“Ao início estava tudo bem, depois deixou de estar”, revelou um dos alunos

O Centro Humanitário da Cruz Vermelha (CHCV) de S. João da Madeira voltou a realizar na semana passada, pelo terceiro ano consecutivo, sessões de sensibilização na Escola Secundária Dr. Serafim Leite.

As sessões deste ano sobre a violência no namoro tiveram como público alvo os alunos, acompanhados dos professores, do 10.º ao 12.º ano de escolaridade. Uma das sessões realizada no dia 14 de fevereiro, conhecido como o Dia de São Valentim ou Dia dos Namorados, foi acompanhada pelo jornal labor.

Feitas as apresentações de Joana Correia, presidente do CHCV, e de Janine Trigueiros, estagiária de psicologia nessa mesma instituição, aos alunos e professores, é hora de começar a sessão. Num primeiro momento, Joana Correia pede aos alunos para afastarem as mesas e as cadeiras para as laterais da sala de aula e formarem dois círculos. É colocada uma música, os alunos andam em círculo e sempre que para a música os alunos têm de abraçar a pessoa que está à sua frente ou junto a si. De uma forma geral todos gostaram do ato de ter de abraçar alguém. Mas também houve quem admitisse que “foi estranho, mas não ruim”. Então “se é mais fácil abraçar alguém do que bater, por que é que a sociedade é confrontada todos os dias com notícias relacionadas com violência?”, questionou Joana Correia, querendo, entre todos os tipos de violência praticados diariamente, abordar a violência no namoro.

Os alunos, questionados sobre os motivos que podem levar à prática deste tipo de violência, responderam “domínio, ciúmes, desgosto, egoísmo, desconfiança, impor respeito, falta de valores e insegurança”. “Independentemente destes ou de outros motivos que levam uma pessoa a agredir outra, justificam o ato de violência?”, questionou uma vez mais Joana Correia, recebendo como resposta um não coletivo.

Um dos sinais mais evidentes nos relacionamentos abusivos entre jovens é a invasão de privacidade. E o que é isto? É “tirar a liberdade” a uma pessoa, respondeu um dos alunos.

De todos os alunos daquela turma, oito deles namoram. Um deles admitiu que sofreu de invasão de privacidade por parte da outra pessoa da relação que “precisava de saber constantemente onde eu estava” e com quem partilhou as senhas das redes sociais. Ao “início estava tudo bem, depois deixou de estar”, revelou o aluno.

Bullying é o tema abordado em abril

Após 18 sessões de sensibilização sobre a violência no namoro ao longo de uma semana na escola Dr. Serafim Leite, o balanço é “sempre positivo” com este ano a chegarem a “mais turmas” e com os alunos a “demonstrarem interesse”, afirmou Joana Correia ao labor.

O CHCV tem realizado este tipo de sessões apenas na escola número um pelo facto de ser aquela com a qual tem uma “relação mais estreita”, nomeadamente com a coordenadora Susana Oliveira, e por ter sido a única a aceitar receber estas sessões que também foram apresentadas aos restantes agrupamentos, esclareceu Joana Correia, adiantando que a instituição que dirige vai apresentar um projeto que poderá ser um dos integrados no Plano Educativo Municipal. Caso seja incluído, todos os agrupamentos escolares e instituições de ensino particulares, poderão escolher acolher ou não o projeto do CHCV.

Depois da igualdade de género, as sessões de sensibilização da delegação sanjoanense da Cruz Vermelha abordaram a violência no namoro em fevereiro e vão abordar o bullying em abril na Serafim Leite, adiantou a presidente Joana Correia ao labor.

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