Daniel Neto e José Duarte da Costa são os coautores desta obra cujo lançamento poderá ser já a 4 de maio

Carlos Alberto da Costa é um nome “com um papel relevante na história de S. João da Madeira” que a câmara quer perpetuar através da obra “Carlos Alberto da Costa. Um olhar de S. João da Madeira”, da autoria dos sanjoanenses Daniel Neto e José Duarte da Costa.

Esta última quarta-feira foi aprovado por unanimidade, em sede de executivo municipal, um protocolo de colaboração entre o Município de S. João da Madeira e os dois coautores tendo em vista, precisamente, a edição deste livro que dá a conhecer o percurso de vida e a obra deste fotógrafo e que é, simultaneamente, também um retrato de época da sociedade sanjoanense.

Conforme se pode ler na proposta deliberada ontem, sendo “descendente de uma família que se pautava pela novidade (introdução do primeiro táxi e bomba de gasolina), a vocação de Carlos Alberto da Costa conduziu-o para o registo fotográfico e vídeo da sua terra natal. Ao longo de décadas e em centenas de imagens, a sua visão de toda uma vila e, mais tarde, de toda uma cidade em crescimento e em ebulição foi sendo registada pelas suas objetivas”.

Obra poderá ser lançada a 4 de maio

Embora ainda nada esteja confirmado, o próximo dia 4 de maio poderá muito bem ser a data do lançamento de “Carlos Alberto da Costa. Um olhar de S. João da Madeira”. Pelo menos, foi essa a sugestão que Daniel Neto e José Duarte da Costa fizeram à autarquia. E isto “por uma razão muito simples: nesse dia passam exatamente 111 anos sobre a data de nascimento de Carlos Alberto da Costa e também porque 4 de maio calha num sábado”, explicaram os coautores ao labor.

 

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“Pretendemos homenagear um sanjoanense que deu muito à sua terra e pouco foi aquilo que recebeu em troca”

A ideia de Daniel Neto e José Duarte da Costa escreverem um livro sobre Carlos Alberto da Costa “surgiu há cerca de quatro anos”. “Germinou de uma conversa” entre o professor licenciado em Línguas e Literaturas Modernas, já aposentado, e o filho mais novo do fotógrafo, com formação em Economia e Administração Hospitalar, “num encontro na Praça [Luís Ribeiro]”.

“Carlos Alberto da Costa. Um olhar de S. João da Madeira” “foi o resultado de vontades que convergiam para a realização de um trabalho que pretendia ser, antes de mais, uma homenagem justa” ao pai de José Duarte da Costa e ao “ídolo” de Daniel Neto.

“Com ele, pretendemos homenagear um sanjoanense que deu muito à sua terra e pouco foi aquilo que recebeu em troca”, disseram ao nosso jornal, concretizando a ideia: “A título de exemplo, em 1999, ano da sua morte, o executivo camarário aprovou uma proposta para atribuição do nome de Carlos Alberto da Costa a uma rua da cidade. A proposta foi aceite por unanimidade, mas isso nunca passou das intenções”.

Além disso, querem “ajudar os mais novos a perceberem – como disse João da Silva Correia – ‘em que palhas humildes nasceu esta urbe de hoje!’”.

Trabalho de investigação permitiu “encontrar dados novos sobre a história de S. João da Madeira”

Segundo contaram ao nosso jornal, “quando metemos mãos à obra verificámos – em função da documentação existente – que havia matéria de sobra para um trabalho de maior envergadura em relação ao inicialmente previsto”. “Houve um trabalho rigoroso de investigação que nos permitiu, inclusivamente, encontrar dados novos sobre a história de S. João da Madeira”, acrescentaram.

Para Daniel Neto e José Duarte da Costa, “não seria possível falar de Carlos Alberto da Costa sem falar da história de S. João da Madeira nem fazer a história da cidade sem falar do fotógrafo. São coisas indissociáveis”. Aliás, em seu entender, “os autores da primeira monografia de S. João da Madeira perceberam isso melhor do que ninguém”.

Ao labor, os coautores referiram ainda que se tratando de “uma obra importante para S. João da Madeira, faz todo o sentido que seja a câmara municipal a assumir a edição do livro”. “Nós oferecemos o trabalho e a câmara compromete-se a editar a obra, com a qualidade que o assunto exige”, remataram.

O nosso semanário tentou saber junto da autarquia se há outras iniciativas, para além deste livro, previstas para de igual modo homenagear a título póstumo Carlos Alberto da Costa. Mas não conseguiu obter quaisquer informações sobre o assunto a tempo do fecho da presente edição.

Recorde-se, no entanto, que uma das intenções dos vereadores do PS, no mandato 2013/2017, era criar a “Casa da Fotografia Carlos Alberto da Costa”.

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Quem foi Carlos Costa?

Pedimos a Daniel Neto e a José Duarte da Costa para partilharem com os nossos leitores um pouco da vida de Carlos Alberto da Costa. Os coautores da obra “Carlos Alberto da Costa. Um olhar de S. João da Madeira” começaram por dizer ao laborque “quando um dia o jornalista de um diário da capital lhe perguntou qual tinha sido a sua profissão, Carlos Alberto da Costa sorriu e respondeu com outra pergunta: ‘Quantas quer’?”.

Segundo Daniel Neto e José Duarte da Costa, foram, de facto, muitas as atividades em que esteve envolvido e desenvolveu ao longo da sua vida. Começou como ajudante na serralharia do pai, foi funcionário da primeira central elétrica de S. João da Madeira, chofer de carro de aluguer, projecionista, escrivão, fotógrafo, comerciante, empresário… à imagem do progenitor (Francisco Costa, vulgo “Chico Folheteiro”), o verdadeiro “homem dos sete ofícios”. Mas foi na fotografia que Carlos Alberto da Costa mais se destacou.

Ao longo de mais de sete décadas fez a história de S. João da Madeira em imagens, trabalho valiosíssimo que complementou, no crepúsculo da vida, com obras miniaturais, representando as atividades e as indústrias que fizeram prosperar a sua terra.

Com outros fotógrafos do Norte, fundou a Associação Fotográfica do Porto (AFP), participou em exposições e viu muitos dos seus trabalhos premiados. Grande parte deles reflete a beleza ímpar da Ria de Aveiro e aspetos da praia do Furadouro. Por isso, o escritor sanjoanense João da Silva Correia lhe chamava o “Poeta da Ria”.

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