Câmara não pondera trocar a Praça Luís Ribeiro pelo Estádio Conde Dias Garcia

 Depois de percorrer algumas das principais artérias da cidade, o Carnaval das Escolas de S. João da Madeira terminou na Praça Luís Ribeiro onde se juntaram milhares de pessoas. Esta foi uma decisão do atual executivo municipal já tomada em 2018 e que agora, em 2019, voltou a ser posta em prática, após “a maioria das pessoas” ter aprovado “a mudança que fizemos no ano passado”, como garantiu em exclusivo ao labor o presidente da câmara.

Acontece que, no último sábado, a nossa reportagem ouviu vozes descontentes com a dita “mudança” no meio da multidão que se deslocou à Praça Luís Ribeiro. Aqui, para maior comodidade dos espetadores, foram colocadas bancadas. Mas nem isso convenceu quem queria ver o final do desfile carnavalesco composto por mais de 1.700 foliões e não conseguiu (ver Vox Pop).

Em resposta aos queixosos, Jorge Sequeira defendeu que “precisamos de animar o nosso centro cívico”. Este, em seu entender, “não pode ser um espaço moribundo”. Além do mais, “toda a cidade reclama iniciativas para a Praça”, acrescentou.

“No campo de futebol, pelo que já me informei, havia menos” público e “as pessoas estavam muito dispersas e distantes dos próprios participantes”, disse o autarca, para quem “esta proximidade que hoje existe é positiva”. E tanto é assim que, conforme adiantou, ao nosso jornal, o Município não pondera trocar a Praça Luís Ribeiro pelo Estádio Conde Dias Garcia.

Utilização de copos biodegradáveis evita o consumo de 1.600 garrafas de plástico

“Queixas à parte”, Jorge Sequeira referiu ao nosso jornal que “o Carnaval foi uma grande manifestação de vida e de alegria das nossas escolas”. Segundo afirmou, “a diversidade das apresentações foi impressionante”, tendo-o marcado, particularmente, “a circunstância de ver uma ligação [do tema escolhido] ao ambiente por parte de uma escola”.

Aliás, por falar em ambiente, o responsável político salientou o facto de “esta festa de Carnaval” ter sido também, “simultaneamente, uma grande ação de sensibilização ambiental promovida pela câmara”. “Eliminámos a distribuição de garrafas de plástico e criámos um meio alternativo de fornecimento de água aos participantes em copos reutilizáveis”, explicou, mencionando ainda que “foi positivo conjugar a diversão com a consciencialização ambiental”.

O Carnaval das Escolas, tal como o labor noticiou oportunamente, foi o primeiro “eco-evento” organizado pela autarquia. Pela primeira vez, foram utilizados copos biodegradáveis, produzidos em cana de açúcar, tratando-se da concretização de uma das medidas de combate ao uso do plástico descartável nos eventos municipais, no âmbito de um pacote ambiental que começa a ser levado a cabo este ano.

E esta opção por uma solução amiga do ambiente evitou o consumo de, pelo menos, 1.600 garrafas de plástico, tendo por referência o número das que foram entregues no corso de 2018, de acordo com nota de imprensa camarária enviada ontem ao nosso semanário.

Depois dos Caretos de Podence… o Dragão Chinês

Nesta 38.ª edição do Carnaval das Escolas, cujo mote foi “Sem tema… Não temas!”, inscreveram-se 1.662 alunos de diferentes níveis de ensino de estabelecimentos de ensino públicos e privados, desde o pré-escolar ao secundário, e da Universidade Sénior do Rotary Club de S. João da Madeira, e ainda cerca de 40 utentes do Lar de Idosos S. Manuel, da Santa Casa da Misericórdia (SCM). Além disso, o corso contou com a colaboração do Instituto Confúcio, que, em parceria com a Universidade de Aveiro, é responsável pelo ensino do Mandarim em escolas sanjoanenses.

O Instituto Confúcio animou o Carnaval das Escolas com a “Dança do Dragão”, uma arte tradicional chinesa em que fantoches gigantes desse ser mítico são movimentados por vários ginastas, numa performance acrobática e colorida.

Recorde-se que no ano anterior foram os Caretos de Podence os “convidados especiais”. E “para o ano” é já certo que haverá “outra novidade”, adiantou Jorge Sequeira ao nosso semanário.

Agradecimentos públicos

À semelhança do que tem acontecido em outros anos, a câmara, através da Divisão de Educação, voltou a assumir a organização do Carnaval das Escolas em articulação com a comunidade educativa.

Participaram em 2019 o Agrupamento de Escolas (AE) João da Silva Correia, Universidade Sénior, Colégio Infantil Santa Filomena (Creche Albino Dias Fontes Garcia), Creche Alberto Pacheco (SCM), Centro de Atividades de Tempos Livres “Artes e Traquinices” (SCM), Abrigo Infantil das Laranjeiras (SCM), Centro Infantil de S. João da Madeira (SCM), EB2,3 (Associação de Pais), Escola Básica e Secundária Oliveira Júnior (Associação de Pais), AE Dr. Serafim Leite e Lar de Idosos S. Manuel (SCM).

Na sua página do Facebook, a edilidade “deixa uma saudação muito especial às escolas e a todas as instituições envolvidas no cortejo, PSP e Bombeiros Voluntários, com um destaque particular para a sua Fanfarra, assim como a todos os voluntários e colaboradores da autarquia”. “Fica também um aplauso particular ao Instituto Confúcio, pela grande estreia do seu dragão chinês no desfile, e ao professor Paulo Oliveira, que fez vibrar todos os participantes num fantástico final de festa, cheio de movimento e ritmo”, continua com os agradecimentos, rematando: “A todos, muito obrigado e parabéns pelo excelente desempenho. E muito obrigado também ao público pela forma como viveu intensamente este grande evento da nossa cidade!”.

VOX POP

 Emília Almeida, 52 anos, S. João da Madeira

GN

“Acho tudo muito bem, tirando o final do desfile ser aqui na Praça porque ninguém vê. Devia ser no campo de futebol, como já foi. Lá toda a gente vê”.

 

 Isabel Matos, 33 anos, Arouca

GN

“É uma iniciativa muito boa para as crianças. Este é o dia delas. Mas acho que não devia terminar na Praça. Se fosse no campo de futebol todos teriam possibilidade de ver o final, coisa que não é possível aqui”.

 

José Pedro, 52 anos, S. João da Madeira

GN

“É uma iniciativa boa, mas não tem jeito nenhum finalizar na Praça. Isto é pequeno, não tem condições para todos verem o final. Devia ser como antigamente, no campo de futebol onde há muito espaço e toda a gente consegue ver”.

 

Fátima Santos, 48 anos, S. João da Madeira

GN

“É um evento bonito, mas devia finalizar no campo da bola. Lá há muito mais espaço”.

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