Alão de Morais, um “valente soldado que serviu nas Armadas” e morreu novo, com apenas 24 anos, e de Maria Mateus, Cristóvão Alão de Morais era sobrinho de outro homónimo, abade da freguesia de S. João da Madeira (SJM). Aqui terá nascido, a 13 de maio de 1632, e sido educado por este seu tio e padrinho.

Não foi, porém, batizado em SJM, mas em S. Nicolau, no Porto. Cidade onde veio a falecer, a 19 de maio de 1693, tendo sido sepultado na capela dos Alões, no claustro da Sé do Porto.

Tirou o curso de Direito Canónico (1652) e de Direito Civil (1661) na Universidade de Coimbra, tendo sido juiz, corregedor, desembargador, provedor, conservador, em várias partes do país. E chegou até a ser “ouvidor da Rainha em Mira”, conforme se pode ler na mais recente monografia de SJM.

Casou a 23 de janeiro de 1662, em Lisboa, “com D. Joana Teresa de Carvalho, irmã colaça de D. Afonso VI e de D. Pedro II e filha de António de Carvalho e de sua mulher Catarina, aios da Rainha D. Luísa de Gusmão”. Desconhece-se a existência de filhos.

De acordo com o professor Maurício Antonino Fernandes, “além de ter sido um eminente jurisconsulto, foi e ainda é um dos mais consultados genealógicos e escritores clássicos, honrando as Letras com uma vasta obra de Genealogia, a ‘Pedatura Lusitana’, em doze volumes, e com diversas outras obras, algumas das quais não chegaram a ser impressas, como ‘Miscelanea’”.

“Segundo Serafim Leite”, não se sabe “o paradeiro da grande parte das suas obras. Apenas existem na Biblioteca do Porto a ´Grinalda de Apolo´ e o ´Ciclope Enamorado´”, informa, por sua vez, a primeira Monografia de S. João da Madeira.

O legado literário

As “Lições Académicas sôbre a poética de Aristóteles”, o “Comento às obras de Sá de Miranda”, “Comento à Ulisseia de Gabriel Pereira de Castro”, a “Grinalda de Apolo” (livro de sonetos), “O Ciclope Namorado ou Fábula de Polifemo e Galatêa” (poema em oitava rima compreendendo duas partes e 156 estâncias), a “Casa do Prazer ou Brevia de Entendidos”, o “Emblematum centúria” (obra incompleta), os “Exorcismos da Melancolia”, “As Quinas de Portugal” (grande poema, dividido em XIV cantos de mais de 80 oitavas cada) e inúmeras poesias em memória de Marquez de Távora e em louvor ao poema “Destruição (i com dois acentos) de Hespanha” de André Mascarenhas, têm em comum a assinatura do sanjoanense Cristóvão Alão de Morais.

DIANA FAMILIAR COM GISÉLIA NUNES

 

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