O Ministro

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A notícia já era esperada, mas é sempre agradável ver um conterrâneo a tomar posse como ministro. Pedro Nuno Santos é um dos muitos da diáspora sanjoanense que encontrou, fora da sua terra natal, a oportunidade para exercer a sua atividade profissional. No seu caso a opção foi a carreira política.

Na década passada, o agora ministro das Infraestruturas e da Habitação ainda alternou entre S. João da Madeira e a capital, tendo exercido funções como presidente da Assembleia de Freguesia local, seguindo-se a liderança nacional na Juventude Socialista, culminando com a sua candidatura a presidente da câmara municipal em 2009. Apesar de ter exercido o mandato de vereador, a partir de 2011, Pedro Nuno Santos optou pela política nacional, tendo sido esta escolha bem certeira. O seu percurso nos últimos cinco anos assim o demonstram: em 2014 apoiou a candidatura de António Costa à liderança do Partido Socialista; em 2015 toma posse como secretário de Estado do XXI Governo Constitucional, assumindo a pasta dos Assuntos Parlamentares; a sua capacidade de negociação com os partidos da coligação parlamentar fazem emergir o seu nome nos primeiros anos do Governo minoritário; em 2018 apresenta uma moção sectorial no congresso do PS, tendo defendido um posicionamento partidário mais à esquerda; em 2019, a oito meses das eleições legislativas, Pedro Nuno Santos chega a ministro.

A expectativa em torno do futuro da sua governação é enorme.

O anterior ministro das Infraestruturas, Pedro Marques, apresentou um plano de obras ambicioso, sobretudo na ferrovia, embora alguma da sua execução, prevista para terminar ainda este ano, esteja muito atrasada. Se Pedro Nuno Santos seguir a cartilha deixada pelo seu antecessor poderá, nos próximos meses e em futuro Governo, se for convidado para continuar na mesma pasta governamental, exercer um mandato tranquilo, já que existe um plano a médio prazo de várias e necessárias empreitadas até ao ano 2030. A acumulação da Habitação no mesmo ministério, área onde a igualmente conterrânea Ana Pinho tem vindo a promover alterações ao sector, tem também uma política a ser definida e traçada, podendo ser o complemento para exercer funções de ministro de modo calmo e ambicioso.

Este Governo tem o mérito de lançar vários jovens como secretários de Estado e ministros, permitindo ao PS ficar com vários quadros com experiência governativa e com visibilidade na opinião pública, o que poderá ser importante para futuros confrontos políticos.

A entrada de políticos com pensamento ideológico bem vincado em determinadas áreas de governação, não tem propriamente significado de continuidade com a política do anterior responsável. Há exemplos, não sendo importante personalizar, embora a título justificativo se possa analisar o mérito na capacidade de estudar e ponderar a política energética do novo secretário de Estado com essa pasta, João Galamba.

Atendendo ao perfil de Pedro Nuno Santos, ao seu passado partidário, à sua experiência governativa e parlamentar, não esquecendo a sua ambição política, não me parece que a cartilha de Pedro Marques vá ser seguida. O novo ministro deverá aproveitar esta oportunidade para ganhar um novo estatuto político. Por isso, terá que ser capaz de criar uma política de investimento público mais dinâmica, precisando para isso de grande capacidade de reivindicação junto do ministro das Finanças, sabendo que neste e nos próximos anos, a ideia será manter o défice perto de zero e de preferência diminuir a dívida pública de Portugal.

Será neste exigente contexto, de rigor orçamental, com vontade de investir com poucos recursos financeiros, que Pedro Nuno Santos irá afirmar-se politicamente. Se for bem sucedido, daqui a alguns anos, outros desafios políticos lhe serão lançados.

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