Depois de teres visitado 14 países com a Tamára, entre 2015 e 2016, continuaste a viajar sozinho e/ou acompanhado?

Sim, continuei a viajar muitas vezes em trabalho. Quando viajo em trabalho não viajo sozinho porque viajo com os grupos de pessoas que viajam comigo. Se bem que normalmente costumo ir sozinho e fazer uma semana ou mais a conhecer os países que já conhecia bem. Faço viagens ao Peru, à Guatemala e à Colômbia. Portanto, continuo a viajar sozinho, continuo a viajar acompanhado. Depende de muita coisa. Não viajo sozinho por opção. Nunca aconteceu querer viajar sozinho. Tenho uma ideia, vou fazê-la. Se alguém se quiser juntar está-se bem, se não faço-a sozinho. Antes do Natal estive a viajar dois meses. Comecei na Guatemala com um grupo depois fui para o Belize. Uma parte do grupo foi embora e outra foi comigo. Depois fui para o México com um amigo que foi até Cuba comigo. E tive com a Tamára na Islândia no ano passado.

Quais os países que visitaste desde o Gap Year?

Os países onde voltei para trabalhar e também para explorar melhor porque como disse tento ir uma semana mais cedo ou ficar para explorar partes dos países que ainda não conheço. Isso é uma das coisas que me atrai nestes países é que eles são tão grandes e têm tanta coisa para ver que não me canso de lá voltar com a vontade de ver mais coisas. Já voltei ao Peru e à Guatemala por várias vezes, estive na Colômbia mais duas vezes e agora vou voltar a terceira. Estive a conhecer a Islândia em agosto e espero começar a fazer viagens para lá porque gostei daquilo que vi. Tive em Cuba por opção e foi uma excelente opção. Adorei a experiência de ter viajado em Cuba. Não sei quantos países visitei, nem quero saber. Sei que quero viajar, mas sem stresses.

“Fiz experiências que me marcaram imenso como subir um vulcão para ver outro em explosão”

Qual a melhor e pior viagem?

Não tenho nenhuma pior viagem. Tenho países que gostei menos e que gostei mais. Dos países que mais gostei desde sempre foi a Guatemala porque é um país puro, com muita natureza, um país pouco explorado onde as pessoas são super simpáticas, super humildes. A interação com as pessoas nesse país é especial e onde fiz experiências que me marcaram imenso como subir um vulcão para ver outro em explosão. Fiz outra experiência brutal que há-de ser superada, espero eu, mas essa vai ser sempre especial que foi ficar a dormir dentro de uma cidade Maia durante a noite que é uma coisa absolutamente proibida. Enfim nem sei bem como aconteceu, falei com um guarda, depois falei com outro e outro e acabaram por me deixar entrar dentro da cidade Maia durante a noite. Dormi em cima de um templo com mais de dois mil anos. Foi uma experiência absurda, uma coisa de outro mundo. Foi algo mesmo memorável e que vai ficar para sempre marcado em mim até porque a única sensação que tinha quando estava a dormir em cima desse templo era que provavelmente seria talvez o primeiro português a fazê-lo. E isso é uma sensação impressionante de se sentir. Talvez a Guatemala seja o meu destino favorito, não a viagem.

Como foi a viagem a Cuba?

Tinha ouvido muitas opiniões sobre Cuba, todas elas muito diferentes umas das outras. Uns diziam que era pobre, outros que não havia comida, outros que se estava bem, mas aquilo que percebi é que a experiência que fiz foi diferente de quase todas as pessoas. Até porque estava disposto a fazer mais do que as outras pessoas, provavelmente 90% só vai a Cuba fazer resorts. Isso fez com que conhecesse muito melhor o país que elas e que tivesse mais acesso às realidades do país do que elas. E isso fez me perceber que o que procuro nas viagens é desafiar-me e desafiar as pessoas que me seguem para poder mudar mentalidades. Acho que consegui mudar algumas mentalidades das pessoas que me seguiam em relação a Cuba. Uma das coisas que me chateava era que as pessoas diziam que Cuba era pobre e para mim Cuba é muita coisa, mas pobre não é. As pessoas não passam fome, as pessoas são felizes. Não vi pobreza. Vi ruas sujas, ruas feias, casas velhas, mas pobreza não é isso, não pode ser isso, associada a algo que vemos, algo visual, tem de ser mais do que isso. Portanto, quando partilhei isto teve um impacto incrível, absurdo e isso fez-me perceber que é isso que também procuro nas minhas viagens.

O que é que faz um líder de viagens?

Um líder de viagens tem de ter capacidade de liderança e conhecer o país. É uma pessoa que tem uma personalidade que também é importante neste tipo de experiências porque muitas vezes viajam comigo porque gostam do destino, mas também porque gostam de mim ou porque me conhecem. Mas na realidade aquilo que ofereço às pessoas é vem comigo, conheço este país, e vou mostrar-te o que conheço. É a minha perspetiva, aquilo que gosto e aquilo que vamos conhecer. Se forem ao Peru comigo será diferente se forem com outra pessoa porque ponho o meu cunho pessoal na viagem. Portanto, um líder é uma mistura de um guia com um líder, uma pessoa que conhece o país e está disposta a levar-te numa experiência diferente.

Desde que és líder de viagens, com que frequência estás em S. João da Madeira?

No ano passado isso foi quatro ou cinco meses do ano, este ano é capaz de ser um bocado menos.

O que é que é indispensável no momento em que começas a preparar uma viagem?

O mais indispensável e acho que a única coisa que é difícil quando se prepara uma viagem – porque depois a partir daí é natural e fácil – é decidir o que se quer fazer e onde se quer ir. Isso é o mais difícil porque há o mundo inteiro e tens de perceber o que te atrai seja para fazer uma viagem de duas semanas ou de um ano. Isso é o mais difícil porque te sentes perdido na quantidade de experiências que queres fazer, onde queres ir…depois de perceberes o teu objetivo as coisas tornam-se mais fáceis. E é fácil preparar uma viagem e seguir.

Como consegues decidir o que levar na mochila, isto é, compactar tudo numa mochila?

Em relação à mochila é muito fácil. Na realidade é super fácil. A dica principal sobre o que é preciso para preparar uma mochila é: o mínimo possível. Quanto menos coisas levarmos, melhor viajamos, melhor estamos e quanto a isso não há dúvida absolutamente nenhuma. Para mim o essencial é levar roupa, um telemóvel, uma máquina, um casaco e um calçado bom. Depois, o que for preciso compra-se pelo caminho.

“Viajar trouxe-me imensas coisas incríveis, mas acima de tudo trouxe-me respostas”

 O que é que viajar acrescentou à tua vida?

Viajar trouxe-me muitas coisas. Acho que viajar nos faz pessoas melhores, conhecer pessoas diferentes faz-nos pessoas melhores. Viajar de olhos abertos e não apenas para tirar fotografias. É essa a mensagem que quero passar e influenciar as pessoas a viajar. Portanto, viajar trouxe-me imensas coisas incríveis, mas acima de tudo viajar trouxe-me respostas. A primeira vez que quis viajar, quis fazer um Gap Year porque sentia-me perdido, não sabia aquilo que queria, aquilo que gostava, para onde queria ir, o que é que queria fazer, enfim. E viajar trouxe-me isso. Trouxe-me tranquilidade, trouxe-me respostas, autoconhecimento e viajar é incrível. Para além disso, saberes o que queres, quem és, viajar dá-te a capacidade de imaginação e de com essas ferramentas fazeres tudo o que te apetecer e chegares onde quiseres. É por isso que hoje sou líder de viagens. Por isso, o que sei é que as pessoas que vêm de viagem voltam com mais capacidade e com muita mais vontade de fazer seja o que for (trabalhar, estudar, viajar mais).

Vais sempre viajar?

Sim. Espero viajar sempre. Não sei como, não sei para onde, não faço planos a longo termo porque acho que não faz sentido. Mas sem dúvida que viajar fará sempre parte dos meus planos. Quero ir viver e trabalhar para a Austrália. Quero fazer um Gap Year pela Ásia, quero conhecer África. Ainda falta muita coisa. Não tenho pressa.

Impressão digital

João Amorim

Tem 27 anos, é natural e residente em S. João da Madeira, licenciado e mestre em Bioquímica pela Universidade do Porto. Após ter trabalhado na sua área de formação durante algum tempo, percebeu que não era bem aquilo que queria. João Amorim e Tamara Brandão venceram o Gap Year Portugal em 2015 com o projeto “Follow the Sun” que os levou numa aventura de oito meses a conhecer 14 países do continente americano. Atualmente, este sanjoanense é líder de viagens. João Amorim trabalha com a empresa Landscape e organiza viagens para o Peru, a Guatemala e a Colômbia, esperando um dia mais tarde fazê-lo para outros destinos. As aventuras de João Amorim podem ser acompanhadas e de certa forma vividas pelos seus seguidores em “Follow the Sun” (https://www.instagram.com/Followthesuntravel/).

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