A “Sopa Transatlântica” é promovida pelo Município através do Núcleo de Arte e alia a gastronomia à arte que lá está patente numa instalação do artista moçambicano Jorge Dias – também ele um artista transatlântico que nasceu em Moçambique, filho de pai português, viveu no Brasil – intitulada “Sinais”, da Coleção Norlinda e José Lima.

A primeira iniciativa realizou-se no sábado passado, dia 16 de fevereiro, com início às 11h00, no Mercado Municipal.

A “Sopa Transatlântica” foi feita com caldo de mocotó (mão-de-vaca em Portugal), pimentos, coentros, alho, azeite, vinho branco, chouriço, salsa, coentros, malagueta, aipo, entre outros ingredientes e confecionada por Amanda Midori, uma colaboradora do Serviço Educativo do Núcleo de Arte da Oliva que nasceu em S. Paio de Oleiros, filha de pais brasileiros, que já viveu no Brasil e também em África.

Apróxima iniciativa está marcada para o dia 16 de março e no âmbito da qual vai ser confecionada uma sopa com origem iraniana. A iniciativa voltará ainda a 13 de abril com uma sopa portuguesa.

Para além de “Sinais”, a iniciativa “Obras para a Cidade”, promovida pelo Município e pelo Núcleo de Arte, tem levado obras da coleção do casal Lima a outros espaços públicos da cidade desde abril do ano passado. A saber: “Peça para Decidir”, de Nuno Sousa Vieira, no átrio de entrada da câmara municipal; “Carcere XIV, The Gothic Arch, After Piranesi (Carceri)”, de Vik Muniz, na Casa da Criatividade; “Espírito da Gravidade 2”, de João Maria Gusmão e Pedro Paiva, na Biblioteca Municipal; “Model”, de Dan Graham, na Sanjotec-Parque de Ciência e Tecnologia.

No momento de degustação desta sopa da “Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP),” como apelidou José Lima, o colecionador aproveitou para relembrar a todos os presentes, com esperança que levem a informação a tantos outros, de que em S. João da Madeira “temos uma coleção de arte contemporânea que devia ser mais visitada e é praticamente desconhecida dos sanjoanenses”.

A ideia de levar as obras da sua coleção à rua partiu do próprio José Lima em conjunto com o Município para que a arte estivesse em proximidade com as pessoas.

“Em S. João da Madeira ainda não nos apercebemos da riqueza que temos”, disse o colecionador, considerando que o Núcleo de Arte da Oliva tem “uma das melhores instalações para exposição de arte do país”, mas que “ninguém sabe que existe lá um centro de arte contemporânea”. “Toda a gente vai a Serralves, mas ninguém vem ao Núcleo de Arte da Oliva”, lamentou José Lima.

O colecionador citou uma entrevista em que Graça Fonseca, ministra da Cultura, diz que “a arte não é para estar fechada em museus” e defende a “descentralização” da cultura e assegurou que vai “tentar falar com a ministra para dizer que existe arte aqui” em S. João da Madeira.

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