Maria, nome fictício, tinha 20 anos quando conheceu o rapaz “x” de 27 anos através da internet. Eles conheceram-se pessoalmente, o interesse de um pelo outro era mútuo e ao fim de três meses começaram a namorar. O primeiro ano de namoro “correu bem” e “sem queixas”, relembrou Maria ao labor.

Ela continuou a ser extrovertida, a querer sair e estar com os amigos. Só que ele não. Ele mudou. “Só queria estar com os amigos dele. Eles queixaram-se das atitudes dele não só comigo, mas também para com eles. Discutíamos várias vezes”, contou a jovem.

As discussões motivadas pelas tentativas dele em afastar Maria dos amigos dela e dele, com a intenção de a isolar de tudo e todos, ficando apenas e só com ele, acabavam sempre por tentar ser compensadas pelo próprio.

“Ele começou a comprar-me com prendas” e numa dessas discussões ele “levantou a mão”, revelou a vítima, esclarecendo que a violência que sofreu foi sempre psicológica, nunca tendo chegado a ser física.

Entre as várias cenas criadas pelo agressor, duas delas, uma num local público, outra num local privado, acabariam por levar Maria a acabar o relacionamento.

A primeira aconteceu durante um aniversário de uma amiga dela. A presença de um ex-namorado no mesmo local espoletou a cena. Apesar de “nem ter falado com ele (ex-namorado)”, “começou a insultá-lo”, recordou a vítima ao labor.

Ela acabaria por pedir-lhe para ir embora para que não estragasse a festa de aniversário da amiga. “Ele estava à minha espera lá fora” e quando percebeu que “ia acompanhada por dois homens até ao carro” confrontou-os com a mesma postura adotada anteriormente no espaço público. A dada altura dessa troca de palavras, os dois homens, amigos de Maria e por acaso polícias que estavam à paisana, tiveram de se identificar e pedir-lhe para “parar ou era levado para a esquadra”. A segunda cena aconteceu quando “ele começou a insultar a minha família”, relembrou Maria. Aí “acabei a relação”. Um acontecimento que levou a que ele lhe fizesse “juras e promessas” sobre como as coisas iam mudar. Eles voltaram a namorar e não demorou muito tempo até que ela percebesse que ele não tinha mudado. “Ele não mudou nada”. Aliás, “eu achava que ele era prestável por querer ir levar-me e ir buscar-me todos os dias à faculdade no Porto” até perceber que “já não tinha espaço nem para mim. Não havia hipótese de estar com os meus amigos ou os dele. Estava sufocada”, confessou a jovem ao labor.

Ela voltou a acabar a relação. “Ele voltou a dar presentes. Pediu-me para termos uma conversa e nessa altura pediu-me em casamento. Mas eu disse que não, não dava para continuarmos uma relação assim”, confidenciou Maria. A rejeição levou-o a persegui-la para a faculdade e para o concelho vizinho de S. João da Madeira onde mora.

Após a separação, o agressor ainda protagonizou mais algumas cenas. Ele esteve “durante duas horas a tocar à campainha da porta de minha casa”, disse que “eu não era a mesma pessoa que era no início do nosso namoro e tinha problemas psicológicos” e disse ao meu pai que “eu tinha outro e que se nos visse que nos batia”, contou a vítima. Atualmente, ele está bloqueado em tudo que é redes sociais e contactos pessoais de Maria. Contudo, “ele cada vez que me vê, segue-me até certo ponto só para ter a certeza que moro no mesmo sítio”, confidenciou a vítima ao labor sobre o agressor que hoje em dia é “alguém que é casado e tem um filho”.

“Temos sempre formas de nos conseguirem ajudar”

Maria nunca pediu ajuda e nunca denunciou o caso junto das autoridades, mas sempre teve a ajuda dos amigos e da família. “Eles viram-me presa e tentaram puxar-me para fora desta situação”, explicou a vítima ao labor.

A quem sofre de violência no namoro e a quem possa vir a sofrer, o conselho que Maria deixa é muito simples. “Tentem sair da relação o mais pacificamente possível. Quando não conseguem, tentem falar com alguém que as possa ajudar e/ou recorrer à PSP ou GNR”, sugeriu Maria. “A violência psicológica é crime e temos sempre formas de nos conseguirem ajudar”, concluiu a vítima ao labor.

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