Um dos pontos de paragem da exposição “Os Lusíadas – Na Figuração de Levi Guerra” é precisamente nos Paços da Cultura.

Os 10 cantos dos Lusíadas de Luís Vaz de Camões estão representados em 10 quadros de Levi Guerra acompanhados de 10 textos de Margaria Negrais.

Esta exposição sobre a única epopeia portuguesa que conta a descoberta do caminho marítimo para a Índia é uma dedicatória de Levi Guerra ao seu professor primário Francisco Oleastro na Escola do Adro em Águeda, revelou o próprio durante a sua inauguração no dia 7 de fevereiro. “Foi a esse professor que fiquei a dever a alegria de ser português revendo-me nos nossos antepassados heroicos, gente de coragem inaudita na descoberta de novos mundos e na preservação da identidade e da liberdade de Portugal”, explica Levi Guerra no catálogo da exposição. Continuando: “Homem justo e sábio, íntegro e reto, Francisco Oleastro defendia, vejo hoje à distância, nas suas aulas, a justiça contra as injustiças do mundo e tomou como exemplo Camões para alertar os alunos sobre a ingratidão que na vida do épico contra ele se perpetuou, morrendo abandonado”. Desde muito cedo “e muito claramente advertiu para que não nos espantássemos com a maldade dos homens que, por estupidez ou má querença, são capazes de se esquecer quem tenha feito por si o melhor na vida”, relembrou Levi Guerra, demonstrando “uma gratidão por ter semeado cedo em mim o sonho”.

Um dos lamentos de Levi Guerra é sentir que “Camões está esquecido”. É certo que é estudado no liceu, mas no seu entender devia de ser de estudo obrigatório no ensino superior.

A inauguração da exposição contou com as perspetivas literária e pedagógica da professora Cristina Marques, pictórica do professor José Emídio e do casal de autores Levi Guerra e Margarida Negrais.

Levi Guerra repartiu equitativamente o seu talento pela medicina, investigação cientifica, docência, gestão pública, pintura e escrita. Já Margarida Negrais lecionou durante muitos anos na escola Dr. Serafim Leite, esteve na génese de criação do Festival de Teatro através do Espaço Aberto e publicou os livros “Histórias de Bichos”, “MIG – A formiga comodista” e “O rim artificial”.

A junta de freguesia é responsável pela organização desta exposição em S. João da Madeira, que é a quarta cidade onde está patente, podendo ser visitada até ao dia 3 de março nos Paços da Cultura.

O principal intuito é “trazer cá os alunos” de todas as escolas sanjoanenses e “receber uma aula aberta da Universidade Sénior”, revelou a presidente Helena Couto.

As próximas paragens de “Os Lusíadas – Na Figuração de Levi Guerra” são Chaves e Coimbra.

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