Todos Temos Esperança

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A esperança! Quando falamos de esperança não podemos deixar de partir da constatação do facto de que estamos numa condição de falta. Assim, poderíamos dizer que a esperança é dos melhores exílios que podemos encontrar para escapar ao presente. No entanto, sabemos que a esperança deve e sempre será a condição última a morrer. E repetimos, vezes sem conta, esta frase batida como se, depois de tudo o que vamos conhecendo e sabemos, ainda haja uma solicitação última de recurso e resolução de algo que consideramos problemas e dificuldades.

É dessa ampla zona de dúvida e incerteza de resposta que emerge em cada um de nós uma vontade forte de resistência e desejo de combatividade dirigido aos diferentes objetivos e às muitas contrariedades da vida que fazem parte do nosso crescimento.

Achamos nós que se trata de autodeterminação ou ambição. Falamos de energia, garra, autonomia e deixamos de fora qualquer alusão à esperança, já que essa parece reservada a ser sentimento que nos visita quando mergulhamos em zonas de aflição. Talvez se trate mesmo de uma questão de designação. Talvez a esperança seja algo que constitui e dela faça parte a nossa gestão quotidiana, ainda que possam existir nomes mais suaves e menos comprometidos. É ainda uma esperança aliviar aquela que usamos para esperar que as coisas corram a contento, que a vida nos saia bem e que consigamos ir atingindo metas que vamos estabelecendo.

Chamamos-lhe expectativa e achamos que são desejos legítimos e aspirações razoáveis, muito longe do território que tem estudo linguístico que se apela à esperança.

Por vezes, invadimos em formas residuais do pensamento mágico da nossa infância e, mesmo que a probabilidade não esteja do nosso lado tentamos com palpites que surgem sabe-se lá de onde.

Jogamos na lotaria ou esperamos que alguém apareça a resolver o que não sabemos. À revelia de qualquer racionalidade, acreditamos que há um destino feliz à nossa espera ou um anjo, protetor que vela pelos nossos interesses. Também há uma esperança organizada e partilhada com outros a que chamamos fé. Mas a esperança.

A esperança tem mesmo de ser a última a morrer. Porque é tão parte de nós que morre connosco. Pelo meio vamos abandonando o desejo as expectativas, a ambição.

Para que as esperanças fiquem mesmo até ao fim dos nossos dias.

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