O deputado Moisés Ferreira esteve reunido no dia 26 de fevereiro com o Sindicato Nacional dos Profissionais da Indústria e Comércio do Calçado, Malas e Afins na sua sede em S. João da Madeira.

No seguimento das declarações de Luís Onofre, presidente da Associação Portuguesa da Indústria do Calçado, Componentes, Artigos de Pele e seus Sucedâneos (APICCAPS), à Lusa, sobre “a falta de mão-de-obra” na indústria do calçado, Moisés Ferreira, deputado bloquista, decidiu estabelecer este contacto com o sindicato para debater as condições de trabalho no setor do calçado.

“Aquilo que vemos é que neste momento a maior parte dos profissionais do calçado, da produção, ganha apenas e só o salário mínimo porque os patrões e as empresas de calçado foram atualizando o salário mínimo porque foram obrigados nos últimos anos, mas não atualizaram nada acima disso”, afirmou Moisés Ferreira, em declarações à comunicação social depois da reunião com o sindicato, reforçando a mensagem de que a maior parte dos patrões e das empresas deste setor “continua a pagar salários muito baixos a pessoas que trabalham a vida inteira em fábricas de calçado e têm muita dificuldade para sair da pobreza”.

Na opinião do deputado bloquista, se a indústria do calçado quer combater a falta de mão-de-obra e de profissionais no setor, “aquilo que tem de fazer é aumentar e melhorar as condições de trabalho e salariais”.

Fernanda Moreira, coordenadora do sindicato, ficou surpreendida com as declarações de Luís Onofre à Agência Lusa “no sentido de a associação patronal – entenda-se APICCAPS – e o presidente da associação patronal (Luís Onofre) continuarem a insistir que não têm mão-de-obra quando são eles os próprios culpados”. “Se eles querem mão-de-obra têm de ter um salário atrativo” e “não é com o salário mínimo nacional que se consegue um setor atrativo”, frisou Fernanda Moreira. Além disso, “a progressão na carreira não é nenhuma”, indicou a coordenadora sindical, revelando que “tanto faz estar a entrar para aprender a profissão como estar lá há 10, 15, 20 anos, mantêm o mesmo salário”.

O que é “uma falta de respeito para com os profissionais que têm no setor ainda, ainda porque os profissionais mais antigos mais tarde ou mais cedo vão acabar por sair e o setor não é atrativo para os jovens”, considerou Fernanda Moreira.

Depois de uma primeira reunião de negociações entre o sindicato e a APICCAPS, a segunda ronda está marcada para o dia 15 de março em que “vamos ver” a contraproposta que vai ser apresentada pela associação patronal, adiantou a coordenadora sindical.

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